MUNDO REAL

 
5 de novembro 2017 - às 06:14

O MOMENTO DE VIRAGEM

 

Tal como outros países do mundo Angola foi afectada pela crise económica mundial. O impacto da crise foi maior em Angola por ser uma economia que  depende grandemente do petróleo que tem um peso execessivo no Produto Interno Bruto (PIB) do país. 

Em função da baixa do petróleo o Governo elaborou, para 2016, o Orçamento Geral do Estado colocando o preço do barril de petróleo a 40 dólares, a toda essa situação acresce-se uma crise de divisas e sendo que Angola depende muito da exportação, inclusive de alimentos, assistimos a um aumento do preço dos produtos da cesta básica e do custo de vida em geral.

Toda esta situação afecta os empresários que têm dificuldades para importar produtos com particular incidência para o sector industrial e agrícola e também a redução do volume das transações comerciais. 

Sobre as perspectivas económicas para 2017, o Banco Mundial referiu em nota de imprensa tornada pública, que “África do Sul, Angola e Nigéria, as maiores economias do continente, estão a perceber uma recuperação após a acentuada desaceleração ocorrida em 2016, mas o restabelecimento tem sido lento, tendo em vista o aumento do sentimento proteccionista em todo o mundo e uma restrição do financiamento global acima da expectativa. No lado doméstico, os riscos para a actual recuperação derivam da ausência de reformas, das crescentes ameaças à segurança e da volatilidade política diante das eleições em alguns países”. 

Devido a burocracia e aos elevados custos do processo de legalização muitos dos comerciantes optam por trabalhar de forma informal o que leva a que não possam beneficiar dos apoios cedidos pelas instituições estatais e mesmo organizações da sociedade civil.

A questão do ambiente de negócios é importante nesta altura pois, hoje mais do que nunca, é importante que o contexto de trabalho para os empreendedores seja o melhor possível, que haja incentivo para os empresários nacionais e que os investidores nacionais sintam confiança no nosso País.

A crise económica que o país enfrenta exige uma nova abordagem da questão do empresariado nacional. A diminuição de clientes, as dificuldades para a importação devido a escassez de divisas, o aumento da carga fiscal são ingredientes que têm levado à falência inúmeras empresas e, em consequência, cresce o número de desempregados no país. 

A questão fiscal deve merecer uma análise profunda pois é uma faca de dois gumes, ao mesmo tempo que é necessário aumentar as receitas não petrolíferas e que o país exige maior acutilância do nosso sistema fiscal também é importante que não se sobrecarregue mais as empresas pois no contexto actual já enfrentam muitas dificuldades.

Uma atenção especial deve ser dada aos empresários do ramo do turismo que tanto têm clamado por apoio da parte do Governo. O turismo pode alavancar a nossa economia, pode trazer divisas para o país e isso não é impossível pois Angola tem um enorme e pouco explorado potencial turístico. 

Já o crescente número de desempregados é um drama nacional, de proporções alarmantes e que tem graves consequências para as famílias. É urgente que se faça algo para inverter o quadro.

A crise económica é uma realidade mas temos que encontrar caminhos para atravessá-la, as necessidades nacionais persistem e é urgente que se passe das palavras, das propostas, para o concreto. O momento exige grandes opções e uma mudança de políticas e práticas.

O empresariado nacional precisa de suporte e o ambiente de negócios precisa, definitivamente, de melhorar. 

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