EDITORIAL

 
25 de junho 2015 - às 09:33

SOLIDARIEDADE AFRICANA

Os exemplos de guerra fratricida que o continente conheceu recentemente, desde a primavera árabe, a destruição do Iraque e da Líbia, o terrorismo que ganha espaço, não são  práticas alimentadas por vontades internas africanas mas sim fomentadas em praças do Ocidente e dos EUA com o argumento de ser importante para se "implantar a democracia que eles cultivam".

 

Os presidentes africanos reuniram-se em meados de Junho, na 25º cimeira da organização continental, UA, em Joanesburgo e decidiram centrar as atenções no combate ao terrotismo que ganha espaço em alguns países do continente e trabalhar eficazmente pelo fortalecimento económico, sustentabilidade e crescimento do comércio intra-africano, a qualificação de quadros, inovação tecnológica e a busca de uma verdadeira emancipação da mulher africana. Todos esses aspectos devem estar alinhados com a Agenda 2063, considerada por Dlamini Zuma, Presidente da Comissão da União Africana, o "roteiro e farol de África", tendo ela prometido apresentar, no próximo ano, a estratégia global para desenvolver a capacidade e habilidades africanas em direcção à Agenda 2063, que priorizará fundamentalmente os jovens de África para que eles se tornem o condutor da transformação e desenvolvimento.
Este é o assunto de destaque no mês de Junho de um continente rico em recursos mas que está, como reconheceu Dlamini Zuma, um século atrasado muito por causa das potências ocidentais continuarem a pensar que ele continua a ser o local onde "cada abutre pode  debicar o seu pedaço". Falou por isso mais alto a solidariedade africana, representada pelo país anfitrião, a África do Sul, que não permitiu a manobra de diversão que consistia na prisão, em Joanesburgo, do Presidente do Sudão, Omar El Bashir, que tem um mandato de captura do Tribunal Penal Internacional, acusado de vários crimes contra a humanidade. A União Africana já tomou a sua posição em relação ao TPI, considerando-o como muito parcial, sobretudo na perseguição de personalidades políticas africanas, deixando em liberdade pessoas de outras regiões acusadas de graves violações dos direitos humanos.
Não se trata de "apadrinhar" crimes mas de situar a abrangência de algumas decisões que se tomam, na esteira de não abrir  feridas graves no Continente que podem perigar a paz e tranquilidade que se precisa para se combater com energia os males que enferma, desde a pobreza à corrupção.
Omar El Bashir é Presidente de um País membro da União Africana e da Comunidade das Nações, a ONU, o Sudão, que muito recentemente realizou eleições presidenciais consideradas como livres e democráticas e que respaldaram a sua vitória. É um País grande em dimensão geográfica e em recursos naturais que continua a viver uma guerra fratricida e que tem estado na mira dos "abutres" ocidentais que procuram espaço para debicarem o seu pedaço e, nessa direcção, já proporcionaram a divisão do País em dois, Sudão e Sudão do Sul, um erro que a história, um dia, encarregar-se-á de corrigir.
Os exemplos de guerra fratricida que o continente conheceu recentemente, desde a primavera árabe, a destruição do Iraque e da Líbia, o terrorismo que ganha espaço, não são  práticas alimentadas por vontades internas africanas mas sim fomentadas em praças do Ocidente e dos EUA com o argumento de ser importante para se "implantar a democracia que eles cultivam".
O racismo e mesquinhez na ingerência da dupla Ocidente/EUA em África tem de encontrar barreiras fortes para que não se continue a penetrar nos nossos países e espalhar a guerra e o terror. Isto mesmo foi o que se evitou, com o governo sul-africano a não permitir acatar a prisão, em Joanesburgo, do Presidente do Sudão, Omar El Bashir. Agindo ao contrário, sem sentido estratégico de Estado, a África do Sul abriria um precedente gravíssimo nas suas relações com outros países africanos, instalava-se a crise no continente com reflexos evidentes no seio da UA e comprometia-se a vontade do renascimento de África, que deve ser, sim, a grande prioridade dos africanos. Caberá agora aos líderes africanos encontrarem em conjunto, imediatamente, a melhor solução para que a decisão do TPI contra Omar El Bashir não se eternize de forma que o Sudão e os seus dirigentes possam contribuir sem qualquer condicionalismo para o desenvolvimento do Continente e os problemas que o País vive encontrem a melhor solução interna.
Ingerências envenenadas, os africanos, de forma geral, não podem aceitar nem aplaudir presentes minados em troca de pseudos democracias importadas de outras latitudes.

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