MUNDO REAL

 
5 de novembro 2016 - às 12:19

(IN)SEGURANÇA PÚBLICA E A VIDA DOS CIDADÃOS

Prender marginais, desvendar alguns crimes, apresentar os malfeitores à imprensa não resolve o problema, e nesta altura já nem atenua. A realidade agora é outra.

 

questão da criminalidade sempre foi uma preocupação para nós, especialmente os casos registados nas ruas escuras dos bairros suburbanos, com pormenores bárbaros e em que a população está completamente desprotegida, à merce dos marginais.

O impacto da criminalidade em algumas zonas é tal que a população vive um verdadeiro recolher obrigatório, tendo que entrar em casa no máximo, às 17 horas porque depois disso pode ser fatal, uma situação que é um verdadeiro drama para as pessoas que trabalham no centro da cidade, que muitas vezes têm que dormir no serviço ou em casa de colegas para evitar a violência nas suas zonas.

Assaltos a residências de madrugada, espancamentos, violações sexuais com pormenores bárbaros são uma constante nestas zonas.

O que antes era um problema sentido literalmente na carne pelos moradores dos bairros mais pobres hoje é uma preocupação generalizada, a criminalidade violenta tomou conta do asfalto com cenas marcantes, como roubos de carro em plena via expressa, rapto de cidadãos estrangeiros na via pública, assalto a clínicas, assassinatos, enfim, um rol de violência que perturba o sono de todos, especialmente de quem habita em Luanda.

A segurança dos cidadãos é essencial para o normal funcionamento da sociedade, numa cidade onde não estamos seguros por mais que ganhemos milhões, dificilmente nos sentiremos bem. Os casos de violência extrema que registamos, particularmente os raptos, são também um factor inibidor do investimento estrangeiro, e a agudizar-se a situação seria extremamente prejudicial para nós, um país que tanto precisa desse capital.

Há muito que o problema da criminalidade precisava ser encarado de frente para devolver a paz nos bairros suburbanos de Luanda mas, quanto a mim, nunca houve uma resposta enérgica e coordenada deste problema (para não falar de interesse), o que foi agudizando a situação.

Agora vamos agir?

Minimizar o problema da criminalidade exige um problema profundo, um envolvimento de diversas instituições do Governo. Há muito que os sociólogos alertam que este é um drama que deriva das condições sociais, da pobreza extrema a que está votada grande parte da população, da exclusão do sistema de ensino e, consequentemente, do mercado de emprego, da desestruturação das nossas famílias e eu acrescento da falta gritante de valores e referências morais na nossa sociedade.

Prender marginais, desvendar alguns crimes, apresentar os malfeitores à imprensa não resolve o problema, e nesta altura já nem atenua. A realidade agora é outra.

Volto a perguntar: Agora vamos agir?  

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital