PAÍS

 
29 de agosto 2015 - às 09:06

ONDE ESTÁ A MASSA?

Directores da Build Brasil/Angola estão no Brasil livres, a viver bem com certa quantia de dinheiro no bolso e sem nada a explicar sobre o que fizeram em Angola

 

reportagemde Figuras & Negócios está intrigada. Afinal de contas, a publicação foi uma das primeiras a mostrar por completo o começo, o meio e o fim das aldrabices perpetradas por seis brasileiros que, do nada, aportaram em Luanda com o objectivo – ao menos no papel- de fazer vivendas de alta qualidade a um preço para lá de interessante. 

Sim, a matéria diz respeito ao caso do grupo Build. A empresa que lesou milhares de angolanos e ganhou milhões de dólares, os seus mentores e dirigentes deixaram Angola voltaram  ao Brasil e hoje vivem de maneira absolutamente tranquila e sem serem incomodados  por absolutamente ninguém, ainda que estejam a ser processados na Justiça brasileira sobre outros assuntos. 

No entanto, quem foi lesado não esquece. “Roubaram o meu dinheiro que custou a  ganhar  para comprar uma casa”, conta a funcionária da Sonangol Ludmilla Augusto Sebastião.

Ela, como tantos outros foram atraídos por um cartaz, cujo rei do  Futebol Pelé era o seu principal patrocinador. Nele dizia-se que estavam a venda casas, apartamentos e Lofts  a preços  baixos. A inscrição foi um sucesso e milhares  gastaram o seu dinheiro  com o objectivo de terem as suas casas. Perderam tudo!

O tempo passou e ninguém mais tocou no assunto. Um ano atrás o Ministério Público de Angola tentou avançar com a ideia de conhecer quem ajudou os empresários brasileiros aldrabões, mas tudo se perdeu no tempo. E parece que tanto as autoridades angolanas como as brasileiras – esses só sabem da história por informações da mídia ou de angolanos hoje moradores no Brasil que também foram ou tiveram parentes literalmente roubados, não dizem absolutamente nada.

 

Aos factos - Chamado por muitos angolanos de “a gangue dos quatro” – os empresários António Paulo de Azevedo Sodré, João Gualberto Ribeiro Conrado Jr., Paulo Henrique de Freitas Marinho e Ricardo Boer Nemeth donos das empresas angolanas Readi Angola e Galson, venderam e muito apartamentos, lofts, casas e quintas a preços abaixo da média do mercado angolano estão livres no Brasil como qualquer cidadão normal, mas estão endividados.

Por incrível que se pareça os milhões de dólares, arrecadados no “plano perfeito” para ludibriar os angolanos, estão no Brasil e se mostram em forma de imóveis de luxo carros importados e viagens ao exterior. A reportagem de Figuras&Negócios foi até um condomínio de luxo no interior do estado (província) de São Paulo indicado por um doleiro que hoje vive em Angola, onde ele afirma que  ao menos 10 casas são de dois dos brasileiros que compunham a linha de frente do  Grupo Build. Fomos impedidos de entrar, haja vista que era necessário toda documentação para atestar  que conhecíamos os ilustres moradores.

 A vida nababesca que havia no passado se deu fim. Mesmo com casas de luxo e carros que valem milhões, eles sumiram. Vivem uma vida de classe média discreta, mas confortável. Não têm o que reclamar, mas grande parte do dinheiro arrecadado se foi. Não ostentam. Nas redes sociais as fotos postadas são antigas, mas com datas aproximada de meses. Familiares literalmente nunca aparecem nas fotos. Se preservam ao máximo. Tudo para não chamarem à atenção. 

A discrição tem razão: a protecção contra os angolanos irados ameaças de morte e afins. A Procuradoria-Geral da República entregou a investigação à Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) para o devido tratamento, mas até o momento nenhuma resposta.

 

Os nomes continuam sujos na Justiça do Brasil -  “O (Paulo) Sodré tem o seu nome grafado nos quadros da Justiça do Brasil há anos. Praticamente muito tempo antes de aportar em Angola - cerca de 15 anos quando operava com o avestruz - e até hoje não consegue ter a ficha limpa”, diz um advogado que prefere o anonimato. Paulo Sodré tem uma ficha corrida na justiça brasileira de dez páginas. E são muitas as acusações: estelionato, falsidade ideológica menos a de que ludibriou os angolanos.

Os outros, segundo relatos de amigos próximos, mudaram de profissão ou tocam negócios com o restantes dos quase US$ 200 milhões arrecadados. 

Advogada de Werter Mujallis, o hoje empresário e primeiro a estabelecer parceria de negócio com Paulo Sodré e Joca Conrado, a profissional que não quer ter o seu nome vinculado ao grupo afirma que  todos devem na Justiça e um dia terão que pagar suas dívidas, mas confessa que muitos não verão sequer US$ 1. “É complicado. Fogem como muídos. Os seus bens estão em nome de terceiros, os famosos laranjas”, resume.

Mentor intelectual e célere em conquistar pessoas pela palavra, Paulo Sodré - como era chamado por muitos em Angola- foi o articulador do plano que deu certo: Vender sem entregar. Beneficiou-se de brechas da legislação angolana, conquistou amigos e conseguiu penetrar no seio de nomenclatura angolana onde também aí aldrabou alguns. 

Até o fecho desta edição a  reportagem no Brasil tentou insistentemente  conversar com os líderes do grupo Build, mas  não responderam aos sucessivos e-mails e telefonemas para saberem o que pensam a respeito da burla contra centenas de angolanos. 

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