ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
26 de November 2019 - às 09:24

SAIR DA DEPENDÊNCIA DO PETRÓLEO É UM GRANDE DESAFIO

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) o sector petrolífero nacional ainda é responsável por cerca de 90% das exportações, 50% do Produto Interno Bruto e 80% das receitas fiscais. Todavia, o crescimento esperado para 2019 vem confirmar a vitalidade e viabilidade da economia, isto tendo em conta a média de crescimento do continente africano com uma taxa do crescimento real do PIB na ordem dos 4 %, o que dá a  Angola o lugar entre as 12 melhores economias africanas em termos de crescimento. Um dos grandes desafios para a economia nacional será revitalização de outros sectores fora do sector petrolífero, como por exemplo o sector têxtil. Este sector ocupa a nível da economia mundial um lugar cada vez mais decisivo, na medida que gera postos de trabalho e contribui para o aumento do Produto Interno Bruto e das exportações

 

APOSTA NO SECTOR TÊXTIL:  MAIS EMPREGO E RIQUEZA 

Infelizmente,  grande parte das nossas necessidades são supridas por via do mercado externo

Angola é um país que tem inúmeras necessidades nesta área; em primeiro lugar, devido a inexistência/obsolescência da infraestrutura, e, por outro lado, estas necessidades devem ser transformadas em oportunidades de criação de indústrias modernas com capacidade de competir e cobrir grande parte da procura interna.

As especificidades e contingências inerentes a este sector mudaram muito em relação a três décadas atrás. Hoje estamos perante um fenómeno de internacionalização em que estas indústrias se enquadram com uma estratégia comercial agressiva de aquisições de parcerias e fusões, com enorme capacidade criativa, rompendo com toda a filosofia tradicional.

Podemos constatar entre nós uma vontade e potencial criativo que alguns empreendedores nacionais manifestam,porém, devemos passar de uma fase amadora, para uma profissional. Portanto, estes negócios devem ser formatados de forma comercial dando uma clara primazia a qualidade, internacionalização e marketing.

Ao invés do empresariado nacional se centrar na importação, deve apostar fortemente na implementação de tecnologias novas e know how, e este esforço, com incentivos, dará vantagens apreciáveis de retorno e lucratividade.

Para que tenhamos um sector têxtil renovado teremos de empreender um forte benchmarking, copiar os melhores exemplos e atrair tecnologia, que é inexistente, com vista a uma maior exploração do mercado. Existem vários criadores nacionais que participam um pouco por todo mundo quer em exposições, feiras, eventos demonstrando grande capacidade criativa e é desta experiência que devemos aproveitar, pois o potencial de mercado é enorme.

Actualmente grande parte das nossas necessidades são supridas por via do mercado externo oriundos do Brasil, Portugal, Turquia, China e outros países.Competir nestes mercados é um grande desafio, mas  com a instalação de indústrias com esta filosofia no país, teremos capacidade de cobrir grande parte da procura local, partindo do pressuposto que o mercado deverá pautar-se pela função custos/benefícios e qualidade/preço.

Existe já uma iniciativa nacional que é facilmente perceptível na atitude comercial exercida por alguns empreendedores angolanos, uma vez que verificamos um rápido desenvolvimento do comércio principalmente a nível de Luanda, impondo em muitos casos estratégias comerciais agressivas tendentes a uma política de incentivos, que poderá passar pelo subsídio a fundo perdido a projectos idóneos, que preconizem o desenvolvimento empresarial e sustentabilidade a médio prazo.

Com este tipo de medidas estimularíamos a fixação no país de indústrias incorporadoras de tecnologia e know how, o que de certa forma desencadearia uma expansão acelerada do sector  com contrapartidas mais estimulantes. 

Na primeira fase de relançamento desta actividade, devemos focar a produção para o mercado nacional e posteriormente apostar na internacionalização. Os dois elementos-chave que deverão acompanhar esta estratégia serão, sem dúvida, a qualidade sustentada por um design adequado e, em segundo lugar, a subcontratação de produtos ajustados às características do mercado interno. Este segundo instrumento determinará a longo prazo a capacidade de desenvolvimento e sustentação deste sector, que encontra-se praticamente paralisado e terá de surgir com outra filosofia.

É visível no nosso mercado que o sector têxtil é pouco desenvolvido, o que de certa forma favorece a entrada de produtos oriundos do exterior, que em muitos casos não incorporam a qualidade necessária. Portanto, o handicap obriga-nos a importar. No entanto, pequenos empresários do ramo da moda e mais concretamente do vestuário, devem afinar as suas estratégias tendo em conta a orientação para o cliente mediante um serviço de qualidade. É notório que este sector precioso exige a implantação de uma lógica tendente a capacitação e qualificação do tecido empresarial, e esta deve abarcar toda cadeia de distribuição.

 

MODERNIZAÇÃO DA INFRAESTRUTURA TÊXTIL

O PAÍS TEM CONDIÇÕES, SIM!

O país tem condições de restruturar e modernizar toda infraestrutura, mas teremos de criar incentivos às PME´s de acesso a créditos com base nos parâmetros atrás definidos. Outro elemento que irá desencadear, alavancar todo este processo é, sem dúvida, o Investimento Directo Estrangeiro, pois as condições que a economia apresenta são boas quer no controlo das variáveis macroeconómicas quer nos incentivos para o investimento.

Outro factor será o custo; dão mão de obra que é excelente, muito competitiva em relação ao mercado internacional.Mas é evidente que teremos de ter uma política de formação caracterizada pela acção de centros profissionais que dotarão a mão de obra de capacidade para operar conteúdos e tecnologias, pois este é um factor importante de atracção de investimentos - não basta só os anteriores; precisamos de adequar a qualidade da mão de obra nacional.

A criação de escolas e atelier de alta costura serão outras formas de fomentar o crescimento de sector têxtil em Angola, uma vez que o país regista um elevado índice de entrada de produtos exportados que são comercializados no mercado local e províncias ao triplo do seu preço.  A produção interna de têxteis será também uma forma de incentivar os turistas, principalmente os da zona SADC, visto que sempre desenvolveram uma tendência de moda idêntica na nossa região. 

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