ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
23 de maio 2018 - às 08:50

REFORÇO DA SOLIDEZ DO SISTEMA E DAS REGRAS DE BOA GOVERNAÇÃO... OS DESAFIOS DA BANCA NACIONAL

Com a crise económica, é hoje indiscutível a aposta comercial estratégica do sector bancário nos segmentos de Pequenas e Medias Empresas(PME’s) e micro-empresas. Este tipo de clientes manifesta uma avidez por produtos bancários, e estão hoje associados a maiores rentabilidades esperadas e índices de fidelização mais interessantes que os restantes segmentos de crédito. Existem a nível nacional muitos pequenos produtores e micro empreendedores que realizam actividade produtiva e que precisam de financiar a expansão das suas actividades

 

De todos os sectores que compõem o sistema financeiro nacional o sector bancário é o que maior penetração tem na economia nacional, e na sociedade. A função da banca é captar recursos de públicos ou particulares que normalmente são depositados por três razões: segurança, liquidez e conservação do poder aquisitivo do dinheiro. Por outro lado, os bancos transformam o dinheiro que recebem canalizando-os para actividades produtivas, ou seja, registam como seus, os recursos que captam, e os emprestam em nome próprio assumindo o seu passivo. Portanto, se uma percentagem significativa dos empréstimos concedidos não forem devolvidos pelos tomadores, o banco vai à falência por insolvência, porque o volume significativo de crédito malparado, rapidamente absorve o capital do banco, ficando o banco sem activos suficientes para devolver o capital dos depositantes. 

De forma a reforçar a solidez do sistema bancário nacional, melhorar o balanço dos bancos e aumentar o nível de confiança e solvência das entidades bancarias, o Banco Nacional de Angola, publicou o aviso Nº2/2018, intitulado, “Adequação do Capital social Mínimo e dos fundos Próprios regulamentares das instituições financeiras Bancárias”. Este documento estipula que os bancos comerciais deverão até 31 de Dezembro, realizar o aumento do capital social até 7,5 mil milhões de kwanzas. Com esta medida, o anterior limite de capital social exigido (2,5 mil milhões), triplica, sendo que, de acordo com o documento, os bancos que não fizerem a actualização do capital social nos termos referidos, perderão a licença de actividade. Sendo que, os bancos cujo capital social ou os fundos próprios regulamentares estejam abaixo dos mínimos estabelecidos, devem apresentar num período de 120 dias” um plano de acção detalhado com as medidas que pretendem implementar” para atingirem os objectivos definidos neste aviso.

Ao reforçar o sistema bancário nacional, o país estará em condições de promover os investimentos de capital que a economia precisa, dirigindo o crédito para actividades produtivas, como a agricultura, indústria transformadora, bem como, realizar o financiamento de PME’s e micro empresários e famílias de baixo rendimento.

No actual contexto, o sector bancário nacional deve apostar na aplicação de regras de bom governo e colaboração com a autoridade de supervisão. Assim, os bancos deverão alterar a lógica de negócio como um maior foco no mercado e no cliente. Portanto, devem recentrar a sua operação no desenvolvimento de produtos microcrédito associados ao microseguro, pois, ambos os segmentos se bem utilizados podem influenciar decisivamente o fortalecimento do tecido empresarial nacional e financiar famílias de médio e baixo rendimento. 

A força e consistência de uma economia mede-se também pela dimensão e capacidade de actuação das pequenas e médias empresas (PMES). O sector das (PMES) tem sido determinante na afirmação de economias, porque actualmente as grandes iniciativas do ponto de vista da inovação e criação de riqueza partem delas. Daí que, sejam responsáveis por uma  parte considerável do emprego e rendimento nacional.

É  certo que  a actividade empresarial e mais concretamente aquela relacionada com as micro e pequenas empresas é ainda insipiente e carece de incentivos, pelo que urge a necessidade  de estimular,  organizar e focá-las para a economia real. É evidente que este objectivo deve ser prosseguido com apoio do Estado e do sector financeiro.

O risco inerente ao financiamento de microempresários, exige das instituições financeiras, uma abordagem de gestão de risco desafiante. Pórem, se os bancos e instituições financeiras apostarem nessa estratégia, terão mais sucesso no sentido do aumento da taxa de penetração e de bancarização.

 As experiências recentes do âmbito do microcrédito no nosso país tiveram sucesso do ponto de vista do retorno financeiro dos bancos, podendo hoje dizer-se que neste segmento de crédito é inexistente o credito malparado. O que se impõe no actual contexto, é a alteração da logica de concessão de crédito à economia, com uma aposta clara nos segmentos de pequenas e micro-empresas de modo a reforçar o crédito a economia real, com uma orientação do crédito à economia real.

As necessidades de investimento que a economia angolana apresenta hoje exigem uma capacidade de resposta do sector financeiro. Existem sinais à vista de um movimento de consolidação do sistema bancário, dada a fragilidade espelhada pelos balanços de alguns bancos comerciais, que dificilmente terão capacidade de realizar uma operação de capitalização na dimensão exigida pela autoridade monetária nacional. Portanto, em alguns casos, a solução passará por operações de fusão e aquisições que poderão ser boas estratégias para expansão da rede e crescimento dos bancos.

A taxa de bancarização em Angola é de cerca de 15%, por esta razão, ainda temos um caminho a trilhar neste sentido. Um país para se desenvolver precisa de um sector financeiro forte e credível, que o ajude a criar a riqueza. Daí a importância das instituições financeiras garantirem uma melhor gestão de risco e de toda actividade económica. Uma das razões do fraco índice deste rácio deve-se à orientação exclusiva do financiamento, nos projectos de grande dimensão. Nesta perspectiva, houve um fraco financiamento ao sector de PMES e  de micro-empreendedores. Por outro lado, a falta de cultura de utilização de produtos financeiros por parte de empresas e cidadãos é também um aspecto normalmente referenciado pelos analistas. 

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