PONTO DE ORDEM

 
28 de fevereiro 2016 - às 13:47

REGRAS DE JOGO

Com um nível de cultura de governação muito baixa, é certo que se criou um governo composto por tecnocratas, na sua maioria doutores e engenheiros, mas não se ganhou mais valia em torno da melhor compreensão dos fenómenos que têm de levar a uma governação mais eficiente, solidária, actuante e com resultados vantajosos para o desenvolvimento, precisamente porque a auto-estima, o espírito patriótico para melhor servir uma causa pública a que são chamados a desempenhar é extremamente baixa, para não se dizer nula.

 

Nos últimos dias muito se comentou na imprensa a possibilidade do Presidente da República efectuar uma profunda remodelação ministerial indo-se ao extremo, em algumas situações, de se indicarem nomes em análises nem sempre sérias e profundas sobre a realidade e o actual contexto político angolano. Não é novidade, esse tipo de abordagem que, regra geral, acontece todos os anos precisamente porque, em função de algum descontentamento que é alimentado em torno da governação, a sociedade acreditar sempre que um "puxão de orelhas" a algum governante pode melhorar o dinamismo e eficiência do Todo governativo. E agora com a crise que o País está a viver, em grande parte resultante, pelo menos é isso que se dá a conhecer, da baixa acentuada do preço do petróleo no mercado internacional com reflexos grandes no nosso País sendo o crude o principal produto da regulação do nosso PIB, com a necessidade, por isso, de se diversificar a produção nacional e acabar-se com o pensamento cego nos benefícios imediatos que as receitas do petróleo proporcionam para o desenvolvimento, mais se acentuou a especulação em torno da remodelação ministerial, acreditando-se que o novo esforço governativo requer uma dinâmica governativa mais actuante que já não pode ser encontrada no conjunto de membros que hoje integram o governo. Não sendo de todo errada essa forma de pensamento, no entanto, é aconselhável análises mais profundas que possam definitivamente mudar o cenário do País, muito marcado por inércia e inépcia de soluções que contribuam para um melhor aproveitamento das potencialidades e recursos existentes. Desde logo, mais do que mudanças de elementos é importante aperfeiçoar, senão mesmo mudar, o sistema de governação por um que exige e reclama mais descentralização e um sentido de responsabilidade apurado de todos que são chamados a desempenhar cargos públicos.

Na verdade, nos últimos tempos se generaliza o princípio de que lutar e conseguir entrar para o governo é meio caminho andado para o enriquecimento individual fácil, e isto só é possível porque se permite a bajulação brejeira em torno da figura do Presidente da República, como se essa fosse a forma mais segura para transmitir lealdade e evidência na riqueza de valores.

Com um nível de cultura de governação muito baixa, é certo que se criou um governo composto por tecnocratas, na sua maioria doutores e engenheiros, mas não se ganhou mais valia em torno da melhor compreensão dos fenómenos que têm de levar a uma governação mais eficiente, solidária, actuante e com resultados vantajosos para o desenvolvimento, precisamente porque a auto-estima, o espírito patriótico para melhor servir uma causa pública a que são chamados a desempenhar é extremamente baixa, para não se dizer nula.

Não podendo acompanhar o ciclo rotineiro da actividade quotidiana de todos os membros do governo, o Presidente da República que os nomeia, quantas vezes ouvindo e recebendo opiniões de outras fontes que nem sempre respeitam o critério de competência, experiência e patriotismo mas sim o amiguismo ou outros interesses não confessos, é enganado por relatórios ou declarações bonitas de bajuladores que não espelham a realidade dos sectores governamentais que dirigem. Se se inverter a pirâmide, pautando-se por uma gestão por objectivos no âmbito de consensos colectivos de governação, o País pode mudar para melhor. Se ontem já não era consentido o exercício gratuito de bajulação, hoje mais do que nunca, não se aceita e deve-se condenar esta prática que mina perigosamente os pilares do Estado democrático que se afirma para o País.   

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