PONTO DE ORDEM

 
2 de January 2021 - às 07:16

QUE SE REFLICTA NUM REFERENDO POPULAR

O resultado de algumas manifestações ocorridas principalmente em Luanda não são, de todo, dignas de figurar nos arquivos da história como sendo realizados sob o crivo da paz e da tranquilidade públicas.

 

Nos últimos tempos, os partidos políticos na oposição e várias organizações sociais engajadas num movimento de massas cívico provocaram uma onda de manifestações a favor da realização imediata das eleições autárquicas. Alguns analistas políticos terão dito que certas manifestações assustaram o poder ou, no mínimo, terão abalado as estruturas do poder que puseram a funcionar a sua máquina mobilizadora de massas em seu apoio.

Admita-se que todo este movimento reivindicativo cresce a olhos vistos, (re)emergindo daí uma força juvenil cívica que vai exigindo ao mesmo tempo outros direitos consagrados na Constituição da República, tais como o direito ao emprego, a educação, a saúde, enfim, o direito a uma vida mais digna.

Do outro lado da barreira, existe um governo liderado por um partido, cuja liderança tem mantido um posicionamento defensivo, mas atento.Tem apelado, sobretudo, a necessidade de se consolidar a estratégia do diálogo permanente, na perspectiva de minimizar a onda de manifestações, algumas das quais tem elevado o tom contestatário de uma forma menos saudável para a democracia.

O resultado de algumas manifestações ocorridas principalmente em Luanda não são, de todo, dignas de figurar nos arquivos da história como sendo realizados sob o crivo da paz e da tranquilidade públicas.

Não foi fácil digerir algumas cenas violentas que culminaram em feridos graves, prisõese até mortes. Não foi fácil testemunhar a vandalização de bens públicos e privados por alguns manifestantes completamente descontrolados.

Enfim, o “filme” dramático que nos foi dado a assistir nos últimos tempos não é nada bom de se recordar, num país, cujo governo deve, sim, continuar a priorizar a resolução imediata dos problemas da fome e da miséria que o envergonha há mais de quarenta anos. Junta-se-lhe a corrupção, o nepotismo e a impunidade, temos, pois, um Estado que não se devia preocupar com os “ajuntamentos” dos manifestantes , dos contestatários,enfim com uma juventude que, merece, sim, indignar-se perante este quadro económico e social triste herdado do anterior regime.

Muito já se falou sobre a mudança disto e daquilo para melhorar o quadro funcional do país a toda a linha. Luta-se todos os dias pelas reformas do Estado, dos tribunais, das forças armadas,da defesa e segurança; das empresas públicas grandes e pequenas; fala-se da mudança de paradigma no combate que a liderança do país está a levar a cabo.

Claro que que os seus resultados ainda não são os mais satisfatórios, mas há que assinalar alguns êxitos nesta fase de arranque e merecem, inclusive, o reconhecimento da comunidade internacional.

Mas isto não basta. Para mim, temos que pensar já num referendo para que se altere a Constituição da República, que, aliás, muitos credenciados analistas consideram-na “atípica” para os momentos que correm e os que hão-de vir.

Com a realização do referendo, fica-se a saber se o povo concorda ou não que, por exemplo, as eleições autárquicas sejam organizadas e implementadas no próximo ano, sobretudo em que condições, depois destes terríveis dias de convivência com uma pandemia que acabou por colocar de rastos a economia mundial sem escolher povos e estados.

Faço fé que se legitime a vontade popular, depois de um referendo que seja obviamente proposto, acordado e aprovado pela Assembleia Nacional, onde estão, quer se queira, quer não, legitimados os verdadeiros representantes do povo.

Neste contexto, poder-se-á contar com uma força política decisiva para o futuro do país:o MPLA, um partido já transformado, completamente divorciado do passado; uma organização política que dirige o governo de uma outra maneira.Ela pode, sim, com a sua experiencia, aglutinar outras forças políticas e sociais para que, de uma vez por todas, se ouça a voz popular. Ouvida a voz da maioria esmagadora, tenho a certeza absoluta que todos a acatarão, com o sentimento de se estar a prestar um bom serviço a Nação.

 

Victor Aleixo

victoraleixo12@gmail.com

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