POLÍTICA

 
30 de janeiro 2016 - às 16:24

PARTIDOS NA LUTA PELO PODER

Isaías Samakuva vai ser o cabeça de lista da Unita e PRS ainda sem escolher quem sucederá à Eduardo Kuangana.

As quatro principais forças políticas angolanas com acento no parlamento preparam-se para os desafios do próximo ano onde o País será chamado, uma vez mais, para as eleições legislativas e presidenciais. O MPLA, a Unita, a Casa-CE e o PRS querem melhorar as suas performances e por isso têm ou constituem o seu estado maior no terreno à procura de consolidar a sua implantação no seio dos eleitores e têm previsto para o presente ano reuniões alargadas abrangentes para definirem as estratégias

 

A Unita, que reelegeu em Dezembro de 2015, em congresso ordinário Isaías Samakuva como Presidente tem o trabalho de casa mais avançado e se verifica agora a remodelação das suas estruturas inclusivamente no topo. Assim, numa atitude que alguns observadores classificam de maior predominância para um alinhamento mais regionalista, Isaías Samakuva fez-se rodear na estrutura central de membros maioritáriamente de origem ovimbundus não obstante ter catapultado Raul Danda, o único originário de Cabinda, para a vice-Presidência do partido, uma decisão que, curiosamente, mereceu contestação pública de um outro destacado militante também fora da orbita umbundu, Fernado Heitor, originário de Catete. Segundo a imprensa diária, Fernando Heitor insurgiu-se contra essa indicação de Raul Danda, colocando em causa a sua verticalidade no Partido ainda na era de Jonas Savimbi mas observadores vão mais longe e argumentam que esses são os primeiros sinais evidentes de uma crise que a Unita poderá viver nos tempos mais próximos e que, se não forem bem geridos pela direção, podem comprometer os objectivos do Partido às eleições de 2017.

Na verdade, o Congresso de Dezembro está longe de ter criado a unidade e coesão interna, o que tem levado Isaías Samakuva nos últimos tempos, a jogos de equilíbrio. A subida de Raúl Danda para a vice-Presidência do Partido nos bastidores é tida como uma promoção para baixo do jovem turco de Cabinda que no parlamento, enquanto líder da bancada parlamentar, tinha um protagonismo hoje cortado em função do novo cargo que passa a ter, de um coadjutor de Isaías Samakuva. O protagonismo no parlamento passa para Adalberto da Costa Júnior, agora chefe da bancada e tido como um forte aliado de Samakuva pertencendo à chamada ala da externa do Galo Negro. Para esbater contradições resultantes do congresso, onde surgiram três fortes candidatos na luta pela liderança-Paulo Lukamba Gato, General Numa e Isaías Samakuva-, num processo que dividiu o eleitorado, o Presidente eleito, mais disposto em juntar os cacos das divergências, recuperou Marcial Dachala, que se ocupará futuramente do Secretariado de Comunicação e Marketing do Partido. Antigo quadro das estruturas dirigentes da Unita ao tempo de Jonas Savimbi e que chegou a pertencer, como deputado, no anterior parlamento, Dachala estava afastado dos holofotes da política activa e a sua ação mais visível recentemente foi o de mandatários da campanha de Paulo Gato no congresso. Lukamba Gato também integra a nova direção da Unita, o que não acontece com Numa tido como muito radical.

Liderança do PRS - No PRS, partido dirigido desde 1992 por Eduardo Kuangana, um antigo oficial da Segurança angolana no tempo do monopartidarismo, a luta também é pela liderança, um assunto que deverá estar arrumado em Junho do corrente quando se deverá realizar o congresso ordinário do Partido. Kuangana ainda não declarou a intenção de lutar pela sua sucessão mas um militante já se adiantou na luta pela presidência. Trata-se de Sapalo Antônio, antigo líder da bancada parlamentar e antigo vice-ministro da Indústria no governo de Unidade Nacional.

Afastado desde as últimas eleições legislativas e presidenciais onde o PRS perdeu a condição de terceira força política nacional, Sapalo Antônio dedica-se à docência no ensino superior mas já manifestou disponibilidade em avançar para, segundo ele, tirar o Partido do marasmo em que se encontra.

João Baptista Ngandagina, antigo Ministro da Ciência e Tecnologia e Secretário Geral do Partido também já havia manifestado, em passado recente, a sua intenção de se candidatar à sucessão de Eduardo Kuangana que já viu alguns dos seus colegas de proa abandonarem as fileiras por divergências e se filiado no rival, o partido do galo negro. 

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