SOCIEDADE

 
8 de junho 2017 - às 06:06

O SUBMUNDO DAS “RAVES” EM LUANDA

Todos os dias mas com maior incidência nos fins-de-semana, em qualquer ponto dos bairros da cidade de Luanda, são realizadas festas amplamente conhecidas como “raves” um submundo onde tudo pode acontecer, como cenas explícitas de sexo, violações, consumo de drogas, esfaqueamentos e até mortes. Mergulhamos neste “oceano turbulento” para trazer a realidade nestas festas numa reportagem em que a medida que avançamos na leitura mas nos surpreendemos com o grau de perversidade

 

A “rave” é nos dias de hoje o modelo de festas que faz furor nos bairros da cidade capital. Os participantes são maioritariamente adolescentes e jovens em busca de diversão num ambiente em que circula de tudo: álcool, drogas e até cenas explícitas de sexo.

Para perceber melhor o que se passa nestas festas a nossa reportagem esteve presente em alguns destes eventos e conversou com os intervenientes. Adilson Jorge Mussunda, 24 anos de idade, também conhecido por “Pai Tubarão” é conhecido no mundo de realização de eventos. Ele contou-nos que começou a realizar eventos com 19 anos de idade, é produtor há seis anos e mostra satisfação pelo que faz, mas realçou que para a realização é preciso ter muita cautela para determinar o tema, a imagem, conseguir os Dj’s, a gráfica para a impressão dos panfletos e explicou-nos que os temas surgem em função daquilo que é actual para os jovens como danças, roupas e fez questão de frisar que os títulos dos panfletos refletem o que acontece nas festas.

Quanto a determinação dos preços, segundo o realizador, depende muito do tipo da festa e do tema. Quanto aos gastos para uma determinada festa podem chegar aos 2.800 dólares, para um número de 400 a 300 pessoas com idades compreendidas entre os 14 anos até os 25 anos de idade, ou seja, entram menores de idade sem qualquer censura. Em muitos casos, as mulheres acabam por serem usadas como “atractivos” e entram sem pagar ou desembolsam apenas 100 Kwanzas ou simplesmente entrar com uma garrafa de bebida alcoólica.

Pela sua experiência, “Pai Tubarão” conta que dentro destas festas há sempre confusões entre diferentes grupos e inclusive tentativas de violações sexuais. Para evitar problemas maiores ele explicou que em muitos casos agentes da Polícia aparecem à paisana “para controlar” e conta também com a ajuda de amigos que intervêm em caso de necessidade.

A realização destas festas envolve muitas instituições segundo o realizador pois são do conhecimento da repartição da Cultura, da Comissão de Moradores, da Administração e da Polícia que normalmente têm, e para tal os realizadores têm que pagar à polícia 10 a 15 mil Kwanzas, para a administração 20 mil Kwanzas, à comissão do bairro 4 mil Kwanzas, ao Djs 40 a 60 mil Kwanzas, os panfletos, o salão que pode custar de 35 a 40 mil Kwanzas, convites e a fita de acesso que fica por 40 mil Kwanzas.

O realizador que temos vindo a citar reconhece que para lucrar tem de gastar tudo isso mas consegue lucrar numa noite de 250 a 300 mil Kwanzas ou mais, dependendo do número de participantes ao evento. Dentre as festas que já realizou destaca uma com o tema “Tarde da Fusão” que foi a que mais trabalho deu por causa da confusão que lá houve entre dois grupos, Os “tubarão Brancos” e o “KG”. “Tivemos ferimentos, desmaios, alguns tiveram que ir para o hospital, eu fiquei com as mãos no gesso”, lembrou.

Já Gilberto Ricardo Amoreth, ou simplesmente “Negrinho”, de 24 anos de idade, também realizador de eventos (há dois anos), conta que o que o levou a ser realizador é a paixão que tem pelo mundo da realização de eventos, porque, segundo o mesmo permite, que o realizador seja conhecido.

Foi Amoreth que nos revelou que para além das raves são também realizadas festas “do Mata Aulas”, que são realizadas nos dias de semana, só com estudantes, nas horas normais de aulas, com maior frequência nas quartas e sextas-feiras. Ele explicou-nos que nestas festas qualquer um pode entrar, desde que tenha dinheiro. “O estudante faz o pagamento de 1.000 kwanzas e encontra a bebida lá, grátis”, revelou. Para mobilizar os estudantes recorrem às redes sociais como o facebook ou mandam mensagens por telefone. Negrinho, explicou-nos também que a bebida usada nestes eventos de estudantes é a famosa caipirinha e o whisky.

Quanto a alteração da bebida o realizador disse que é do conhecimento que muitas vezes notam-se desmaios de pessoas depois de consumirem a caipirinha, ele confessou-nos que é introduzido nas bebidas o diazepam ou outro tipo de droga por aqueles que preparam a bebida, provocando maior adrenalina e desmaio nos jovens que lá estiverem tanto nas raves como nos “mata aulas” e os chamados planos A,B, D e C e nestas festas participam estudantes com idades entre os 12 e 21 anos.

Outro realizador de festas, “Tego Bom Lá”, de 20 anos de idade, entrou neste mundo das festas porque era frequentador de raves, ele explicou que em muitos casos as meninas entram sem pagar mas devem apresentar-se com roupas sensuais. Nestas festas, acrescentou, O factor idade não é determinante. Meninas a partir dos 12 anos são bem-vindas e são apelidadas de “Geração M”.

O realizador contou que as adolescentes “fazem furor nestas raves”, provocam confusão entre os rapazes porque “querem sempre quem paga uma bebida e podem ser dois ou mais e isso provoca as confusões entre os rapazes”, o saldo destas brigas são ferimentos e até mortes. 

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