MUNDO REAL

 
30 de julho 2018 - às 11:13

O QUE SE ESTÁ A FAZER NO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE?

A área classificada envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude, a igreja local, ruinas do que se acredita ser o antigo palácio real e do cemitério dos reis do antigo Reino do Congo. 

 

A Comissão de Património Mundial da UNESCO declarou, em Julho de 2017, por unanimidade, o centro histórico da cidade de Mbanza Congo como Património Mundial da Humanidade. Foi um momento de grande jubilo para todos os angolanos, o coroar de uma longa batalha para a qual tivemos que “convocar” também outros países que fizeram parte do grande Reino do Congo. 

O Reino do Congo tinha um vasto território que ia desde a República do Congo, República democrática do Congo, Angola e Gabão sob o comando de um soberano e com uma vasta corte. Vários historiadores e arqueólogos têm estudado este reino ao longo do tempo. 

Para nós, há muito que Mbanza Congo está classificada como património cultural nacional (desde 2013). O Reino do do Congo foi dos maiores do continente, com uma estrutura política e económica organizada e avançada para a sua época. 

A área classificada envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude, a igreja local, ruinas do que se acredita ser o antigo palácio real e do cemitério dos reis do antigo Reino do Congo. 

Um ano depois de termos celebrado esta conquista, eu me pergunto: qual é a situação actual do Património que hoje não é só nosso ou dos países que fizeram parte do Reino do Congo mas da humanidade? 

Ter o reconhecimento de Mbanza Congo como património da humanidade foi uma grande victória mas agora é preciso que o Governo de Angola se empenhe na conservação e divulgação desta zona classificada com recursos próprios mas também recorrendo a própria UNESCO (que tem fundos para tal) e com outras instituições internacionais.

Outro ponto importante seria promover o turismo na região, promover o nosso Património Mundial da Humanidade, fazer com que turistas e pesquisadores queiram visitar o local, o que implica um grande trabalho de base. É preciso investimento, criar infraestruturas (hoteis, restaurantes, centros de pesquisa). No actual momento de crise, esta deve ser uma prioridade? Sim, porque através do turismo podemos arrecadar receitas e até divisas e ainda garantir a manutenção da zona classificada.

O facto do centro histórico de Mbanza Congo ter sido reconhecido como Ptrimónio Mundial da Humanidade é mais do que um trofeu nosso, é uma conquista que tem que ser partilhada, amplificada. Esta reflexão serve também para apelarmos à necessidade de se dar a devida atenção e aproveitamento aos nossos monumentos e sítios.

Temos espaços classificados abandonados “a sua própria sorte”, a degradarem-se e mesmo aqueles que são mantidos em minímas condições não são amplamente conhecidos; não se cria um movimento para atrair turistas (internos e externos), enfim, é uma trapalhada total.

No actual contexto económico do país, com a difícil crise que enfrentamos, é hora de apostar no turismo, de mostrar ao mundo as nossas pontencialidades e um dos ramos nos quais podemos apostar é o chamado “turismo cultural”. Por outro lado, estes monumentos, estes locais, encerram a nossa história e temos a responsabilidade de conserva-los para as gerações futuras. 

Infelizmente, temos apostado em tantas outras coisas e deixado o que é fundamental para trás.

Sim, é hora de celebrar o reconhecimento de Mbanza Congo, o nosso Património Mundual da Humanidade mas também é hora de questionar o que foi feito deste então. Não queremos apenas um postal para exibir, queremos um património vibrante, bem conservado e que tudo o que seja feito lá vá de encontro a grandiosidade do reino que representa.

Mbanza Congo, a imponente capital do Reino do Congo está aí para contar-nos a sua história que é também a história de outros países africanos que é, na verdade, uma parte importante da história da humanidade. 

Ainda temos tempo, temos tempo de fazer mais por este património, podemos fazer diferente. 

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