MUNDO REAL

 
26 de dezembro 2016 - às 07:41

PAZ E DIREITOS HUMANOS

O ciclo de conferências sobre Paz, Democracia e Direitos Humanos criou um espaço de reflexão e debate sobre o processo da tolerância, democracia e paz face ao contexto político e social do país e tendo em conta o processo eleitoral que Angola vai viver em 2017.

 

Os acontecimentos que se registaram este ano, centrado em brigas entre militantes das duas maiores formações políticas, deram notoriedade nacional e internacional a um velho problema no país: a intolerância política que deriva, no fundo, da falta de cultura de convivência na diferença de opinião e de postura pública diante dos problemas do país.

Tendo em conta o actual contexto político e social há necessidade de, também, a sociedade civil continuar a dar o seu contributo para continuidade da manutenção da paz e reconciliação nacional e chamar atenção dos actores políticos, principalmente membros e militantes dos partidos, para promoverem realmente acções que promovam a paz e a reconciliação, cultivando a convivência democrática.

Neste âmbito, as organizações parceiras e membros da Parceria Estratégica, nomeadamente as Mãos Livres, o Fórum de Mulheres Jornalistas para Igualdade do Género (FMJIG), Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD), a Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) e a Plataforma de Mulheres em Acção (PMA) juntaram-se e organizaram uma conferência nacional sobre Paz, Democracia e Direitos Humanos porque entendem que o reforço das capacidades de organizações da sociedade civil e a realização de actividades conjuntas e coordenadas ajudam os portadores de deveres no sentido de reverem as suas politicas à favor do bem estar dos cidadãos. 

O primeiro painel do evento, que teve como oradores Isaías Samakuva, Presidente da UNITA, Abel Chivucuvuku, Presidente da CASA-CE, e Lucas Ngonda, Presidente da FNLA, foi uma oportunidade única para ouvir a visão dos líderes sobre como os partidos políticos podem contribuir para a consolidação da paz e da democracia e da relação desses pressupostos com o respeito pelos Direitos Humanos. O momento só não foi melhor devido a ausência do representante do MPLA, que foi convidado, assim como do PRS. 

Na mesma senda, na conferência, que tive a oportunidade de participar, contou-se também com a participação de líderes religiosos e de opinião da sociedade civil que manifestaram preocupação em relação ao actual contexto político e social do país. Importa realçar que o mesmo modelo da conferência nacional foi aplicado em Benguela e no Kuando Kubango.

Em suma, o ciclo de conferências sobre Paz, Democracia e Direitos Humanos criou um espaço de reflexão e debate sobre o processo da tolerância, democracia e paz face ao contexto político e social do país e tendo em conta o processo eleitoral que Angola vai viver em 2017.

Angola precisa, definitivamente, de um ambiente de maior pluralismo de ideias e de políticos mais comprometidos com a paz e a democracia, só assim poderemos viver o sonho de uma Angola para todos (afinal, também somos a geração da utopia). Alguns episódios que vivemos, como ameaças a um oponente de ideias em programa de televisão, ataque contra deputados, discriminação somente por defender determinada ideia, têm que deixar de fazer parte da nossa vida quotidiana.

O calar das armas foi um importante passo mas há muito que alguns líderes políticos e representantes da sociedade civil têm alertado que precisamos alcançar a paz social. Um país inclusivo tem meio caminho para o desenvolvimento, e os angolanos já provaram que podem trilhar esse caminho.

Os conflitos no continente africano em função de processos eleitorais ou simples luta pelo poder na Guiné Bissau e no Congo Democrático provam-nos mais uma vez, que os políticos têm que ser prudentes e, acima de tudo, saber fazer a leitura dos tempos.

Em meio a todas estas questões está o respeito pelos Direitos Humanos, mas este tema, pela sua complexidade, prometo abordar em próxima edição.  

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