ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
5 de novembro 2016 - às 12:29

O PREÇO DOS ALIMENTOS E A SEGURANÇA ALIMENTAR

O ano 2008 foi um marco no tocante a crise alimentar, pois nunca houve em toda a história da humanidade um número tão elevado de pessoas com possibilidade de realizar três refeições ao dia, portanto, a procura de alimentos e o consumo de energia cresceram brutalmente, não havendo uma correspondente capacidade de resposta a nível da produção, gerando o défice de oferta de alimentos causando por esta via, o aumento do preço. 

 

Registou-se em todo o mundo a redução do número de pessoas que sofrem do flagelo da fome crónica. Dados recentemente publicados pela organização das Nações Unidas, através da FAO (Agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), enunciaram o recrudescimento do número de pessoas com privações graves de alimentos de 1,02 mil milhões em 2009 para 795 milhões de pessoas em 2015. Estes dados são suportados pela FAO, IFAD (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola e PAM (Programa Alimentar Mundial. Apesar dos avanços  na produção de alimentos e desenvolvimento económico a fome ainda é uma realidade em muitos países,  atirados para a pobreza extrema, devido às oscilações nos preços dos alimentos, que atacam fundamentalmente as classes mais desfavorecidas.

A FAO informou que os avanços ocorridos deveram-se a dois factores a melhoria das condições económicas verificadas na economia mundial, resultantes da retoma económica, e a redução, a nível internacional, do preço dos alimentos. De realçar que a crise financeira(sub-prime) foi precedida de uma crise alimentar despoletada pelo aumento do índice de preços dos alimentos em 2007. O ano 2008 foi um marco no tocante a crise alimentar, pois nunca houve em toda a história da humanidade um número tão elevado de pessoas com possibilidade de realizar três refeições ao dia, portanto, a procura de alimentos e o consumo de energia cresceram brutalmente, não havendo uma correspondente capacidade de resposta a nível da produção, gerando o défice de oferta de alimentos causando por esta via, o aumento do preço. A crise teve por base uma variedade de factores inter-relacionados, porém sublinha-se a alteração radical do padrão da procura de cereais (consumo humano Vs consumo Industrial). A “explosão” das economias emergentes gerou o aumento extraordinário da procura dos cereais, aumento este impulsionado pelo consumo de dois “gigantes” asiáticos, a China e a Índia. Por outro lado, a crise energética verificada desencadeou a corrida para as fontes alternativas de combustíveis, nomeadamente o bio-diesel e o etanol que são duas fontes que utilizam no processo de fabrico, matéria-prima derivada de cereais destinados ao consumo humano, fenómeno recente que veio tornar escasso o stock de alimentos causando forte pressão sobre os preços. A ONU alertou recentemente  que apesar do decréscimo da fome crónica, existem mil milhões de desnutridos no planeta. É um número consideravelmente elevado e inaceitável, sendo  que a actual  população mundial está estimada em 6.000 milhões de pessoas. Ásia e Pacífico são as regiões mais afectadas no tocante a fome, com 578 milhões de pessoas sem acesso a condições básicas de alimentação. 40% da população mundial afectada pela fome vive na China e na Índia. Paradoxalmente, o continente asiático foi  que registou  maior decréscimo nos números da fome (cerca de 12%). Entretanto, o Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão, são países em que a problemática da fome se faz sentir com maior incidência. A segunda região do planeta onde o problema se faz sentir com intensidade é a África Subsariana com 239 milhões seguida da América Latina e Caraíbas (53 milhões), países desenvolvidos (19 milhões). O relatório da FAO referencia ainda que 98% das pessoas que no mundo estão privadas de alimentos, vivem em países em desenvolvimento. Este valor corresponde a 16% de toda a população que habita nestes países.

Em relação a economia nacional, o preço dos alimentos também têm influenciado de forma negativa o nível de vida dos cidadãos e da economia em geral, uma vez que o índice de preços do consumidor nacional registou uma variação de 3,31%, durante o período de Julho a Agosto de 2016.  

O destaque recai para as províncias da Lunda Norte, com 4,67%, Cuanza Norte com 4,44%, e Cuanza Sul, com 4,37%. Por outro lado, as províncias com menor variação foram: Huíla, Cunene e Benguela, com 2,65%, 2,96% e 2,99% respectivamente.   

Em relação ao índice de preços por classes, destacamos que a classe com maior variação foi a de alimentação e bebidas não alcoólicas, com 4,53%.Destacam-se também os aumentos dos preços verificados nas classes saúde, com 4,06%, bens e serviços diversos, com 3,73%, e lazer, recreação e cultura, com 3,25%.  

A problemática da segurança alimentar deve ser vista com muita atenção por parte dos estados, uma vez que o abrandamento da economia mundial contribuír para a não concretização dos objectivos do milénio. De realçar que os ODM, foram expressos na declaração do milénio, que foi aprovada em Setembro do ano 2000. Os 8 objectivos de desenvolvimento quantificáveis, a que os 147 países predispuseram-se a realizar até ao ano passado, foram: 1º Erradicar a pobreza extrema e a fome, 2º Garantir educação básica de qualidade para todos, 3º Promover igualdade entre sexos e valorização da mulher, 4º Reduzir a mortalidade infantil, 5º Melhorar a saúde das gestantes, 6º Combate à malária, HIV/Aids e outras doenças, 7º garantir a sustentabilidade ambiental, 8º Estabelecer uma parceria Mundial para o Desenvolvimento. De referir que em muitos países os objectivos não foram atingidos na íntegra. O factor crise veio ensombrar a concretização das metas, pois de entre outros males que arrefecem a economia mundial aumenta cada vez mais o nível de desemprego e o subemprego (principalmente nos países desenvolvidos, com taxas de 15% a 20%), pondo enormes dificuldades à governação (a questão do défice fiscal e os desequilíbrios orçamentais). Os estados são forçados a um maior controlo orçamental que faz-se por via da despesa, afectando áreas essenciais como a dos serviços de saúde, educação, acesso à água potável, etc. 

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