RECADO SOCIAL

 
1 de dezembro 2016 - às 19:39

O MUNDO FOI AVISADO…

Num mundo que conquistou uma das suas mais brilhantes vitórias de inclusão, tolerância e unidade entre nações desavindas, surge agora um multimilionário brilhante com uma ideia absolutamente desfocada: pensa em  construção de muros numa aldeia global  que devem ser erguidas pontes da concórdia. 

 

Pois é, foi avisado, mas o povo norte-americano não o ouviu. E mais: decidiu por si próprio, fez jus aos valores democráticos impostos pelo sistema eleitoral vigente há mais duzentos anos e… pimbas! Elegeu Donald Trump, deixando de boca para a nuca uma candidata, cuja carreira política definitivamente foi enterrada, sem honra nem glória. Paciência. Para trás, ficam outros sonhos, outros desejos e anseios daqueles que quiseram dar continuidade a alguns programas sociais que,  há pouco tempo, eram aclamados pela turba. De repente, de nada serviram os milhões de votos populares conquistados por Hilary Clinton, as propostas de novos planos para a saúde e a diminuição das taxas  de desemprego; a verdadeira grande praga que Obama deixará como herança  do futuro Presidente.

Este mesmo, que numa quarta-feira de um dia de que já ninguém se recorda, diria que a maka do desemprego será resolvida logo no primeiro mandato (nem se sabe se conseguirá terminá-lo) e que o dito programa de saúde pública do agora seu antecessor era uma “porcaria”. Bom, não foi bem isto que disse, mas  esteve muito perto disto. Ontem ou anteontem, já ninguém também se recorda,  afirmou com todos as placas que tem implantadas na boca, que “yes!”, o “Obamacare”  tem umas coisas muito simpáticas e interessantes e devem ser aproveitadas. Este mesmo que já declarou que o  próprio Obama é um excelente Presidente.

Pois! O mundo foi avisado, mas o povo norte-americano não quis ouvi-lo. Engole agora com bastante expectativa aquele que acaba de nomear para chefe de gabinete e pares, uma tripla de leões prestes a abocanhar tudo o que se lhes aparecer pela frente em termos de minorias. Vai continuar a ouvir com imensos  pontos de interrogação o líder de uma governação que se prevê muito conflituosa, caso se continue nesta linhagem do disse-o-que-não- disse e… acreditem se quiserem. E não é que o povo norte-americano acreditou, apesar de uns certos fogachos de manifestações de contestação?

Num mundo que conquistou uma das suas mais brilhantes vitórias de inclusão, tolerância e unidade entre nações desavindas, surge agora um multimilionário brilhante com uma ideia absolutamente desfocada: pensa em  construção de muros numa aldeia global  que devem ser erguidas pontes da concórdia. 

Num certo dia de que também quase ninguém se lembrará, afirmou que o México terá de pagar a construção do dito muro que contenha a  entrada de imigrantes ilegais, prostitutas, violadores e traficantes de droga. Assim mesmo:tudo misturado. Ontem (terá mesmo sido em Outubro ou em Agosto?) já freou a lingueta, dizendo que não serão cinco milhões, mas apenas dois milhões de imigrantes ilegais com registo criminal sujo e que já não é bem-bem um muro de betão, ferro ou tijolos. Haverão, neste muro, partes onde se erguerão vedações pagas a preço justo pelas “partes interessadas”. 

Obama teve que engolir um grande sapo vaidoso, cheio de massa e trunfo(a)s. Aceitá-lo como o futuro ocupante da Casa Branca e ele, o futuro, mostrou-se mais simpático do que pareceu ser durante a campanha eleitoral. “Um homem interessante”. Ouviu-se. E Donald soltou uma que me parece ser a mais cínica frase dele: “ é um excelente presidente e um homem interessante!”. Quantas vezes estes dois se pegaram, sob pena de cada um deles  ter uma vontade enorme de esmurrar-se? Quantas? Ninguém se lembra?. Na sala oval da Casa Branca, faltavam só uns beijinhos, sob o olhar envergonhado de Hilary Clinton, que nunca mais na vida vai querer saber de emails porque, se calhar, não percebe nada de informática... Nem falo sobre os códigos nucleares.  

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