POLÍTICA

 
6 de março 2017 - às 12:03

PARTIDOS AQUECEM BATERIAS PARA O VEREDITO DAS URNAS

A data para as eleições gerais não foi oficialmente marcada, mas os principais partidos angolanos já estão de “armas e bagagens” na estrada a procura dos votos dos eleitores, o registo eleitoral ainda não conheceu o seu termino mas estão regista dos em todo o Pais mais de 8 milhões de cidadãos

 

O MPLA, actual Partido governante, partiu na dianteira. Apresentou primeiro a sociedade a sua lista de candidatos a deputados no próximo Parlamento, cerca de 300 pessoas, entre efectivos e suplentes e o seu cabeça de lista. Como se sabe o actual Presidente do Partido, José Eduardo dos Santos manifestou interesse em abandonar a política activa em 2018 e por isso mesmo o cabeça de lista dos Camaradas é João Lourenço, vice-Presidente do Partido.

A campanha de apresentação aos eleitores de João Lourenço como cabeca de lista do MPLA aconteceu na segunda quinzena de Fevereiro na  Província da Huíla, no decorrer de um acto de massas muito concorrido. A Huíla é tida como a segunda maior praça política de Angola, o MPLA quer manter a hegemonia de eleger os cinco deputados  que a Provincia tem direito. João Lourenço na sua primeira intervenção pública, de improviso e consultando de vez em quando o seu bloco de notas, elegeu os cinco eixos do que deverá ser a sua governação caso vença as eleições: quadros, mormente cuidados redobrados na sua formação e superação, melhorias da educação e Ensino, saúde, desenvolvimento economico sustentado e combate cerrado à corrupção.

Após o comício de apresentação na Huíla, João Lourenço esteve na Lunda Norte onde presidiu a abertura do a acampamento de férias da Juventude, uma iniciativa do braço juvenil do MPLA e que visa reunir jovens de todos os pontos do País com a mesma coloração política para interagir em torno dos diferentes problemas do País. A juventude constituirá o grosso maior dos eleitores pelo que o cabeça de lista do MPLA viu nesse acto uma oportunidade para o diálogo.

Lourenço, que no actual governo continua a ocupar a pasta de Ministro da Defesa, quase não tem tido tempo para se ocupar das questões governativas, porque as prioridade são, como, aliás ele próprio disse no dia em que foi apresentado como o cabeça de lista do MPLA, levar o Partido a uma vitoria folgada nas eleições gerais de Agosto/Setembro. Assim, no final de Fevereiro esteve na Provincia do Bié onde foi alvo de novo "banho de massas" numa província onde o seu partido goza de muita simpatia e militância.

João Lourenço terá como sérios adversários na conquista da cadeira presidencial de Angola os cabeças de lista da UNITA, Isaías Samakuva e Abel Chivukuvuku, líder da CASA-CE.

 

UNITA concentra-se no seu aniversário - Isaias Samakuva, lider da UNITA deu o passo maior da sua campanha pré-eleitoral conceder do uma entrevista a TVZimbo e Radio Mais, do grupo privado de Comunicação Media Nova onde aproveitou para esmiuçar ideias do programa do seu partido para convencer os eleitores. Sabe-se já que ele será o cabeça de lista do seu partido mas a lista de deputados só será conhecida apenas em Março. De acordo com Samakuva, o candidato a vice-Presidente da República, no caso da UNITA vencer as eleições, de acordo com os estatutos, é indicado pelo Presidente do Partido e posteriormente submetido a uma eleição interna, à semelhança dos restantes candidatos a deputados pelos circulos Nacional e provincial. "Nós procuramos implementar os principios democraticos, não indicados os nossos candidatos, eles passam por eleição para que a escolha de candidatos seja democratica, não determinada por uma só pessoa que indica este ou aquele mas que seja feita atraves de uma consulta aos membros do Partido"- frisou reafirmando a sua convicção na vitória da Unita no  próximo pleito eleitoral.

A UNITA, que comemorou em Fevereiro, o 15º aniversário da morte do seu antigo lider, Jonas Savimbi, tem agendada para Março, altura que se assinalará o 50º aniversário da organização partidaria, a intensificação da sua campanha pre-eleitoral.

CASA-CE sem tecto - Abel Chivukuvuku, líder da coligação CASA- CE tem sido o candidato presidencial que mais se tem submetido a "banhos de massas" tendo a sua campanha pre-eleitoral iniciado há muito tempo com deslocações regulares a todos os pontos do País. No entanto, esse empenho no “banho de massas” não consegue esconder alguns problemas de entrosamento que surgiram no seio dos partidos que integram a coligação e que têm criado fissuras sérias entre os membros do corpo directivo. Desde relações dolorosas entre figuras de proa da CASA-CE, como são os vice-Presidentes William Tonet e Lindo Bernardo Tito, na mira de maior protagonismo, a dificuldades na elaboração da lista dos candidatos a deputados, mormente a lista de procedência, porque todos querem ficar em posições elegiveis, tudo se cogita deixando cair por terra uma alegada coesão e unidade da coligação que estava a galvanizar a Juventude.

Não se cansando de se auto-vitimizar diante da comunicação social pública que privilegia as acções dos Camaradas, Abel Chivukuvuku tem arranjado tempo para  tapar as fissuras que vão surgindo fazendo fé que a sua coligação vai conseguir resultados surpreendente nas próximas eleições. Ele fala mesmo em vitória desde que “as eleições sejam transparentes, livres e justas”.

Não se sabe quando a CASA-CE apresentará publicamente aos eleitores a sua lista de candidatos, um alibi que encontra respaldo constitucionalmente por não se saber ainda exactamente quando serão as eleições gerais, tendo apenas Agosto como data indicativa.

Sabe-se, no entanto, que com chuva ou com sol, Abel Chivukuvuku será o cabeça de lista da coligação CASA CE e Miau Mendes de Carvalho poderá aparecer como o segundo da lista,ele que no actual Parlamento é o chefe da bancada parlamentar dos coligados. 

 

PARTIDOS GEREM MAKAS INTERNAS

A FNLA pouco adianta quanto a sua pre-campanha eleitoral estando atolada numa crise que pode perigar a continuidade do Partido após o próximo pleito eleitoral. Na verdade, os irmãos não conseguiram ultrapassar as suas makas internas em torno da liderança, sendo que de momento o Partido é dirigido por Lucas Ngonda.

No PRS, as aguas também estão agitadas e o seu líder, Eduardo Kuangana continua ausente do Pais por alegados motivos de doença. No final de Fevereiro, o Secretário Geral do Partido, Benedito Daniel reafirmou a intenção de se realizar o Congresso em Março, alegando mesmo que o conclave pode ter lugar "sem a presença do Presidente Eduardo Kuangana, que se encontra em tratamento médico no exterior do País, caso não se recupere atempadamente". Benedito Daniel é um dos candidatos à lideranca do PRS, o único Partido que defende no seu programa o federalismo para o País, e pode ter como concorrente Sapalo António, um antigo rosto forte do Partido e que se desentendeu com a liderança de Kuangana.

No PDP-ANA, o Partido do falecido líder carismatico Mfulumpiga Landu Victor também procura-se um cabeça de lista para as eleições.Está previsto um congresso para Maio que vai igualmente definir a estratégia eleitoral do Partido.Simão Makazu actual Presidente do Partido, garante que o congresso terá a participação de pelo menos 300 delegados provenientes de todo País e, também, de membros do Partido residentes no exterior. O PDP-ANA, disse ele, conta com 105 mil membros e espera aumentar este número nos próximos tempos com as campanhas de sensibilização e angariação de novos membros.

O actual parlamento angolano é constituido por deputados do MPLA, UNITA, CASA-CE, PRS e FNLA. De um conjunto de mais de uma dezena de partidos politicos a maior parte desapareceu depois do ultimo pleito eleitoral, não se sabendo até agora, para além dos tradicionais e com assento no Parlamento, quantos entrarão nesta competição de Agosto, que se acredita venha a ser  das mais renhidas apos o País ter entrado na normalidade quanto a realização de pleitos eleitorais.

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