SOCIEDADE

 
2 de January 2021 - às 07:42

PAULINO DAMIÃO, UM DOS MAIS BRILHANTES FOTOJORNALISTAS DE SEMPRE

Aos 70 anos, partiu, vítima de uma doença crónica. Nos últimos contactos que com ele mantivemos, jamais deu sinais de que estava gravemente doente. Pelo contrário, comportava-se como se nada o apoquentasse. Só Deus sabe do que este homem era capaz de fazer para que não deixasse alguém preocupado. “Era um bom companheiro, um bom parceiro, um amigo, um bom colega”-Neste frase sintetiza-se o que realmente  o nosso “Cinquenta” foi durante os mais de trinta anos  que com ele convivemos.

 

ADEUS, MESTRE “CINQUENTA”!

Como quase todas as notícias más, esta também caiu como uma bomba, triste, demasiado dramática para quem que, com este senhor conviveu durante largos anos e viu nele um exemplo de vida a seguir. Naquela madrugada de 19 de Novembro, Paulino Damião acabara de deixar o mundo dos vivos, depois de ter dado tudo de si pelo fotojornalismo, desde sempre feito com mestria, amor e entrega absoluta. 

Foram mais de quarenta anos ao serviço permanente do jornalismo, grande parte dos quais vivido com devoção e lealdade extrema no “Jornal de Angola”, onde conviveu com outros monstros da fotografia, tais como Pedro Salvador e Almeida Totas, de grata memória.

Coube a vez do nosso amigo e colega “Cinquenta” ter de passar o seu testemunho às dezenas de profissionais da fotografia, principalmente aos filhos que também já deram provas de estarem por dentro do mundo das artes, da cultura, em defesa permanente da história dos seus ancestrais, tal como o seu progenitor o fez durante a sua longa carreira.

Fica a obra grandiosa de um homem simples, de fácil trato; de um colega que sabia estar e lidar com toda a gente, na base do respeito e, sobretudo, fortemente ligado às acções de solidariedade para com os mais pobres, quer nos grandes centros urbanos do país, como nas mais recônditas localidades rurais. Enfim, “Cinquenta”, sobretudo deixa o seu nome vincado de forma indelével  na sua terra natal – Nambuangongo, de que falava com bastante orgulho e saudade. Aqui, fez questão de nos últimos anos deixar a sua marca na arte do bem fazer pelo próximo; transmitir o sentimento de solidariedade.

Aos 70 anos, partiu, vítima de uma doença crónica. Nos últimos contactos que com ele mantivemos, jamais deu sinais de que estava gravemente doente. Pelo contrário, comportava-se como se nada o apoquentasse. Só Deus sabe do que este homem era capaz de fazer para que não deixasse alguém preocupado. “Era um bom companheiro, um bom parceiro, um amigo, um bom colega”-Neste frase sintetiza-se o que realmente  o nosso “Cinquenta” foi durante os mais de trinta anos  que com ele convivemos .

Nas notícias que se sucederam à morte de Paulino Damião, colegas do seu tempo e os companheiros mais recentes manifestaram um enorme sentimento de angústia, nostalgia e,sobretudo, reconhecimento pela arte do bem captar as milhares de imagens que valeram bilhões de palavras. 

Paulino estava reformado já algum tempo, mas fazia questão que, sempre que pudesse, marcar presença em várias redacções, onde era recebido com carinho pelos seus discípulos. Numa breve pincelada no seu percurso como fotojornalista hábil e bastante criativo, o “seu” J.A. revela que ingressou nos quadros desta empresa no ano de 1976. “Conheceu a fotografia nos anos 60 e, aos 13 anos de idade, na época em que tinha sido encarcerado pelas tropas coloniais nas matas de Nambuangongo, Bengo. Paulino Damião foi um dos pioneiros na reprodução da fotografia rudimentar e artística no país, numa câmara escura, artefacto em forma de caixote dos idos anos 70 a 80”, escreve-se, acrescentando-se que entre as mil e uma actividades desenvolvidas por ele, destaca-se a cobertura dos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980. 

“Consta também do seu registo histórico, a cobertura da primeira visita do Presidente Agostinho Neto ao Jornal de Angola, em 1976, data que marcou a mudança do título Província de Angola. Entre colegas, “Cinquenta” lembrava, com satisfação, a cobertura da visita do primeiro Papa a Angola, João Paulo II, em Junho de 1992, e de Bento XVI, em Março de 2009, de quem afirma ter recebido uma medalha que guardou como lembrança”, lê-se no artigo dedicado a esta figura inesquecível do jornalismo angolano. C.M. 

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