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3 de abril 2013 - às 13:45

SAMAKUVA ÀS CURVAS

É consensual que numa organização, sem nos importarmos com o seu core-business, a comunicação é um activo importante e transversal a todos os núcleos que a compõem.

 

É consensual que numa organização, sem nos importarmos com o seu core-business, a comunicação é um activo importante e transversal a todos os núcleos que a compõem.
Contudo, esta comunicação deve obedecer uma estratégia bem definida, onde são calculados os benefícios versus prejuízos.
O que me parece, de um tempo a esta parte, é o desrespeito desta norma por parte do maior partido da oposição, UNITA. Tem sido confrangedor ver a estratégia da UNITA de tudo abater e varrer desde que se insurjam contra as infelizes verborreias de Sama.
Mesmo sem pertencer aos quadros da UNITA, muito menos conhecer o partido por dentro, ressalta a ideia de que os conselheiros de Samakuva para a área de comunicação  estão verdes e não conseguem fazer uma leitura horizontal dos tempos.
Primeiro foram as trocas de galhardetes com jornalistas do Semanário Angolense, em plena fase eleitoral. Depois foram as acusações de que o acidente rodoviário de Sama, no Moxico, teria sido um atentado, o que prontamente o mesmo veio a terreiro corrigir o erro.
Como se não bastasse, o galo continuou a fazer das suas fora da capoeira. É assim que se seguiram a queixas crime contra o Chefe de Estado, onde não consigo descortinar o ganho político desta acção; o mesmo seria dizer que a UNITA encomendou casacos fora de época.
Fruto da inconsistência de uma estratégia definida, a UNITA colheu espinhos com esta sua acção, recebendo chuva de críticas, mesmo em alguns sectores que lhe são favoráveis.
Quando devia reagir com low-profile, meteu-se novamente de peito aberto e uma arrogância soberba e tocou numa colmeia, que até mesmo o MPLA evita afrontar quando não está a favor de muitas de suas acções.
Sim, estou a falar do ataque do presidente do galo negro à Igreja Católica e ao seu clero, que resultou num comunicado contundente da CEAST.
Sinceramente somente com assessores verdes e inexperientes a UNITA teria indicação para atacar com palavras uma instituição que sempre esteve aparte do conflito armado que desatou o país por vários anos.
Um dos aspectos que mais estranheza causou, neste ataque ao clero católico é o facto da UNITA saber que a geografia natural do clero é o Sul de Angola, ou seja, é no Sul do país onde os católicos têm o seu viveiro de onde mais saem candidatos para sacerdócio.
A UNITA também sabe que é no Sul do país que a igreja católica desenvolve as suas acções humanitárias e aí criou laços fortes com a população. Esta mesma população que ainda hoje constitui a base eleitoral do galo negro.
Então chego as seguintes conclusões:
As pessoas que estão a assessorar a UNITA e o seu líder na comunicação e imagem não têm o conhecimento histórico deste partido e são autênticos paraquedistas.
Por outro lado, o líder e a sua entourage deviam estudar mais aspectos científicos sobre como se faz uma comunicação e como criar factos políticos, sem que seja a todo o custo.
Por fim, é altura da UNITA assumir a sua postura de oposição responsável, sem cair na teia do populismo e do ataque gratuito.

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