EDITORIAL

 
20 de dezembro 2014 - às 19:02

SOLIDARIEDADE A CABO VERDE

As primeiras estimativas indicam que os prejuízos estão calculados em cerca de 50 milhões de Euros, um peso enorme para um País sem muitos recursos e que os orçamentos obrigam sempre a grandes ginásticas

 

Uma erupção vulcânica no Pico do Fogo em Cabo Verde fez desaparecer quase toda área edificada de Chã das Caldeiras, no município de Santa Catarina, numa área estimada em 57, 49 hectares. Cerca de 1200 pessoas que alí habitavam ficaram sem os seus haveres e residências, estando agora alojadas provisóriamente em centros de acolhimento criados para o efeito. Diante dessa tragédia, o governo cabo-verdiano teve que accionar um plano de contigência, ao mesmo tempo que solicitou o apoio da comunidade internacional para o ajudar a minimizar os estragos provocados. O governo de Angola foi dos primeiros a responder ao apelo, enviando para o Arquipelago uma ajuda em meios e bens avaliados em sete milhões de dolares.

As primeiras estimativas indicam que os prejuízos estão calculados em cerca de 50 milhões de Euros, um peso enorme para um País sem muitos recursos e que os orçamentos obrigam sempre a grandes ginásticas, com a colaboração internacional dos países e instituições para que Cabo Verde se consiga erguer e gizar planos para um desenvolvimento sustentado.Tem contribuído para isso uma boa gestão e transparência reconhecida por instituições abalizadas de cariz internacional.

A palavra vulcão deriva do nome de Deus do fogo na mitologia romana vulcano. E o vulcão é, pois, uma estrutura geológica criada quando o magma, gases e partículas quentes (como cinzas vulcânicas) escapam a superficie. Eles ejectam altas quantidades de poeira, gases e aerossois na atmosfera, interferindo no clima, e que provocam geralmente uma erupção que resulta em grave desastre natural, por vezes de consequências planetárias. Foi o que aconteceu na Ilha do Fogo, com o vulcão em erupção a destruir tudo o que encontrava pelo caminho, desde simples habitações, a centros hospitalares, unidades hoteleiras, deixando, por exemplo, a localidade de Chã das Caldeiras praticamente desaparecida do mapa. Quer o Presidente como o Primeiro-Ministro de Cabo Verde sentiram profundamente os efeitos da obra da natureza como um "murro no estômago" que obrigará a ginásticas para se recuperar a dignidade dos cidadãos que ficaram sem os seus haveres e reconstruir as estruturas habitacionais e de utilidade pública em zonas mais seguras.

A última erupção vulcânica em Cabo Verde ocorreu em 1995 e geofísicos ligados à protecção civil apressam-se em apontar que os incidentes actuais terão proporções idênticas às registadas em 1951, a mais grave das últimas décadas.

A presente edição, por sinal a última de 2014, sofreu alterações na sua configuração e decidimos dar destaque à tragédia que se abalou sobre uma parte do território cabo-verdiano. Trata-se de uma homenagem, humilde, é certo, que prestamos a um País e a um povo que tem dado provas de convivência no respeito à diversidade de opiniões construindo alí uma democracia que tem sido elogiada a nível mundial. Por outro lado, é realçante  a prontidão com que o Governo do Presidente Eduardo dos Santos decidiu acudir o povo de um país a que nos liga laços de consaguinidade temperados na luta contra o opressor comum, o colonialismo português.

No caso, da ajuda pronta de Angola, não contam fundamentalmente os números do apoio disponibilizado mas sim essa solidariedade fraterna que aquí em África muitas vezes adormece apenas em palavras mansas. Os angolanos, que num passado recente também conheceram o valor da solidariedade em função dos momentos conturbados que viveram até ao alcance da paz, sabem e dão muita importância e valor à Solidariedade efectiva. As grandes tragédias infelizmente continuam a acontecer no nosso continente, razão porque urge os africanos terem leituras mais práticas e rápidas de cultivar a fraternidade para serem os primeiros a saber fazer frente aos desafios de índole diversa que se colocam na luta pelo desenvolvimento global.  

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