LEITORES

 
23 de dezembro 2015 - às 07:22

QUARENTA MILHÕES DE DÓLARES É MUITO!

 

Há tempos, falei com um destes consultores expatriados ao serviço do governo,que me disse o seguinte: “tal como no meu país,os que gerem as riquezas nacionais têm o mesmo objectivo: fingem que servem o povo!”.Não é que gostei do que ele se encarregou de me falar na cara e eu acreditei?Abraçámo-nos e alargámos a nossa conversa para os exemplos que nos vêm dos tais “países do Leste”; esses mesmo,que no quadro da solidariedade para com os povos oprimidos de África e do Movimento dos “Não-Alinhados” nos ajudaram e nós aderimos,devido aos ataques dos “imperialistas e seus lacaios”,comandados pelos Estados Unidos da América”?

Como o mundo mudou!Hoje em Angola tudo depende exactamente dos dólares.Não se fala de outra moeda, sem seremos obrigados a nos agacharmos diante da moeda imperial,que nos comanda a vida, dentro e fora das nossas casas.

Em tempo de crise,ouvi dizer que o Estado para celebrar os quarenta anos da nossa independência, terá gasto cerca de quarenta milhões de dólares.Sempre eles!

A verdade é que se tivéssemos mais um bocado de juízo, e uma vez que existem milhares de trabalhadores sem salários pagos na hora, os governantes deviam fazer uma espécie de “consulta pública” ou uma sondagem inteligente,com economistas e bófias à mistura,para saber se toda esta festa de arromba é necessária.Se, provavelmente, seria preferível esperar mais uns cinco ou dez anitos para aí, sim,com as contas públicas mais gordas, se pudesse gastar tal soma para festas de arromba.

De todo modo, gostei do acto central das comemorações dos quarenta anos da nossa independência.Pelo menos serviu para,uma vez mais,confirmar que temos um país em paz,mas economicamente fraco,à espera que outros se pronunciem sobre uma eventual subida dos preços do petróleo no mercado internacional.E também devo render homenagem aos trabalhadores de todos os ramos de actividade económica do país, que,uma vez mais,deram um exemplo de patriotismo diante das dificuldades do seu dia a dia.E, claro, às forças de defesa e segurança, cá vai um abraço solidário de um cidadão preocupado e que vos respeita.

P.S.- Quinze milhões de dólares,para mim, seria já uma boa verba para servir como alerta que o país vive um clima de austeridade,em vez dos quarenta...

Pascoal A. K.P. de Marques

Cuando Cubango

 

TIRADAS DA IMPRENSA

“A mulher que usou um pénis falso para enganar a namorada fingindo ser um homem foi condenada a oito anos de prisão. Gayle Newland chorou compulsivamente quando ouviu a sentença, decretada no mês passado , pelo juiz Roger Dutton, no tribunal de Chester Crown, em Inglaterra.A arguida ficou de tal forma abalada que desfaleceu. Incapaz de andar, teve de ser levada, em braços, para a cela. A família de Gayle também nãos se conforma com a pena, considerada extremamente pesada. Gayle, de 25 anos, foi considerada culpada de três crimes de agressão sexual. O juiz deu como provado que a mulher se fez passar por um homem para iludir uma amiga.” -In Jornal de Notícias. 

 

“O responsável europeu respondia a uma pergunta sobre a decisão tomada ( na altura) pela Suécia de restabelecer o controlo de fronteiras, depois de a Alemanha, a Áustria, a Eslovénia e a Hungria terem reintroduzido o controlo de fronteiras ou erguido vedações para fazer face ao afluxo sem precedente de refugiados e migrantes.Para Tusk, as decisões daqueles países "mostram com a máxima clareza a enorme pressão sobre os Estados membros" da União Europeia (UE) e reforçam a necessidade de repor controlos fronteiriços” - Ídem.

 

“O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, advertiu  que o acordo de livre circulação Schengen está à beira do colapso, mas assegurou que os 28 estão "determinados" a salvá-lo e que isso implica "repor os controlos fronteiriços"."Salvar Schengen é uma corrida contra o tempo e estamos determinados a vencê-la", disse Tusk no final da cimeira entre europeus e africanos que  decorreu em Malta, em Novembro” - Ídem, ídem.

 

BOCAS SOLTAS

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, defendeu recentemente, em Luanda, a necessidade de se apostar mais na agricultura para combater a pobreza.Em declarações à Angop, à margem da conferência de “Luta Contra a Pobreza”, em alusão aos 40 anos de Independência Nacional, organizada pela Acção para a Luta Contra a Pobreza em Angola “Alcopa”, sublinhou que o combate passa por localizar os maiores índices de pobreza no país, particularmente nas áreas periurbanas e nas do interior, que estão ligadas a agricultura. “É investir mais no interior do país, particularmente na agricultura, porque precisamos exactamente de ter a percepção que é criando riquezas a partir da terra, utilizando os nossos recursos naturais como a água, clima, que podemos ter a percepção de que há mudanças, porque os esforços têm sido feitos mas os índices de pobreza matam, embora haja melhorias reconhecidas pelas Nações Unidas”, afirmou. Vamos acompanhar as reacções de alguns dos nossos leitores anónimos…

 

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“Se existem senhores que deviam pegar nisso da diversificação da economia porque têm experiência suficiente,este é um deles. Mas como sei que é conselheiro da República; logo, tem a possibilidade de se encostar mais aos que mandam no país,porquê que não apresenta um plano ao “mais-velho”? O senhor tem de ser ouvido com humildade. Nós, o povo é que estamos mal.Quem deve chegar no palácio …são eles!”

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“Eu, quando posso, não perco um programa chamado , e bem, Vector” emitido pela LAC.Excelente programa. Não sei se é coordenado pelo senhor José Severino.Bom programa porque alí se dizem coisas, fora do âmbito político, mas sempre “arranha” alguma coisa em termos da agricultura. Parabéns ao presidente da AIA.”

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“Não vejo aí qualquer novidade em termos absolutos. Isso já disse o primeiro Presidente da República, Dr Agostinho Neto, há cerca de quarenta anos quando “decretou” que “ a agricultura é a base e a indústria o factor decisivo”. Só que depois desses anos todos, só agora é que vêm com essa lenga-lenga?. Aqui é só mesmo seguir os bons exemplos, mesmo africanos, que nós, armados em “espertos” não acatámos. Para mim, isso não é novidade nenhuma.”

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“Respeito esse senhor, José Severino, há muito tempo. Eu até acho que, se lhe ouvissem com a devida seriedade; e, ele que conhece bem o sector agrícola, a coisa andava… Mas aqui parece que só ligam aos doutores, engenheiros agrónomos, cientistas e não dão “trela” nenhuma a pessoas experimentadas como esse senhor. Lamentavelmente!”

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“O homem até fala bem, mas isto toda gente o faz. Aqui, o que nos interessa é a prática.O resto, é conversa de bastidores políticos. Eu se fizesse as contas sobre o quanto se gasta nestes fóruns, congressos, palestras e afins, dava para importar milhares de tractores, alfaias agrícolas, adubos, enfim…”

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“Como é possível que não se tenha entendido que a festa dos petro-dólares algum dia teria  de ser interrompida para podermos  ganhar juízo?É claro que se deve dar razão à quem  durante toda a vida acha que a agricultura tem de ser um bom meio para nos  desenvolvermos e combatermos a fome e a pobreza no país.Eu até nem sei porquê que  criaram o cargo de ministro da agricultura!” 

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