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5 de June 2021 - às 07:09

PEDRO SÁNCHEZ, CHEFE DO GOVERNO ESPANHO, JÁ INICIOU VISITAS

Com a visita de Pedro Sánchez, que inicia em Angola um curto roteiro que vai passar também pelo Senegal, Espanha quer destacar a crescente importância de África na sua política externa e mostrar-se disponível para apoiar o desenvolvimento dos países africanos através do investimento.

 

NOTA DE IMPRENSA

ESPANHA VIRA-SE PARA ÁFRICA E ELEGE ANGOLA COMO PRIORIDADE

Espanha está atenta a África e elegeu como prioritários um conjunto de cinco países entre os quais Angola, que o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez visita no início de Abril, disse o embaixador daquele país em Luanda, Manuel Ruigómez.

A última visita de um chefe do Governo espanhol a Angola aconteceu em 1991, com Felipe González, e chegou a estar prevista a ida de Mariano Rajoy em 2018, mas a deslocação acabou por ser cancelada devido à crise política na Catalunha.

Com a visita de Pedro Sánchez, que inicia em Angola um curto roteiro que vai passar também pelo Senegal, Espanha quer destacar a crescente importância de África na sua política externa e mostrar-se disponível para apoiar o desenvolvimento dos países africanos através do investimento.

“Espanha está a olhar com mais intensidade para África e aprovou há dois anos um novo plano em que África ganha mais importância na política exterior”, salientou Manuel Hernández Ruigoméz em entrevista à Lusa, destacando que Angola é um dos cinco países prioritários nesta estratégia, juntamente com a África do Sul, Nigéria, Etiópia e Senegal.

O diplomata lembrou que Angola tem atraído o interesse de Espanha desde que conquistou a independência, em 1975, e o presidente do Governo espanhol à época, Adolfo Suárez, chegou a encontrar-se com o seu homólogo angolano, Lopo do Nascimento, em 1976, em Madrid.

Desde então, a relação entre os dois países tem sido “sempre forte e intensa”, realçou, considerando que o futuro de África depende do seu desenvolvimento e que os europeus “deve estar próximos dos seus vizinhos do Sul” para que “juntos”, possam contribuir para o progresso daquele continente.

Espanha tem tido até agora uma política externa mais direccionada para a América Latina, já que este é o continente mais próximo do ponto de vista histórico e cultural, mas Ruigómez defende uma maior aproximação europeia a África onde subsistem problemas que devem ser acautelados, como a imigração e a pobreza.

“Penso que Espanha, tal como Portugal, devem prestar mais atenção a estes problemas.

Estamos juntos num mundo, como se vê agora com a pandemia, que ignora as fronteiras. Esta é a nossa fronteira sul e devemos cuidá-la”, assinalou o embaixador.

Para Ruigómez, as soluções para que os países africanos ultrapassem o subdesenvolvimento passam pelo investimento.

“Achamos que fomentando o investimento das nossas empresas e dos nossos investidores públicos e privados podemos ajudar a sair Angola e outros países de uma situação económica difícil”, salientou.
O diplomata elogiou igualmente o combate à corrupção levado a cabo pelo Presidente angolano, João Lourenço, desde que chegou ao cargo, em 2017, que considerou “muito importante” para facilitar a vinda de investidores espanhóis.

Também essenciais são outras iniciativas como os pacotes legislativos que o Governo e a Assembleia Nacional têm vindo a aprovar no domínio da facilitação dos negócios, apontou, lamentando que a pandemia esteja a travar os intercâmbios entre os países.

Se não fosse a covid-19, Angola estaria a atrair mais investimento, acredita, indicando entre as medidas legislativas relevantes, o facto de ter deixado de ser obrigatório fazer parcerias com sócios angolanos para investir no país.(In LUSA/“Publico”)

 

TIRADAS DA IMPRENSA

“Tantas garrafas, tantas viagens, tantos amores, oh Deus, que sereno inferno esse de lembrar o bom de antes quando nem sabíamos que acharíamos bom um dia. E seria? Cuidado, o tempo mascara o duro”
- Tati Bernardi

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“A mercadoria é o núcleo econômico do sistema capitalista e, enquanto ela existir, seus efeitos se farão sentir na organização da produção e, conseqüentemente, na consciência”.

- Che Guevara

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“Os ricos não podem mais viver numa ilha rodeada por um mar de pobreza. Nós respiramos, todos, o mesmo ar. Devemos dar a cada um, uma chance, ao menos uma chance fundamental”.

- Ayrton Senna

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“Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão”

- Clarice Lispector

 

BOCAS SOLTAS

Em entrevista à DW África, o académico luso-angolano Eugénio Costa Almeida lembra a importância que Espanha sempre atribuiu a Angola, através do qual Madrid conseguiu "uma maior e melhor forma de penetração no continente africano". O professor investigador do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (CEI-IUL) não tem dúvidas de que Espanha já está a "passar a perna" a Portugal em vários campos em Angola.
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“(…) A Espanha passa a perna a Portugal, por duas razões. Espanha não tem pruridos no que toca às relações com países africanos, tal como não tem, por exemplo, o Reino Unido, como também penso que tem algo que Portugal continua a não ter: um apoio oficial às empresas no que toca às relações com países terceiros cuja situação económica não seja aquela que é o ideal”
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“Não esquecer que Angola, em termos de rating, está naquela posição que em Portugal tanto se falou, que é "lixo". Ainda assim, temos que ver que Angola tem o apoio e a credibilidade do Fundo Monetário Internacional (FMI) e isso para a Espanha também é importante”

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“Em Angola temos empresas que são muito apetecíveis e provavelmente poderão ser muito rentáveis – nunca a curto prazo, mas a médio e longo prazo – para o retorno de capitais. E como as leis que têm sido desenvolvidas ultimamente, até porque são coadjuvadas com o apoio do Fundo Monetário Internacional, são propícias a transferências de capitais, com uma certa liberdade que
não acontecia no passado, é evidente e é provável que isso possa vir
a acontecer”
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“Em termos de África e da África Austral, Angola foi sempre visto como um país de prioridade. Foi através de Angola que Espanha encontrou uma maior e melhor forma de penetração no continente africano. Não esqueçamos a forma como Espanha se "libertou" do Saara Ocidental e as consequências que isso trouxe, nomeadamente entre as duas grandes potências do norte de África, Marrocos e Argélia, e simultaneamente as consequências que teve dentro da antiga Organização da Unidade Africana (OUA), que levou a que Marrocos abandonasse a organização. Angola serviu para "lavar a imagem" de Espanha em África.
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“Até uma possível privatização da TAAG - Linhas Aéreas de Angola. A Iberia pode ser uma plataforma para essa privatização, ainda que em nome de terceiros, já que a Iberia faz parte do grupo da British Airways. Também as relações entre Luanda e Londres não são más. Poder-se-ia juntar por interesse o útil ao agradável, pelo menos do ponto de vista de Luanda”

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