PONTO DE ORDEM

 
2 de abril 2016 - às 16:46

OLHOS NOS OLHOS!

A política não pode ser comparada taxativamente a matemática onde por exemplo, dois mais dois são 4, e no caso de Angola, com o multipartidarismo onde a governação do País se define através do voto, não se pode levar a sério a equação de que o escolhido pelo líder é automaticamente o seu sucessor no partido e no governo, pelo que não é, desde logo, crucial dizer que o MPLA vai vencer o próximo pleito eleitoral e o primeiro na sua lista tornar-se-á o Presidente da República sucedendo assim Eduardo dos Santos numa lógica de continuidade.

 

Existem algumas razões para se ter preocupações quanto ao aviso abrupto do Presidente José Eduardo dos Santos, da sua intenção de abandonar a vida política activa em 2018, mesmo sem ele revelar  taxativamente que não vai ser o candidato do MPLA ao próximo pleito eleitoral, marcada para 2017, sobretudo após o seu Partido, o ter indicado como o candidato único à sua sucessão a ser eleito no Congresso previsto para Agosto. E, regra geral, o Presidente do Partido político em função da nova constituição, aparece como cabeça de lista dos candidatos a deputado para na esteira de, caso o partido vença as eleições, ele assumir a Presidência da República.

Ora bem, na hipótese mais do que provável de Eduardo dos Santos ser reconduzido à liderança do seu Partido, não existe muitas margens para pensar  que em função do seu anúncio de abandonar a politica activa em 2018, Eduardo dos Santos não se apresente ao próximo pleito eleitoral, direcionando  a sua continuidade na política apenas à liderança do Partido e aposte na renovação com um novo rosto para a sua sucessão na governação do País, caso o MPLA vença as eleições.

A política não pode ser comparada taxativamente a matemática onde por exemplo, dois mais dois são 4, e no caso de Angola, com o multipartidarismo onde a governação do País se define atraves do voto, não se pode levar a sério a equação de que o escolhido pelo líder é automaticamente o seu sucessor no partido e no governo, pelo que não é, desde logo, crucial dizer que o MPLA vai vencer o próximo pleito eleitoral e o primeiro na sua lista tornar-se-á o Presidente da República sucedendo assim Eduardo dos Santos numa lógica de continuidade.

Os quarenta anos de poder desgastaram muito a imagem do MPLA na governação do País mas José Eduardo dos Santos, pelo seu empenho, sobretudo na pacificação do País, continua a ter um peso elevado na sociedade que o coloca em qualquer processo eleitoral em Angola como o virtual vencedor, o que não acontecerá com qualquer outro político que os camaradas indicarem atendendo o pouco tempo que resta para as eleições de 2017 e a própria correlação de forças existente muito arreigada apenas na defesa da figura do actual líder e nunca se ter pensado na sucessão pelo menos aberta e públicamente. Na verdade, no MPLA falar do amanhã sem se pensar no líder mesmo numa hipótese de conjecturas sobre os possiveis candidatos à sua sucessão, é uma especie de crime de lesa - pátria que poucos, muito poucos mesmo, se querem arvorar a esse sacrifício.

Criou-se em Angola uma governação moldada à MPLA onde a política continua a ocupar excessivamente o posto de comando, o que ressalta um cenário desfavorável quanto a distribuição de riqueza e igualdade de circunstâncias, mas a mudança do quadro não pode ser brusca se se tiver em conta que os angolanos ainda vivem um processo necessário de se juntar o fio da unidade e reconciliação para que a Paz seja efectivamente preservada e a intenção da Construção de uma verdadeira Sociedade Democrática não seja adulterada. A classe política de forma geral tem condenado a postura de governação dos Camaradas mas gere muito mal a apresentação de propostas que engagem a Sociedade na mudança séria, daí que as preocupações quanto a saída da política activa do Presidente Eduardo dos Santos se justifiquem, precisamente pelo grande peso político que ele tem na gestão dos equilíbrios no seu partido e no País. A alternância precisa-se é saudável em Democracia mas ela não pode ser feita atabalhoadamente, copiado-se modelos de outras latitudes; é preciso ter em conta a realidade específica do tecido político que emoldura o Pais.  

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