PAÍS

 
3 de abril 2018 - às 06:57

PRIMEIRO SATÉLITE ANGOLANO FOI LANÇADO EM ÓRBITA ANGOSAT 1 JÁ MORA NO ESPAÇO

Os angolanos viveram no passado mês de Dezembro um facto inédito; para muitos, provavelmente  o acontecimento do século, pois o país esteve, por alguns instantes, no centro das atenções da imprensa mundial especializada na cobertura dos grandes momentos da Engenharia e Tecnologia espacial. Finalmente, o primeiro satélite angolano foi lançado e com ele realizou-se o sonho dos que sempre acreditaram que era possível o país juntar-se ao grupo restrito de países africanos detentores de satélites de comunicações em órbita.Angola marca assim a sua história ao lado da Argélia, África do Sul, do Egipto, Marrocos, da Nigéria e da Tunísia

 

Denominado de Angosat, o engenho foi construído na Rússia por um consórcio estatal e lançado a partir com recurso ao foguetão ucraniano Zenit-3SLB. Tem 1055 quilogramas e 262.4 quilogramas de carga útil e estará, como satélite geoestacionário artificial, localizado a 36 mil quilómetros acima do nível do mar.

O satélite conseguirá cobrir um terço do globo terrestre ( todo continente africano e parte da Europa). Exactamente no dia 26 de Dezembro,o Angosat foi lançado por volta das 20:00 de Angola, a partir do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão. Sete horas depois posicionou-se  na posição orbital 14.5 E, onde vai permanecer  cerca de 15 anos.

Fruto de um estudo elaborado por uma Comissão Interministerial de Coordenação Geral do Projecto de Telecomunicações via Satélite de Apoio Multissectorial, criada por Despacho Presidencial nº 21/06 de 21 de Junho, nasceu o Projecto Angosat, cujo contrato para a Construção, Lançamento e Operação  foi firmado entre o Governo da República de Angola e a Federação da Rússia, representados pelo Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação da República de Angola e FSUE "Rosoboronexport".

De se recordar que o referido projecto é parte integrante do Programa Espacial Nacional que estabelece entre outros objectivos a criação de competências nacionais no domínio das tecnologias de comunicação por satélite, no âmbito da aposta de Angola no Espaço que praticamente começou a ser concretizada há 10 anos, com o início das negociações  com a Rússia, seguida da construção. em 2013.

Para que este “sonho” fosse consolidado e desse os primeiros sinais de não-retorno, foram formados e capacitados quadros angolanos altamente qualificados nas áreas de Engenharia e Tecnologia Espacial, por forma a não deitar por terra outros propósitos como o apoio ao desenvolvimento sustentável de vários sectores da vida nacional, como as telecomunicações de um modo geral e mesmo no quadro da defesa e segurança do Estado.

Assim, durante os últimos anos, foram formados  47 engenheiros espaciais em várias partes do mundo, nomeadamente na Argentina, China, Coreia, no Brasil, Japão e na Rússia, por forma a garantir o funcionamento da pérola angolana na órbita.

As informações avançadas igualmente pela agência angolana de notícias, dão conta que o investimento nos quadros angolanos resultou numa equipa de treze engenheiros  formados em canal de serviço, nove em análise de sistema, sete em planeamento, seis em administração de redes, igual número de directores de voo, quatro em balística e dois em gestão de projectos.

Neste âmbito da formação salienta-se ainda que os especialistas, formados em sete fases, concluíram três mil horas de aulas em engenharia e tecnologia espacial, revisão e aceitação técnica de projectos espaciais, formação sobre HUB Vsats, operações e missões espaciais, certificação em arquitectura do Angosat1 e certificação de especialização em operação e controlo do Angosat1. 

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