PONTO DE ORDEM

 
28 de junho 2016 - às 07:35

QUE DEMOCRACIA PARA ÁFRICA?

Num artigo de opinião inserido nesta edição um referenciado intelectual angolano e homem activo na vida política reconhece que o problema de África muitas vezes reside no facto de mecanicamente os africanos  pretenderem, ou por imposição das antigas potências coloniais ou mesmo por simples imitação, seguir os mesmos caminhos da democracia da Europa esquecendo-se da idiossincrasia dos seus povos, usos e costumes.

 

Está mais do que evidente que os africanos, entendidos na forma mais abrangente, desde o simples cidadão ao intelectual mais erudito, precisam de conversar sobre a democracia que se pretende para o continente, à luz dos acontecimentos que vamos registando um pouco por vários países onde o momento da alternância de poder é sempre motivo para manobras de bastidores que muitas vezes culminam em guerras fratricidas.

Este ano, em 22 países africanos terão lugar no período de Janeiro a Dezembro, eleições, desde presidenciais, legislativas, locais e senatoriais e a maior parte delas têm como pano de fundo a escolha para nomeação de novos dirigentes, no âmbito da alternância regular, como dita as regras da democracia. Regra geral os mandatos são de cinco a cinco anos, com a maior parte das constituições a não permitir a eternidade dos eleitos no poder, confinando-os apenas a dois mandatos consecutivos.

É verdade que as estradas para a democracia em África já estão pavimentadas com boas eleições com alternâncias a acontecer sem sobressaltos nem atropelos aos ditames das constituições dos países, como é o caso da Nigéria, do Benin, de Cabo Verde, do Senegal, da Tanzânia, da África do Sul, de Moçambique, entre outros, mas não podemos ignorar àqueles casos onde os actuais detentores do poder engendraram manobras para se eternizarem nos cargos violando ou alterando a Bíblia da nação, como o Congo Brazaville, o Níger, o Uganda,... No Congo Demorático as espadas estão afiadas para um conflito que se desenha caso as eleições não se realizem na data prevista e em função do cenário que se estabelece para que o actual inquilino do poder, Laurent Kabila, continue a liderar indo contra o que dita a Constituição do País, de permissão de apenas dois mandatos consecutivos. Em outros países o processo eleitoral deu lugar a confrontos étnicos violentos, como o caso do Burundi, da RCA, do Mali e que têm obrigado a ginásticas negociais para que a paz retome aos carris.

Num artigo de opinião inserido nesta edição um referenciado intelectual angolano e homem activo na vida política reconhece que o problema de África muitas vezes reside no facto de mecanicamente os africanos  pretenderem, ou por imposição das antigas potências coloniais ou mesmo por simples imitação, seguir os mesmos caminhos da democracia da Europa esquecendo-se da idiossincrasia dos seus povos, usos e costumes.

No final da guerra fria a democracia foi imposta a África como um modelo a ser seguido porque se apresentou como o mais prático para uma gestão participativa abrangente na governação dos países mas, em momento algum, ficou determinado que era obrigação de se fazer cópias cegas e mudas de modelos de outras latitudes. Não se colocando em causa os conceitos mais elementares da democracia que exige uma gestão participativa, não se ignora que nos dias de hoje não existe democracia acabada e que, mesmo na Europa e na América os modelos democráticos são implantados de acordo com as realidades de cada país. E, então, porquê que em África, em nome da paz e do progresso não pensam, os africanos, na melhor democracia para o continente?

Por exemplo, há fortes correntes que não ignorando o caminho da democracia como o mais ideal porque permite, desde logo, a alternância do poder não são apologistas, no entanto do Factor reducionista de dois mandatos sendo que o que deve prevalecer são os resultados da governação ajuizados sempre pelo voto popular. Melhor dizendo: se alguém, em determinado País, estiver a governar bem com benefícios evidentes para o seu País e o seu Povo, com resultados da sua governação ajuizados sem pressão nem manobras, positivamente pela população do seu País, porquê que não deve continuar a governar? Este é, em suma, um caso para reflexão, não perdendo de vista que os africanos têm de encontrar rapidamente o caminho para se evitar guerras fratricidas e viver-se sempre em ambientes de paz e concórdia e no respeito pelas diferenças de opinião.  

 

Victor Aleixo

victoraleixo12@gmail.com

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital