EDITORIAL

 
26 de novembro 2015 - às 18:30

O PACTO DE PATRIOTISMO

Olhamos para as políticas de desenvolvimento, os caminhos que se traçam e facilmente se constata que mais rapidamente se abraça a cooperação e assessoria estrangeira na definição das linhas mestras do que se preconiza em detrimento das capacidades nacionais, na maior parte dos casos em acções que podem ser entendidas como verdadeira falta de patriotismo por parte de quem tem os poderes para decidir. 

 

Uma das questões que mais se levanta com mais acuidade, sobretudo agora que estamos a comemorar os 40 anos da independência de Angola, é do porquê que a intervenção dos angolanos no conjunto de problemas que enformam o País na construção de uma nação não mobiliza aquele engajamento massivo que foi notável nos primórdios da nossa independência. Muitos cidadãos argumentam que a primeira causa reside no divórcio que se criou e cada vez mais se acentua entre a classe governante e a sociedade, mormente na definição das melhores políticas para se abraçar o desenvolvimento, onde, desde logo, o ponto de partida de todas as acções tem de ser o angolano.

Olhamos para as políticas de desenvolvimento, os caminhos que se traçam e facilmente se constata que mais rapidamente se abraça a cooperação e assessoria estrangeira na definição das linhas mestras do que se preconiza em detrimento das capacidades nacionais, na maior parte dos casos em acções que podem ser entendidas como verdadeira falta de patriotismo por parte de quem tem os poderes para decidir. 

Em tempos de falta de dinheiro para grandes cavalarias, olhe-se, por exemplo, para os números que se gastam na contratação de consultoria/assessoria estrangeira e veja-se os resultados que se alcançam! Regra geral, há uma aposta quase cega (ou tendenciosa?) na contratação dessa mão de obra estrangeira com o rótulo de assessoria/consultoria,  quantas vezes composta de estagiários que vêm à procura do seu primeiro emprego e, mais grave, desconhecedores, na sua maioria, da verdadeira realidade do País onde vão trabalhar, se calhar, sem ironia, sem saberem ao certo a  sua situação geográfica, hábitos e costumes do seu povo. Transportam consigo modelos de desenvolvimento de outras latitudes, geralmemente europeus, e impingem aos diferentes sectores públicos  essas realidades importadas pelo que geralmente os efeitos não se repercutem positivamente, como era desejável.

Curiosamente, isso acontece numa altura que o País conhece cada vez mais um número acentuado de pessoas abalizadas, alguns com profundo conhecimento do País, porque já desempenharam, em determinado momento, cargos públicos de alta responsabilidade, mas hoje não são tidos nem achados, por mais disponibilidade que demonstrem, para transmitir os seus conhecimentos. Alguns têm mesmo empresas de consultoria mas são pura e simplesmente ignorados. E posso citar aqui alguns quadros valiosos, como Dionísio Mendonça e Amilcar Silva, no sector da Banca, António Henrique, Galvão Branco, Madeira Torres, no campo económico, Lago de Carvalho, Jaime Freitas, no campo empresarial. Quer dizer que se ignora as capacidades nacionais e se aposta na dúvida de uma cooperação/assessória duvidosa, o que demonstra um elevado sentido de falta de patriotismo de quem os contrata, acomoda a incompetência encapotada na globalização e cria-se o fosso da solidariedade que é sempre necessária para o pacto de estabilidade e sintonia entre os angolanos, que se precisa.

Numa altura que estamos empenhados em assinalar os 40 anos da independência nacional, não deixa de ser uma oportunidade soberana para se corrigir esse défice.  Urge encontrar formas que possam levar os angolanos a tracarem o melhor caminho para o desenvolvimento, pensar e agir em nome de Angola. Os angolanos têm de trocar ideias e colaborar mutuamente, deixando para trás a competição desleal, a inveja, a perseguição e o ódio que infelizmente  ainda têm espaço cativo na sociedade. Se calhar,  nada melhor do que lutar por um verdadeiro pacto pelo reforço do patriotismo dos angolanos de forma que todos se sintam mais donos e participes do seu próprio destino, do destino de Angola. 

Infelizmente hoje mais facilmente se apoia um simples feito do estrangeiro do que uma grande conquista de um angolano.  

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