PONTO DE ORDEM

 
30 de julho 2018 - às 11:00

SOLIDARIEDADE CONTRA A CORRUPÇÃO

Logo no início do seu mandato, João Lourenço disse ao que vinha, sem curvas, e, para quem o quisesse perceber, foi alertando que os dirigentes do país precisavam urgentemente de  dar passos decisivos para moralizar a nossa sociedade,"valorizando os bons comportamentos, atitudes e práticas, combatendo aqueles actos que em desafio e violação das leis existentes, tantos males causam à nossa comunidade e ao bem comum".

 

Quando a nova liderança do país apostou em não dar tréguas ao saque generalizado a que o país esteve submetido nos últimos anos, muitos acreditavam que, passados seis meses, alguns governantes fossem mais activos, mais capazes para, com acções práticas, corrigir o que de facto estava  completamente errado. Muitos cidadãos apostaram todas as fichas no novo elenco governativo do país saído das eleições gerais do ano passado , em que o MPLA, embora tenha saido chamuscado,  com todo o mérito soube conquistar a maioria absoluta na Assembleia da República.

Todavia, nota-se actualmente um certo descrédito no modo de agir e estar de meia dúzia de governantes que colocam em causa o esforço de um todo que pretende seguir o trilho da liderança da Nação. Ao mais alto nível, é verdade que foram tomadas algumas medidas no sentido de sanear o clima de suspeições reinante em alguns departamentos ministeriais, nomeadamente com a entrada de novos actores. Entretanto, em certas áreas vai-se observando que existe pouca vontade de se mudar radicalmente o status quo, apesar de, a partir do topo da pirâmide deste executivo, estar-se a tentar dar mais  esperança, optimismo e  apostar honestamente na liquidação dos vícios do passado.

Os sinais destes tempos de mudança foram claros desde  que o novo líder  entrou em campo,conquistando, num curto de espaço de tempo, a confiança da população. Não se cansou de apelar, sempre, à necessidade de se começar muito seriamente com uma batalha também difícil de ser ganha, se não contar com o apoio de todos e, sobretudo, com governantes totalmente engajados; com governantes divorciados das más companhias, as tais que agora vão vendo os seus nomes atolados na lama, mergulhados em escândalos vergonhosos de milhões e milhões de dólares roubados do erário público, num esquema arquitetado durante vários anos.Todos eles mancharam a imagem de um país que conquistou com muito sacrifício a  paz e a democracia, dando sinais em dado momento da sua história de que poderia sair do estado de pobreza em que se encontrava desde a conquista da sua independência, em 1975.

Logo no início do seu mandato, João Lourenço disse ao que vinha, sem curvas, e, para quem o quisesse perceber, foi alertando que os dirigentes do país precisavam urgentemente de  dar passos decisivos para moralizar a nossa sociedade,"valorizando os bons comportamentos, atitudes e práticas, combatendo aqueles actos que em desafio e violação das leis existentes, tantos males causam à nossa comunidade e ao bem comum".

O Presidente da República acabou por transmitir maior segurança no futuro quando iniciou a cruzada contra a corrupção e o nepotismo, mostrando à sociedade  que, com coragem, os dirigentes do país deste tempo novo poderiam, sim, mudar o comportamento e as suas próprias vidas.

"Vamos trabalhar para não deixar morrer esta esperança que se abre, de maior integração da nossa economia na economia mundial, fazendo de Angola um destino privilegiado do investimento privado estrangeiro.Trabalhar para que todos os caminhos venham dar a Angola, é o nosso desafio", disse João Lourenço no seu primeiro discurso de fim de ano. No mês de Dezembro próximo, provavelmente teremos melhores novidades. Estas  deverão consubstanciar-se em resultados da luta contra os males que provocaram o caos , o desânimo e a frustração de milhares de jovens desempregados, sem escola e futuro garantido. Nessa altura, já se poderá fazer um balanço da investida  que o executivo delineou contra a  gestão desastrada que se instalou na maior parte das empresas públicas do país, cujo destino será mesmo a privatização pura e dura. 

Para isso, há que chamar atenção às pessoas que tiveram a sorte de ser nomeadas para exercer altos cargos públicos, pois existem ainda péssimos hábitos enraizados; alguns dos quais muito difíceis de  eliminar, é verdade, mas o que neste momento se exige, é que não finjam que estão a trabalhar, tocando os pianos desafinados do passado. Saibam eles  que  o país tem mais valências para assegurar a sua gestão e rapidamente prosperar. E que sejam mais solidários, mais sensíveis aos problemas sociais  gravíssimos sofridos pelo  povo, principalmente devido à corrupção. 

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