POLÍTICA

 
17 de June 2019 - às 14:36

RELAÇÕES ANGOLA-RÚSSIA JOÃO LOURENÇO FOI À RÚSSIA E REGRESSOU MAIS SEGURO

Já se esperava que logo nos primeiros meses do seu mandato, João Lourenço visitasse oficialmente o país onde fez uma boa parte da sua formação e mais tarde assinou vários acordos de cooperação já na qualidade de ministro ou de quadro  dirigente do partido no poder.Também era mais do que evidente que sendo conhecedor de toda a história das relações multifacéticas existentes entre o seu país a  União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, fosse mais bem sucedido que qualquer um estadista africano nestes tempos novos. Num cantinho muito especial da sua memória de estórias e de História, claro que sempre esteve bem destacada a necessidade do reconhecimento do papel que esta Nação gigantesca desempenhou na luta pela independência dos povos, o apoio militar concedido por si para que, sobretudo, a integridade territorial de Angola e de outros países africanos fosse preservada e se fortalecessem ao longo de mais de quarenta anos as relações económico-comerciais

 

...  VELHA PARCERIA  É REFORÇADA COM ENCONTROS ENTRE ANTIGOS "CAMARADAS

Logo após ter sido indicado para ser o cabeça de lista do MPLA na nas eleições gerais realizadas em 2017, ainda na qualidade de ministro da Defesa, foi notória e importantíssima a viagem que fez à Rússia, onde, em nome do antigo presidente, assinou vários acordos com as autoridades daquele país e, já na altura, tudo indicava que Vladimir Putin o receberia já nas vestes de Presidente da República, do MPLA e Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas Angolanas. 

...E aconteceu em Março, num encontro envolto por muito boa disposição e gestos de proximidade, raros de se ver no Kremlin, onde o poderoso chefe de Estado russo foi  condecorado  com a Ordem Agostinho Neto e o Presidente angolano  recebido com todas as honras, dignas não só de um estadista amigo como de uma figura conhecedora de muitos corredores do país, onde, aliás, deve ter-se sentido muito à vontade para cumprir um programa intenso de quatro dias de estadia.

Aliás, em  comunicado, a Casa Civil do Presidente de Angola adiantava já que João Lourenço manteria um encontro com Vladimir Putin e, ambos, liderariam as conversações  entre delegações dos dois países, com o objectivo de alargar a cooperação bilateral. João Lourenço teve a honra de, nessa sua primeira visita enquanto Chefe de Estado,  discursar, sublinhe-se,perante  os deputados no parlamento russo (Duma), um facto que só poucos  estadistas estrangeiros têm o privilégio de o fazer... 

Já num clima menos formal, assistiu a um espectáculo no teatro Bolshoi, em Moscovo, mas também fez questão de participar  num encontro da delegação oficial angolana, composta por destacados ministros e empresários com o empresariado russo interessado em investir  ou que pretendam continuar a marcar a sua presença  em Angola, na expectativa da ampliação dos horizontes de investimento em vários sectores da economia. Alguns destes homens de negócios ou seus representantes,  lideram ainda empresas que estão no mercado angolano há décadas, nomeadamente na banca, indústria mineira, pescas e  construção de  barragens hidroeléctricas, sua ampliação, manutenção e/ou apetrechamento técnico.

De assinalar que todo e qualquer passo dado em direcção à consolidação das relações económicas existentes entre Angola e este gigante "Euro-Asiático" é sustentado pelo já celebrado Tratado de Amizade e Cooperação Angola-URSS. "De 1976 até aos dias que correm, as relações entre os dois países passaram por diferentes etapas de cooperação, sendo actualmente mais significativas nos setores da Energia, Geologia e Minas, Ensino Superior, Formação de Quadros, Defesa, Interior, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Pescas, Transportes, Finanças e Banca", enfatizou-se num comunicado lavrado pelo Ministério angolano das Relações Exteriores,a  propósito da visita presidencial à Rússia, onde o João Lourenço manteve também um encontro com a comunidade de estudantes angolanos, radicada em Moscovo.

Na Rússia,  estima-se que vivam  actualmente cerca de 1500 angolanos. No referido comunicado, o MIREX  destaca que, a 5 de março de 2018, esteve em Luanda o ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, Serguei Lavrov, enquanto que o seu homólogo angolano, Manuel Augusto, esteve em Moscovo, qualquer um deles  no sentido de  " reforçar os laços de amizade e cooperação". 

Os ecos desta visita de João Lourenço à Rússia teve um grande impacto nos dois estados, uma vez que, também ali, foram assinados vários acordos importantes para o prosseguimento do rumo que  pretende a nova liderança de ambos os  países. De todo modo,  acredita-se que se tenham feito  leituras mais abertas sobre a (ainda) apertada estratégia global russa para África, particularizando o dossier Relações Angola-Rússia de quase cinquenta anos de existência, pois começou a ser um facto ainda antes do país  ter conquistado a sua independência em 11 de Novembro de 1975.

No caso de Angola, em pleno período da Guerra Fria (era pegar ou largar...) terão sido poucos os investimentos de grande vulto nos sectores económicos, para além da presença do "Leste" quase que obrigatória, no domínio militar. Mas é fortíssimo o investimento que a Rússia foi fazendo no sector mineiro(  exploração de diamantes) e na banca. 

Neste momento  complicado para a economia angolana, foi mais do que óbvio o pedido expresso do Chefe de Estado angolano para que a Rússia avance com mais investimentos noutros sectores e a novidade pura e dura, para alguns, acabava de chegar, sem que oficialmente fosse confirmada: estaria na agenda do Presidente "a negociação da instalação de uma fábrica de armamento em Angola!", justamente numa altura em que, segundo o analista russo, José Milhazes,   "Putin tem um programa concreto para avançar os interesses da Rússia no continente africano, programa esse que é cada vez mais fundamental para a Rússia num momento em que sofre sanções por parte dos EUA e da União Europeia."

Citado pela Deutch Welle, o jornalista e historiador russo afirmou ainda que "a Rússia está interessada em investir, e investe já, em sectores como o petróleo, os diamantes e noutras áreas concretamente em Angola, como por exemplo nas pescas, onde poderá  haver investimentos já numa base comercial e não numa base ideológica como acontecia no tempo do Presidente José Eduardo dos Santos."

Quanto a Angola ser a grande aposta da Rússia como uma espécie de ponta de lança em África nesta nova abordagem russa, Milhazes mostra-se reticente: "Não seria tão optimista, mas Angola tem um papel importante na estratégia russa em África, porque a Rússia como é sabido, tem interesses em outros países nomeadamente no Zimbabwe e na República Centro-Africana, daí que Angola será um parceiro importante em África."

Para Milhazes, o papel de João Lourenço no reforço das relações entre os dois países é de se destacar:  "Devemos recordar que o Presidente João Lourenço é um homem que conhece bem a Rússia, viveu e estudou lá, e certamente que isso irá contribuir também para o restabelecimento de relações estreitas entre a Rússia e Angola, até porque esse parece ser o desejo de ambos os lados."  

 

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