REPORTAGEM

 
2 de January 2021 - às 07:29

PROJECTO ‘’RISCADO’’ PELO PR NO ESTADO DA NAÇÃO: REFINARIA DO LOBITO ENTRE RETICÊNCIAS E OPTIMISMOS

Estado investiu já, em obras de apoio, quase tanto como os USD 920 milhões para a refinaria de Cabinda, que deverá processar 30 mil barris de petróleo por dia. 

AIA acredita no Executivo liderado por Jlo, ao passo que jovens, atentos ao emprego, exigem explicações   

 

O projecto para uma refinaria na cidade do Lobito (Benguela), não mencionado quando o Presidente angolano falou de transformações no sector dos petróleos, na Assembleia Nacional, está encalhado, entre vários obstáculos, numa obra de engenharia para a solução do problema de água no local, apurou a Figuras e Negócios de fonte credível.    

Idealizado há já quinze anos, bem antes das refinarias do Soyo e Cabinda, destacadas por João Lourenço no ‘’Estado da Nação’’, tal como a ampliação da de Luanda, o Sonaref continua a gerar preocupação, sobretudo entre jovens desempregados, mas a Associação Industrial Angolana (AIA) não acredita que tenha sido riscado pelo Executivo. 

Foi com a analogia Habemus Papa, que bem poderia ter sido Habemus refinaria, numa visita efectuada há três anos, que o Presidente da República acalmou os mais de 1.500 jovens que acabavam de perder o emprego após a paralisação das obras de apoio à construção do empreendimento.   

Agora, analisado o discurso, estão de volta as preocupações, também para quem anda à espera do primeiro posto de trabalho, numa altura de indefinições do projecto de captação de água para a refinaria, a partir do Biópio, por falta de dinheiro.   

Segundo fonte ligada ao Ministério da Energia e Águas, a iniciativa prevê que as condutas passem pelos Cabrais, onde se encontram as vítimas das enxurradas de 2015, que continuam a clamar por água, à semelhança de toda a zona alta do Lobito.  

O presidente da Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), Júlio Lofa, que diz estar a par da ansiedade na classe, critica a forma como é gerido este processo, sobretudo na vertente informação.  

‘’Enquanto continuarmos com um Executivo que toma decisões com pendor mais político … teremos situações destas. Tudo isto porque o Governo está distanciado da população, nada que ajude a entender os processos’’, aponta o activista.   

Já o presidente da Associação Industrial Angolana, José Severino, vê no silêncio de João Lourenço um sinónimo de surpresa, salientando que podem estar a decorrer alterações no projecto, mormente em matéria ambiental. 

Severino acrescenta que foram feitos alguns reajustamentos técnicos, segundo engenheiros ligados ao projecto, que têm falado com a AIA, facto que, conforme refere, dá garantias.  

‘’São, repito, por questões ambientais, porque, se houvesse negação, o senhor Presidente já tinha dito. Portanto, existirão surpresas, é a minha apreciação, pelo que se vai manter o sonho do emprego por parte dos jovens’’, avança o economista.    

Contactado pela FN, um responsável da petrolífera angolana, a Sonangol, nega que o projecto Sonaref tenha sido descartado, mas não aponta razões para o silêncio do PR na Assembleia Nacional. 

O terminal marítimo e a estrada para cargas pesadas são duas das cinco infra-estruturas de apoio à construção da refinaria, que absorveram já cerca de 800 milhões de dólares norte-americanos.    

Foi projectada para processar 200 mil barris de petróleo/dia, sendo 50 a 60 por cento para o país, com custos na ordem de 6 mil milhões de dólares norte-americanos, metade do valor perspectivado inicialmente. 

Números a reter - Foi há três anos que o Presidente da República ‘’desatou o nó’’ do projecto que deverá ajudar Angola a reduzir os custos com a importação de refinados, na ordem dos 170 milhões de dólares mensais, conforme indicam dados oficiais. 

Na visita ao local, mais de um ano após a paralisação das obras, João Lourenço ouviu de especialistas que era preciso mobilizar recursos, mas que o Estado seria o accionista maioritário. 

Perspectivavam-se, na altura, cinco anos para a construção do empreendimento.   

A refinaria de Luanda, única em Angola, atende a não mais de 20% das necessidades de um país atento ao mercado das exportações de derivados do petróleo, com realce para o gasóleo e a gasolina.    

 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital