MUNDO REAL

 
6 de maio 2017 - às 06:07

O VALOR DO EXERCÍCIO DA CIDADANIA

Hoje muitas pessoas, ainda que anónimas, levantam a sua voz contra as injustiças, especialmente nas comunidades onde líderes fazem-se ouvir e agem para ajudar os seus semelhantes, mesmo sem grandes recursos e arriscando-se. São exemplos notáveis!

 

Vivemos em Abril a Páscoa, em que os cristãos lembram sua crucificação de Jesus Cristo há mais de 2.000 anos, os ensinamentos bíblicos ressaltam que Jesus foi crucificado em hasta pública diante de populares que incitaram o seu calvário e de outros que observaram calados tudo o que acontecia mesmo sabendo que era uma condenação injusta. 

Milhares de anos depois, independentemente da nossa crença, a história de Jesus Cristo deve levar-nos a reflexão sobre o nosso papel enquanto cidadãos, somos pessoas interventivas na sociedade em que vivemos? Levantamos a nossa voz diante das injustiças ou nos calamos diante do que está errado porque é mais fácil viver assim pois não vamos sofrer qualquer consequência em função da nossa tomada de posição?

O rumo da nossa sociedade impõe que o cidadão da Polis, como era chamado na Grécia antiga, seja um verdadeiro cidadão, consciente dos seus deveres e direitos e uma pessoa que luta por justiça, particularmente a justiça social. Os inúmeros problemas que enfrentamos exigem que todos tenhamos uma voz a dizer pois já diz o velho ditado “quem cala consente”.

Problemas como a corrupção, a impunidade, o desrespeito pelos Direitos Humanos, exigem que quem tenha voz fale sobre esses assuntos, que os casos registados sejam denunciados e que sejam feitas propostas para se inverter o quadro. Actualmente, principalmente com o agravamento da crise económica, as pessoas tendem em estar focadas em si mesmas, em tentar resolver os seus problemas e evitar as consequências de um posicionamento público sobre as injustiças sociais e os erros dos poderes instituídos.

O caminho mais fácil é o silêncio mas as suas consequências são nefastas. O cidadão deve exercer os seus direitos, deve ter uma intervenção no quadro do que a lei permite e fazer ouvir a sua voz ainda que seja um clamor no deserto.

Tal como há dois mil anos continuamos a assistir a injustiça impávidos e serenos, permitindo que pessoas inocentes sejam punidas, olhando silenciosas o cortejo do que não está certo, fechando os olhos ao que está acontecendo para evitar problemas para o nosso lado, daí que a postura de figuras como Mahtama Gandi, Nelson Mandela e a americana Rosa Parks que desafiou as leis segregacionistas têm um valor inestimável porque, acima de tudo, eles tiveram coragem.

Tal como as figuras acima citadas hoje muitas pessoas, ainda que anónimas, levantam a sua voz contra as injustiças, especialmente nas comunidades onde líderes fazem-se ouvir e agem para ajudar os seus semelhantes, mesmo sem grandes recursos e arriscando-se. São exemplos notáveis!

Antes de reclamar ou de cochichar nos cantos temos que refletir sobre o nosso papel enquanto cidadãos, sobre o que temos feito e o que podemos fazer pelo coletivo no sentido de buscar uma sociedade melhor para todos. Para além disso, deveremos procurar cumprir com os nossos deveres porque se exigimos com a mão esquerda temos de fazer o que deve ser feito com a mão direita.

Quando penso no tamanho da mudança social que poderíamos ter se os cidadãos deste país exercessem o seu verdadeiro papel e deixassem de olhar para o lado esperando que outro o faça tenho plena noção do que perdemos com a postura actual. Quantas pessoas poderíamos ajudar, quantos erros poderiam ser evitados? Quantas vidas poderíamos salvar?

Qual Pilatos vamos lavar as mãos diante dos milhares de problemas que a nossa sociedade enfrenta?  

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