PONTO DE ORDEM

 
2 de setembro 2016 - às 06:39

RIGOR E DISCIPLINA!

O nível de organização mafiosa que aquí se construiu parece que já ultrapassou a "indisciplina congolesa", pelo que a terapia de choque para a mudança radical tem de ser dura e sem complacências com muitos "chico espertos", impossibilitados a já não conseguirem viver num País normal, serem compulsivamente afastados e penalizados.

 

As duas palavras que elegemos para título foram referenciadas pelo Presidente Eduardo dos Santos no recente congresso do seu Partido como "armas mortíferas" na acção que deve orientar a governação do País nos próximos tempos. E terão de ser "armas mortíferas" na perspectiva de se moralizar a sociedade começando precisamente pelo cimo da pirâmide onde os erros graves e crassos, que acordam manobradores e dormem usurpadores do erário público porque se assumem protegidos pela impunidade, podem comprometer as aspirações da actual força política que dirige o País de continuar a liderá-lo sem sobressaltos.

Na verdade, os níveis de credibilidade da sociedade para com a classe política estão muito abaixo do permitido, várias vezes alguma comunicação social referiu isso mas não se verificam efeitos de mudanças pelo que a intervenção pública do Presidente do MPLA e, por consequência actual Presidente da República agora não só pode ser entendida como uma coragem decisiva de se colocar o dedo na ferida que quase gangrena, mas que só terá consistência se não morrer, como tantas outras acções, na praia, como se diz na gíria popular. Mais do que a repetição do diagnóstico, o quadro só pode mesmo mudar com a aplicação da terapia de choque, daí que nada é mais salutar do que se exigir disciplina e rigor, sobretudo na gestão da Coisa Pública.

O momento em que se pede mais essa "clemência" na mira de um esforço organizativo determinante do País não poderia ser o mais oportuno do que esse em que nos confrontamos com uma crise económico-financeira que quase paralisa o normal funcionamento do País. E digo-o mais oportuno porque é precisamente nos períodos de mais apertos que tem de vir ao de cima o engajamento patriótico de todos, no caso as prioridades centradas primeiro para os dirigentes do País, para que a impunidade não tenha espaços e a estoicidade e engajamento, estes sim, sejam constantes. Olhando para o sistema organizativo e funcional do nosso País, facilmente concluímos que não interessa continuar na mudança de pedras mas o fundamental é pôr ponto final à mentalidade existente que permite uma mercantilização a todos os níveis da política com reflexos nas nossas vidas.

Na verdade, e olhando para o conjunto dos que nos dirigem quase fica difícil adivinhar quem, no exercício das suas funções institucionais, não se dedica directa ou indirectamente a negócios, quando não faz negócios com ele mesmo. Quantas vezes, na mira das comissões, não se privilegiam projectos ou contratos altamente lesivos aos interesses do País e se favorece o engordar de contas bancárias chorudas, em Angola ou no exterior de titulares de cargos públicos ou seus subordinados? E a "farra" se repete nos níveis intermédios onde não se respeita, por exemplo, a confidencialidade bancária, se "invade" a conta de clientes distraídos, se cobra "gasosas" por dá aquí aquela palha, enfim uma série de irregularidades que um dia ousamos gritar que jamais aconteceriam em Angola porque aqui, dizia-se, "não poderia ser um Congo", numa alusão ao que muito de negativo acontecia no País vizinho.

Pois bem, o nível de organização mafiosa que aquí se construiu parece que já ultrapassou a "indisciplina congolesa", pelo que a terapia de choque para a mudança radical tem de ser dura e sem complacências com muitos "chico espertos", impossibilitados a já não conseguirem viver num País normal, serem compulsivamente afastados e penalizados.

Haverá coragem para isso? O Presidente Eduardo dos Santos, que não pode ficar impune e sereno ante à descredibilização da sociedade para com o Executivo por si dirigido, avisou que chegou a hora de se "acabar com a farra", então, temos de acreditar e exigir que a hora da disciplina e do rigor agora seja para valer de forma a se evitar sobressaltos na vida do País.  

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