ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
6 de October 2020 - às 06:04

PERSPECTIVAS DA ECONOMIA FACE A COVID-19

 

O mundo está a viver uma crise sem precedentes, a pandemia do Covid-19 é um problema com graves consequências quer do ponto de vista demográfico, económico e social. A todo tempo questões como a extensão da quarentena, a abertura das actividades comerciais e respectivas regras, são introduzidas na agenda política e parecem perdurar dada a incerteza do aparecimento de uma nova vacina. Assim, parecem ainda determinantes as medidas a adoptar relativamente a abertura de espaços, controlo de capacidade, e de temperatura, etc.

Segundo as Nações Unidas a Pandemia de Covid-19 pode agravar a desnutrição no planeta e afectar 265 milhões de pessoas em países já em crise alimentar, como o Lêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Venezuela, Etiópia, Sudão do Sul, Síria, Nigéria e Haiti. A ONU (Organização das Nações Unidas), adverte ainda que a comunidade internacional tem de agir rapidamente no sentido de se garantir acesso a alimentos, evitar a interrupção dos financiamentos dos países evitando os cortes das cadeias de fornecimento.

Para o ano de 2020, o Banco Mundial (BM) prevê uma contração da economia mundial na ordem dos -5,2%. Todavia as economias emergentes e em desenvolvimento também se prevê uma contração na ordem dos -2,5 %, a Europa e Ásia central -4,7%, para a África Subsariana uma contração de -2,8%.

Passadas duas décadas desde o inicio do milénio, está claro que o mundo não será o mesmo e que a pandemia do SARS COVID 19 vem acelerar a concretização de novas tendências iniciadas, sobretudo a partir da crise financeira mundial, como o surgimento dos nacionalismos com Trump (make america great again), riscos de retorno da proliferação de politicas protecionistas a sectores estratégicos por parte dos estados o que se prefigura como preocupante para o desenvolvimento saudável do comércio internacional.

O enfraquecimento do multilateralismo e a des-mundialização /des-regionalização da economia mundial, em que as cadeias produtivas estabelecidas na China, fazem agora o movimento contrário de retorno a casa (onshoring) ou de fixação noutras regiões do globo (reshoring), com o pretexto de melhorar o nível de segurança face a dependência excessiva à economia Chinesa. Ficou patente na crise da pandemia, o nível de dependência extrema das economias ocidentais face a economia Chinesa, bem como os constrangimentos ocorridos no período da crise, como o rompimento da cadeia de produção e a ineficácia dos sistemas logísticos chineses em relação ao fornecimento de bens e equipamentos para a economia mundial. Assim, o Japão abriu recentemente uma linha de crédito bilionária dirigida as empresas japonesas, para que as mesmas retornem ao país ou deslocalizem parte da cadeia de produção para outras zonas.

Essas medidas visam não só a redução da exposição face a economia do pais do sol nascente, mas sobretudo garantir a criação de novos postos de trabalho e reduzir as taxas de desemprego existentes melhorando a competitividade.

Os períodos de crise são momentos ideais para recentrar as ideias, criar novos projectos, repensar, e fazer melhor. O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, vê a epidemia como uma oportunidade de mudança da globalização, face a vulnerabilidade das cadeias de fornecimento demonstradas no início da epidemia, um acontecimento que expos as fragilidades das práticas actuais que segundo o Ministro revelam uma dependência "irresponsável e irracional" em relação à China.

As consequências da Pandemia são mais evidentes nas economias africanas, pelo facto de não atingirem um estágio de desenvolvimento capaz de trazerem sustentabilidade no curto prazo. Para inverter a situação actual, os países africanos em vias de desenvolvimento devem redefinir estratégias como:

◾ Continuar o esforço de recuperação do atraso estrutural, implica não apenas crescer, mais crescer rapidamente que a média dos nossos parceiros;

◾ Implementar Estratégias de aceleração da industrialização e Diversificação económica:

◾ Aumentar o investimento em capacidades produtivas.

◾ Redefinir de politicas de exportação.

◾ Financiamento com taxas de juro bonificadas;

◾ Alargamento de stock de capital físico

◾ Desenvolver o sector primário e secundário para obter vantagem competitiva. 

◾ Melhorar o sistema de energia elétrica, água saneamento básico, de modo a atrair novos investimentos.

◾ Fortalecimento do sector privado mais moderno e aberto.  

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