LEITORES

 
3 de abril 2018 - às 06:52

O PROBLEMA DO SEGREDO BANCÁRIO BARULHENTO

 

Os meus melhores cumprimentos; desta vez vou falar sobre um assunto que, geralmente, a malta da minha faculdade –a de economia- (provavelmente a mais desejada pela juventude) tem analisado com alguma frequência.Trata-se do crédito mal-parado e a capacidade ou não de resposta à onda de notícias que não abonam a favor do sistema financeiro nacional, numa altura em que uma das instituições bancárias do país viu o seu nome estampado nas redes sociais pelos piores motivos.

Verdade ou não, o que se (des)disse da tal instituição manchou a sua imagem, a imagem do país saiu muito debilitada. A meu ver, o facto de ter sido publicada uma lista enorme de credores não quer dizer que naquela entidade bancária pública não existam funcionários honestos. Arrisco mesmo em afirmar que a maior parte deles, sabendo do risco dos negócios e na existência de maus pagadores, não se sentiu envergonhada por exibir a placa de identificação aos clientes naqueles dias de exposição negra do (seu) Banco de Poupança e Crédito.

Mas o que é facto nas redes sociais fundamentalmente, é que a proliferação das notícias, boas ou más, ocorrem numa velocidade extrema, capaz de ofuscar em milésimos de segundos a verdade dos próprios factos.

Num comunicado tornado público horas depois da publicação da lista dos credores do BPC, o caldo já havia sido entornado, manchando a instituição e deixando na rua da amargura a maioria esmagadora dos chamados “kilapeiros” que viram os seus nomes na hasta pública, sem que alguém se responsabilizasse pelo “feito heróico”.

As consequências  do não-esclarecimento rápido da situação confrangedora para quem foi exposto ao ridículo por quebra do sigilo bancário principalmente por alguém, provavelmente, até agora não-identificado, foram aterradoras.

Poucos foram os que  tão logo viram os seus nomes expostos, vieram a terreiro a confirmar ou desmentir as somas astronómicas dos créditos mal-parados ou, como se diz na gíria, “kilapados” e pior ainda: que jamais serão pagos.

Escrevo estas linhas, que reconheço serem pobres de argumentos mais técnicos, no sentido de alertar as instituições públicas para que tão logo sentirem o “peso” das informações prejudiciais que são divulgadas nas mais diversas redes sociais, ajam com a devida celeridade e mais: expliquem com o detalhe o que aconteceu para que a onda de boatos não atravesse o Atlântico e caia na rede do sistema bancário e/ou financeiro internacional, onde estas situações em termos de comunicação são levadas a sério.

Não é que esteja a defender o BPC, mas a verdade é que a sua direcção tem de estar mais vigilante ao que se passa no seu interior, desde o funcionário da agência localizada na zona mais nobre das cidades aos das comunas mais periféricas dos municípios deste país enorme. Depois desta “cena” dramática da quebra de sigilo bancário, eu pelo menos acho que muitos clientes terão deixado de o ser; o que é péssimo para quem queira achegar-se aos serviços de crédito ou outros de um dos mais importantes segmentos do nosso sistema financeiro.

Sidónio K. Ferraz António

Namibe

 

TIRADAS DA IMPRENSA

“Num comunicado tornado público (…)o caldo já havia sido entornado, manchando a instituição e deixando na rua da amargura a maioria esmagadora dos chamados. 

“kilapeiros”(…)”

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“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. (…)”Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Paulo Freire

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A mente desenvolve-se como o corpo, mediante crescimento orgânico, influência ambiental e educação. Seu desenvolvimento pode ser inibido por enfermidade física, trauma ou má educação”.

Umberto Eco

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“As palavras podem ferir tanto como uma agressão física. Mas também têm o poder de mudar o mundo.(…) Nunca tente se vingar do ódio com ódio. Apenas o amor é capaz de vencer!(…) A mudança é dolorosa mas necessária. Você só encontrará a felicidade se souber se adaptar a ela!”

Buda

 

BOCAS SOLTAS

Já se sabe que depois do “boom” registado com a escalada dos preços dos barris de petróleo, andou-se por este país a gastar à farta no que  não se devia.Hoje, Angola sofre com a diminuição dos lucros provenientes da exportação do “ouro negro”.Resultado;as receitas petrolíferas baixaram extraordinariamente. “No mês de Setembro, dados  compilados  pela Angop indicam a redução das receitas de cerca de um bilião de kwanzas  em comparação com Agosto(cerca de  142 biliões de lucros). O valor resulta da exportação de 49 milhões, 979 mil e 412 barris de petróleo, em  Agosto, a um preço médio de 40,388 dólares norte-americanos. Revela-se que,  em Setembro, o barril foi vendido a um preço médio de USD 50,361.00,acrescentando-se que os valores arrecadados foram encontrados com base nas tradicionais receitas do Imposto sobre o Rendimento do Petróleo (IRP), do Imposto sobre a Produção de Petróleo (IPP), do Imposto sobre a Transacção de Petróleo (ITP), além de outros rendimentos das petrolíferas nacionais (total de 12 a operar em Angola).Os nossos interlocutores, como é óbvio, sofrem as consequências a que o país chegou com a mudança brusca dos seus gráficos de crescimento nas receitas. 

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“Não percebo mesmo nada destes números, mas o que sei é que as coisas em termos de receitas vão de mal a pior, apesar da nova liderança na gestão da Sonangol, que, ao que parece, encontrou muitas makas  difíceis de resolver a curto prazo”.

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“Estamos a pagar pela má gestão dos recursos financeiros arrecadados no passado, com a exploração  desenfreada dos poços de petróleo na nossa plataforma marítima. Sabe-se que nada secou ainda, mas o que nos sobra não se deve explorar ao Deus dará, pois são recursos não-renováveis. Nesse andar, as novas gerações vão chamar-nos de “assassinos do seu futuro””.

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“A mim , o que mais interessa são os planos  de crescimento económico que o nosso governo terá que cumprir, de acordo com as promessas feitas pelo partido que ganhou as eleições. Se se levar a coisa a sério, acho que o país poderá, nos próximos tempos não depender em demasia da exploração petrolífera”

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“ Nem dá para levar muito a peito as notícias sobre o crescimento económico do país, baseado apenas no que se tem beneficiado com a aposta na agricultura ou na agro-indústria, inclusive nos planos de crescimento do sector dos recursos minerais. Não quero ser pessimista, mas sem a subida dos preços dos barris de  petróleo, não vamos longe!”.

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“No passado, quando estávamos prestes a realizar as eleições gerais, o clima instalado não era nada bom para a nossa economia. Aquilo foi um sinal que nós continuamos muito fragilizados depois daquela pancada da descida dos preços derivados da comercialização do crude”.

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“O problema é que ao mínimo sinal de instabilidade política que temos por aqui, os estrangeiros fogem logo, mas se virem que os preços subiram voltam aos milhares. Ora, isto significa dizer que a estabilidade económica e financeira do nosso país depende da existência de um preço razoável dos barris de petróleo no mercado internacional”. 

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