POLÍTICA

 
17 de June 2019 - às 14:34

PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA SEDE DO PARLAMENTO RUSSO

O Presidente da República de Angola considerou que  é nos momentos de crise que mais se reconhecem os verdadeiros amigos e aliados e é com eles que se deve privilegiar o diálogo e a cooperação na hora de resolver os problemas que se nos apresentam. João Lourenço, que esteve  em visita oficial na Rússia durante quatro dias, destacou que Angola pode orgulhar-se de ter merecido sempre o máximo apoio e solidariedade da parte da Federação da Rússia, desde os tempos mais difíceis da  luta de libertação nacional e de resistência contra as agressões externas, particularmente contra o exército invasor do regime do apartheid da África do Sul, até aos tempos mais recentes da Reconstrução Nacional

 

 "É NOS MOMENTOS DE CRISE QUE MAIS  SE RECONHECEM OS VERDADEIROS ALIADOS"

O chefe de Estado angolano que discursava na  Duma de Estado da Assembleia Federativa da Rússia, na presença do seu presidente, Vyacheslav Volodin, reiterou que os tradicionais e privilegiados laços de amizade e solidariedade que ligam os   povos de Angola e da Rússia mantiveram-se sempre firmes e inabaláveis, apesar das grandes transformações que se operaram no mundo nestas últimas décadas. 

"Isso é o resultado evidente da nossa aposta comum na defesa da paz e da segurança, de relações internacionais mais justas e equilibradas e de uma cooperação global e multiforme em todos os domínios, cada vez mais imperiosa numa altura em que forças retrógradas, que julgávamos estar há muito superadas, ressurgem com novo vigor e maior agressividade", disse João Lourenço.

O Presidente angolano disse que num momento em que se torna urgente melhorar as condições para se garantir a recuperação económica e o desenvolvimento sustentável do seu país, tem a certeza de que o apoio e solidariedade da Rússia terão oportunidade de se expressar em novas formas, designadamente através de maiores e mais duradouros investimentos em Angola, sublinhando que "os nossos países sempre defenderam posições comuns no que diz respeito à construção de relações económicas internacionais mais justas, cientes de que todas as nações têm direito ao desenvolvimento e ao bem-estar social".

Para João Manuel Gonçalves Lourenço, as relações político-diplomáticas, técnico-científicas e de cooperação económica mutuamente vantajosas existentes entre ambos os estados soberanos, são um exemplo do novo espírito que deve presidir no seu relacionamento.

"São muitos os domínios em que a nossa cooperação assenta, sendo os mais significativos os da geologia e minas, energia, defesa, interior, banca e finanças, ensino superior, telecomunicações e tecnologias de informação, pescas e transportes", destacou o presidente angolano, salientando que vários acordos estão em vigor entre o Governo da República de Angola e o Governo da Federação Russa, designadamente nos domínios da cooperação parlamentar, técnico-militar, dos serviços aéreos, das pescas e aquicultura, e do combate ao crime organizado.

Fez questão também de salientar no seu discurso que nas várias visitas realizadas por dirigentes dos dois países, foram igualmente assinados vários instrumentos jurídicos, designadamente os Tratados sobre Auxílio Judiciário Mútuo em Matéria Penal, sobre a Transferência de Pessoas Condenadas a Penas Privativas de Liberdade, assim como os memorandos assinados entre companhias dos dois países em diferentes domínios, revelando que vários outros acordos estão em negociação, nomeadamente no domínio da Exploração e Utilização do Espaço para Fins Pacíficos, da Justiça, da Marinha Mercante e sobre o reconhecimento recíproco de habilitações, qualificações e graus académicos.

"Apesar das nossas relações a nível político e diplomático serem excelentes e privilegiadas, no que concerne ao investimento privado temos a lamentar que poucas empresas russas estejam a operar no mercado angolano, que estejam limitadas apenas à exploração e produção de diamantes, ao sistema financeiro e à construção de barragens hidroeléctricas", lembrou, assegurando que a República de Angola tem todo o interesse em alterar este quadro, através do estabelecimento de parcerias público-privadas ou da criação de empresas mistas angolano-russas, com realce nos domínios da indústria transformadora, da agro-indústria, das pescas, da energia, do turismo, da geologia e minas, entre outros sectores tidos como prioritários. 

 

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