EDITORIAL

 
27 de julho 2015 - às 10:16

REVOLUÇÃO AQUÍCOLA

Com tecnologia de ponta com investigação e a preparar as populações no sentido de reconhecerem as valias da aposta na aquicultura, o Ministério das Pescas lidera uma "revolução" para se diminuir substancialmente a importação de tilápias, que ainda hoje constitui uma grande proporção do total comercializado.

 

Regista-se no nosso País uma "verdadeira revolução aquícola", em termos mais simples, produção de cacussos que pode mudar positivamente o panorama do sector da pesca artesanal do nosso País, como nos dá conta um extenso trabalho sobre o sector que apresentamos nesta edição. Trata-se da divulgação mais ampla de iniciativas que se enquadram nas boas intenções do Plano Nacional de Desenvolvimento da Pesca Artesanal destinado a reduzir a pobreza nas comunidades e aumentar a valorização dessa actividade. De forma mais geral, esse plano que vem sendo executado com mestria pelo Ministério das Pescas, sob orientação da Ministra Victória Neto, que merece o destaque numa grande entrevista onde escalpeliza as suas ideias sobre o sector governamental que dirige, exerce um papel fundamental na criação de empregos, no aumento da renda das famílias e constitui instrumento fundamental na elevação dos índices de crescimento da produção nacional de peixe, reduzindo, deste modo, os níveis da importação no sector.
E o importante nessa empreitada, dando ouvido à Ministra das Pescas, é que se começa a registar em todo o País uma inserção bastante significativa de mulheres, participando de forma activa e dinâmica nas comunidades piscatórias onde a transformação, o processamento, a conservação e a comercialização do pescado é assegurado maioritariamente por elas. Hoje a produção da pesca artesanal representa cerca de 30% do total capturado em Angola e estima-se que cerca de 500 mil famílias tenham o seu sustento a partir desta actividade. A produção pesqueira em 2014 foi de 44,7 mil toneladas, referente às capturas a nível da pesca industrial, pesca semi-industrial e a pesca artesanal marítima e continental, tendo ultrapassado a meta preconizada para este ano em 18,6%.
A Ministra das Pescas confirma que a nível mundial a produção aquícola representa 50% da produção de pescado, o que garante que se está diante de um negócio em franco desenvolvimento, com o nosso País a ter todas as condições para o desenvolvimento dessa actividade, quer em termos de clima, de solos e de mercado. Pode, inclusive, criar excedentes para a exportação, uma vez que a procura de pescado a nível mundial tende a crescer.
Sustentando as suas atenções, numa primeira fase, nas províncias do Bengo, Kuanza Norte, Bié, Huambo, Lunda Norte, Moxico, Kuando Kubango e Uíge, Angola cria o quadro para se posicionar como uma referência mundial na aquicultura. Não se perde de vista que é um País privilegiado em termos de abundância e variedade de recursos porque está inserida nas duas correntes: é o limite norte da corrente fria de Benguela e o limite sul da corrente quente de Angola.
Com tecnologia de ponta com investigação e a preparar as populações no sentido de reconhecerem as valias da aposta na aquicultura, o Ministério das Pescas lidera uma "revolução" para se diminuir substancialmente a importação de tilápias, que ainda hoje constitui uma grande proporção do total comercializado.
Está-se, pois, diante de uma iniciativa com resultados palpáveis que deve ser acarinhada,  sobretudo numa altura em que muito se fala na diversificação da produção mas muito pouco se delineia em termos de estrategia para a materialização de um desiderato que é fundamental para desafogar uma economia que durante muito tempo, adormecida nos benefícios do petróleo, hoje patina e quase que perde os fundamentos que o fazem aproveitar da melhor forma as potencialidades enormes que o País possui.
Se já são encorajadores os resultados que se conhecem na produção dos apetitosos cacussos que fazem a delícia de milhares de mesas de angolanos é importante estimular todos os envolvidos nessa maratona para que, num curto espaço de tempo, se possa suplantar, senão mesmo "neutralizar", a importação que ainda se verifica. Vale dizer que se generaliza uma "revolução" suportada pelo Ministério das Pescas para se impôr no País uma verdadeira cacussada Made In Angola onde, por dever patriótico, todos somos obrigados a aderir.

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