ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
5 de June 2021 - às 07:17

PREÇO DOS ALIMENTOS EM TEMPOS DE CRISE EM 2020 CERCA DE 12 MIL PESSOAS MORRERAM DE FOME POR DIA

Apesar de estarmos em 2021, os efeitos da pandemia da Covid-19 continuam a impactar negativamente vários sectores da vida económica e social, mas reiteradamente temos visto a nível mundial, como é evidente, a preocupação excessiva de se frisar em grande escala o colapso dos sistemas de saúde. Assim, é também importante reforçar a análise do efeito da pandemia sobre um conjunto de sectores, como por exemplo, saber a influência da crise no sector da agricultura e no preço dos alimentos, situação essa, que segundo analistas, pode criar consequências ainda desconhecidas para a estabilidade financeira dos países. 

 

No caso angolano não se vislumbra a curto prazo problemas que possam pôr em risco a produção de bens agrícolas, que com o surgimento da pandemia regista um crescimento da actividade produtiva. Mas tal facto, não impede que possam surgir preocupações ou riscos no tocante a distribuição, escoamento da produção, logística de acesso e contaminações em unidades de processamento, por ineficiência da infraestrutura de apoio, que é débil e que está também muito pressionada pelos condicionalismos impostos pelas medidas contra a pandemia.       

                                                        
Para além das questões ligadas às infraestruturas, há um conjunto de variáveis que podem pôr em causa o nível de transações comerciais, tais como a suspensão de compras de grandes compradores que vêem os seus espaços comerciais condicionados a regimes e horários mais restritivos, bem como a queda de rendimentos de trabalhadores do sector formal e informal e os processos inflacionistas de alguns alimentos que fazem aumentar o custo de vida sobretudo nas grandes cidades. 

 
Portanto, há um conjunto de preocupações não apenas ligadas à oferta de produtos agrícolas, como também a procura, que devem ser acompanhadas no actual contexto de pandemia. 

                                                                          
Dados recentemente divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas) referem que a Pandemia de Covid-19 pode deixar cerca de 265 milhões de pessoas em situação de fome generalizada, fenómeno este que cresceu 80% mais do que o ano passado. 

                
A fome é um dos principais problemas do planeta, vejamos que em 2020, morreram diariamente cerca de 12 mil de pessoas. A procura de alimentos cresceu devido a redução de produção e de ajuda humanitária, e não havendo uma correspondente capacidade de resposta a nível da produção, ocasionou um défice de oferta de alimentos causando por esta via o aumento do preço dos alimentos.

Ásia e Pacífico são as regiões mais afectadas pela fome com cerca 500 milhões de pessoas sem acesso a condições básicas de alimentação e 40% da população mundial afectada pela fome vive na China e na Índia. Entretanto, o Bangladesh, República Democrática do Congo, Etiópia, Indonésia, Paquistão Iêmen, Afeganistão, Venezuela, Síria e Haiti são países em que a problemática da fome e a privação de alimentos se faz sentir com maior incidência.

 

Nos últimos cinco anos

ÍNDICE MENSAL DE PREÇOS ATINGIU VALOR MAIS ALTO

A alteração do padrão da procura de cereais (consumo humano vs consumo Industrial), de acordo com a FAO

(Agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) no mês de Dezembro, resultou numa subida de 108,6 pontos no índice mensal de preços de alimentos, valor mais alto nos últimos cinco anos, sendo que este aumento a nível mundial representa cerca de 2,1%, em comparação ao ano anterior. A mesma fonte acrescenta que estiveram na base deste aumento, a subida do custo de óleos vegetais, do açúcar, cereais e dos laticínios.      
No que refere aos cereais, nomeadamente (Trigo, milho, cevada, arroz e sorgo) projectado para o consumo final, assim como para o consumo intermédio na produção de outros alimentos e bebidas, também registamos um aumento em cerca de 7,1% face a Dezembro, com destaque para o milho que apresentou uma subida abrupta de 11,2%. O índice de preços deste produto, usado na base alimentar de muitas populações em todo o mundo, em Janeiro do ano corrente cifrou-se em 42,3% acima da média relativamente ao período homólogo.                                                                 
A ONU alerta ainda que a comunidade internacional tem de agir rapidamente no sentido de se garantir acesso a alimentos, evitar a interrupção dos financiamentos dos países evitando os cortes das cadeias de fornecimento. No entanto, admite que os diversos programas de combate à fome não têm sido bem implementados, e previne que é imprescindível retirar cerca de 100 mil pessoas da situação de desnutrição, para que se atingir em 2030 a meta de eliminação total da fome no mundo, pois de entre outros males, arrefece a economia mundial, aumenta cada vez mais o nível de desemprego e o sub-emprego (principalmente nos países desenvolvidos, com taxas de 15% á 20%). 
Relativamente à nossa realidade, continua a ser imperioso o reforço da diversificação da base económica, alargando o espectro a um conjunto de áreas prioritárias, nos sectores da produção agrícola e industria transformadora, com particular enfoque na  produção de cereais, pecuária, a agroindústria e  restabelecimento da rede de logística e de distribuição. Por essa via poderemos alterar de facto a estrutura da economia angolana, garantindo um desempenho mais interessante do seu conjunto. Tudo isso, exige um rigor ao nível da gestão macroeconómica bem como das políticas de controlo orçamental, ou seja, melhorar progressivamente o ambiente de negócio, e a qualidade da gestão pública. Fonte: FAO

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