PAÍS

 
22 de junho 2018 - às 06:30

RESOLUÇÃO DO CONFLITO DEPENDE DE JOSEPH KABILA: NINGUÉM QUER INSTABILIDADE NA RDC

Poucos observadores ligados à Lusofonia esperavam que João Lourenço avançasse tão cedo a ideia de Angola estar mesmo decidida a "abraçar", a Organização Internacional da Francofonia, quer como observador ou como membro de pleno direito. O Presidente revelou tal intenção perante o "chefe" desta poderosa instituição internacional,  cuja máquina de desenvolvimento político, económico e mesmo cultural está agora a ser exactamente oleada por Emmanuel Macron

 

Falando em  países francófonos, João Lourenço lembrou a importância da estabilidade da República Democrática do Congo, um país com quem Angola comunga não só uma extensa faixa fronteiriça como fortíssimos laços histórico-culturais."A RDC é um país com quase cem milhões de habitantes e que faz fronteira com pelo menos nove países africanos. Isso para dizer que nenhum de nós pretende ver instabilidade na RDC pelas consequências que podem advir para toda aquela região, para a região central de África, para a região dos Grandes Lagos e até mesmo para a região da SADC, uma vez que a RDC é membro de pleno direito da SADC. Não se trata de alguém dizer “Presidente Kabila vá-se embora”, aliás, ninguém tem o direito de o fazer, isto é um problema que só cabe ao povo congolês, sobretudo aos eleitores congoleses que nas urnas deverão expressar a sua vontade de elegerem o presidente que julgarem o mais preparado, o mais adequado para a nova etapa política que vem aí ", afirmou.

"O que se passa no Congo Democrático é que houve um acordo entre o Governo e a Oposição que teve a mediação da Igreja - diríamos  teve a bênção da Igreja-, e tudo o que é abençoado deve ser respeitado. E o que nós temos vindo a fazer – e quando digo “nós”, não são apenas o Presidente do Rwanda e o Presidente de Angola – mas de uma forma geral os chefes de Estado que presidem a organizações regionais ali à volta da RDC (o Presidente Paul Kagame por razões óbvias, por ser neste momento o presidente da União Africana; eu, não só na qualidade de Chefe de Estado de um país que é vizinho da RDC mas, sobretudo, na minha qualidade de presidente do órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC; o Presidente Sassou Nguesso na sua qualidade de vizinho, por um lado, mas sobretudo na sua qualidade de presidente da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos; o Presidente Ali Bongo na sua qualidade de presidente da Comissão Económica dos Estados da África Central  e o Presidente Cyril Ramaphosa, na sua condição de presidente da SADC, todos nós – não apenas os dois, repito, Angola e o Ruanda, mas todos nós, temos vindo a conversar entre nós sobre o futuro da RDC; temos vindo a conversar com o próprio Presidente Kabila sobre o futuro do seu país", explicou.

Para o Presidente da República de Angola, "é preciso que se entenda que nós não pretendemos de forma nenhuma interferir nos assuntos internos de um outro país". "Nós estamos apenas a aconselhar como sendo o melhor caminho quer para os congoleses quer para nós, países vizinhos, o respeito dos acordos de S. Silvestre, que dizem que deve haver lugar a eleições – que por sinal já estão marcadas para 23 de Dezembro do corrente ano – e dizem também, entre outras coisas,  que o actual presidente não se deve candidatar, o poder político deve libertar os presos políticos,  até para criar um bom ambiente para a realização das eleições; porque  não se trata apenas de fazer eleições, é preciso que se faça eleições num bom ambiente político, de reconciliação com todos, com a sociedade civil, com a Igreja, e que essas eleições sejam aceites pela comunidade internacional porque fazer eleições por fazer até se pode fazer já amanhã mas se ninguém reconhecer, não se ganha absolutamente nada com isso!", declarou, acrescentando que o governo angolano tem vindo a aconselhar o Presidente Kabila a seguir este caminho. 

Para o Chefe de Estado angolano, tudo isso traduz-se  num "aconselhamento", não é "uma obrigação". "Ele (Joseph Kabila) melhor saberá se aceita ou não aceita os nossos conselhos. É evidente que, se não aceitar os nossos conselhos, nós não temos como pressioná-lo de outra forma; quem tem no fundo a decisão na mão, de realizar eleições credíveis ou não, é o poder político em Kinshasa", argumentou,  salientando que os angolanos não querem é  que depois de Dezembro se  lamentem no caso de as eleições decorrerem num ambiente que não satisfaça a grande maioria e haver instabilidade num país com aquela população.

Entretanto, o Chefe de Estado angolano revelou que as conversas havidas  entre si e o Presidente Kagame  "não foram feitas às  escondidas".Referiu que "foram feitas ou têm sido feitas nas cimeiras em que nos encontramos"."(...)não é nenhuma conspiração; antes pelo contrário,  é a necessidade de levar a que o Presidente  Kabila respeite os acordos de São Silvestre. O Presidente Kabila ficou de ter um encontro comigo em Luanda nos próximos dias, esperamos que isso venha a acontecer, nós gostaríamos imenso que isso acontecesse, para continuarmos a conversar até que as eleições aconteçam e possamos então felicitar o vencedor não importa quem seja", revelou.

Entretanto, o Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou na altura da visita do chefe de Estado angolano ao seu país ,  todo o apoio às reformas iniciadas pelo Presidente João Lourenço."A luta contra a corrupção, a facilitação de vistos para os empresários, homens de negócios ou assalariados e a reforma do quadro do capital da economia que permite limitar os constrangimentos e abrir a economia angolana a parceiros, investidores e actores económicos estrangeiros, a meu ver vão na boa direção", salientou Emmanuel Macron.

O Presidente francês  elogiou o caminho escolhido por Angola nesta fase difícil da sua economia, considerando a necessidade  de se criar mais oportunidades e mais emprego, bem como  acelerar a diversificação da economia que, para si, "é indispensável nos próximos meses e anos".

Recorde-se que durante a visita do chefe de Estado angolano , foram assinados  quatro acordos de cooperação no domínio da Defesa, da Agricultura, da Economia e da formação de quadros. Para Emmanuel Macron, tais acordos viabilizarão, através, da Agência Francesa de Desenvolvimento o investimento de  100 milhões de dólares no domínio da agricultura em Angola, numa primeira fase. 

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