EDITORIAL

 
26 de maio 2015 - às 14:12

PAZ ETERNA BANGÃO!

Na hora da tua partida, Bangão, derramamos lágrimas mas procuraremos não sucumbir para que possamos registar os passos que os teus colegas, sempre solidários e muito sentidos com a tua inesperada partida

 

Quando, em 2005, a revista Figuras & Negócios homenageou o músico Bangão como uma das figuras de realce da sociedade angolana pelo seu contributo na música, mais propriamente no cultivo do semba ritmado que só ele sabia fazer com mestria, nada, mas absolutamente nada fazia prever que 10 anos depois, o homem, o músico querido deixaria de fazer parte do mundo dos vivos.
A notícia entrou fulminante nos nossos ouvidos e ficamos presos no choque de tamanha pancada que cobardemente tirou do nosso seio uma das vozes mais queridas, mais referênciadas da música angolana. Morreu Bangão, morre um estilo, uma maneira de ser e estar no palco de um artista que se destacava pela forma vaidosa e aprumada como Bangão se apresentava em palco.
Apetece-nos cantar e gritar Cuidado! como tão bem o artista cativava os seus fãs num jeito que agora se eterniza, mas falta-nos coragem, força para, pelo menos, podermos imitar o talento de um músico simpatia que cobardemente decidiu deixar-nos sem aviso prévio. Ou melhor, pode ter dado o primeiro sinal de que iria partir para o outro mundo quando foi hospitalizado, ainda em Luanda e, depois, evacuado para a África do Sul. Viemos a saber agora o diagnóstico da doença que o apoquentou e foi mais forte: um câncro, o maldito câncro fulminante que, infelizmente quando faz morada no nosso seio, se não detectado em tempo oportuno e devidamente atacado, é mesmo mortal.
Perdeu Angola um actor principal da cultura angolana, perderam os músicos um colega de primeira linha que vai se juntar a outros que também muito recentemente deixaram o mundo dos vivos. Zecax, Beto de Almeida e Bel do Samba integram a lista dos que mais recentemente partiram para o mundo dos vivos, curiosamente todos eles cultivadores do estilo semba.
Na hora da tua partida, Bangão, derramamos lágrimas mas procuraremos não sucumbir para que possamos registar os passos que os teus colegas, sempre solidários e muito sentidos com a tua inesperada partida, saberão dar cantando para honrar e dignificar a música angolana, os esforços que continuarão a empreender para que cada vez mais os músicos sejam reconhecidos pela sociedade, que os poderes instituidos possam criar molas protectoras para o melhor desempenho das suas actividades. O País não vive sem música, a música é uma força viva, razão porque faz todo sentido que se preste hoje, amanhã e sempre o apoio e a atenção aos seus cultivadores, os músicos, muitos deles com o micro na boca, com as suas canções, colocaram o seu tijolo neste edifício, Angola, que agora completa 40 anos de independência.
Descanse em Paz, Bangão.  

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