PONTO DE ORDEM

 
8 de January 2022 - às 15:27

O EXEMPLO DE CABO VERDE

 

"Quero, pois, exprimir o meu mais comovido reconhecimento ao povo de Cabo Verde, aqui nas ilhas e na Diáspora, pela magnífica jornada democrática que juntos protagonizámos nestes dias intensos de campanha para as eleições presidenciais. Uma vez mais, as cabo-verdianas e os cabo-verdianos deram provas de grande maturidade e de uma inquestionável assunção da Democracia, nos seus valores definidores, nas suas regras, na sua prática" - foi exactamente assim que no seu discurso de tomada de posse como Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, se apresentou ao seu povo".

E terminou com as seguintes frases:"Com profunda humildade e um inabalável sentido de compromisso com a Nação. Farei sempre o meu melhor, com todas as minhas capacidades e energias. Conto com o amparo fraterno, mas igualmente com o olhar sempre crítico e exigente das minhas irmãs e dos meus irmãos nesta caboverdianidade que nos une. Muito obrigado Cabo Verde!"

Nesse dia, o da tomada de posse, José Maria Neves "atacou", sem curvas inexactas e tremidas, o que por aí vem com a sua liderança; tem um desafio enorme pela frente, com muitas regras para ditar ou reeditar para que o povo caboverdiano siga a estratégia de consolidação da democracia e, nesse contexto, relembrou ao mundo que naquele país, em apenas um ano, foram realizadas três eleições : as autárquicas, as legislativas e as presidenciais, em pleno contexto da pandemia da Covid-19.
É obra! Num país que sobrevive através de parcos recursos financeiros sustentados pelo exterior, da sua enorme comunidade patriótica na diáspora, confrontado permanentemente com uma seca terrível, dependendo, sobretudo, de si próprio, não seria normal impor-se como um Estado Democrático de Direito. É deste arquipélago que se extraem lições de vida, de democraticidade nas suas instituições e que, ainda assim, não descansa nunca de, com transparência, trazer à tona os seus problemas internos.
E José Maria Neves pôs o dedo na ferida, perante a África e o Mundo:"o país vive uma situação de crise, a qual ficou revelada e agravada pela pandemia cujos efeitos têm sido extensos e profundos, designadamente nos planos social, económico e emocional também. A dívida pública e o deficit público estão em níveis muito preocupantes. São elevadas as taxas de desemprego e temos ainda na sociedade manchas significativas de pobreza. São acentuadas a desigualdade social e outras formas de exclusão social"- disse. Não escondeu a verdade, nem atirou por baixo dos tapetes a mentira.

De facto, foi uma tomada de posse presidencial tranquila.Notava-se nos rostos dos presentes à cerimónia a alegria de ver a passagem de um testemunho também tranquilo, com o antecessor a desejar muito sucesso ao que de agora em diante será "o Presidente de todas as caboverdianas e caboverdianos". Jorge Carlos de Almeida Fonseca, o presidente, deixou escapar uma frase digna de registo na hora da sua sucessão:" Estou feliz!" pela passagem deste testemunho...

E o que disse, José Maria Neves? Cá vai: "Agradeço ao povo cabo-verdiano pela enorme, genuína e entusiástica confiança em mim depositada para ser Presidente da República e reitero o meu compromisso de dedicar todas as minhas capacidades e energias ao melhor desempenho deste mais elevado cargo da nossa República. Podem contar comigo! Na atenção e no abraço do Presidente da República cabem todas e todos, sem excepção. Sou o Presidente de todas as caboverdianas e de todos os caboverdianos!

Exprimo uma saudação particular ao meu antecessor, Senhor Presidente Jorge Carlos de Almeida Fonseca, a quem cumprimento pelos relevantes contributos à Nação a esse mais alto nível, bem como pelas marcas imprimidas ao cargo enquanto renomado cultor das liberdades e promotor do Estado de Direito Democrático. Para ele e sua digníssima família os meus melhores votos de prosperidades".

José Maria Neves não deixou de recordar e saudar TODOS os seus antecessores... "Exprimo uma saudação particular ao meu antecessor, Senhor Presidente Jorge Carlos de Almeida Fonseca, a quem cumprimento pelos relevantes contributos à Nação a esse mais alto nível, bem como pelas marcas imprimidas ao cargo enquanto renomado cultor das liberdades e promotor do Estado de Direito Democrático... Saúdo o Senhor Presidente Pedro Pires, Combatente da Liberdade da Pátria, Cabouqueiro incansável desta nossa República, protagonista destacado da Transição para a Democracia e caso raro de renovação quotidiana e inspiradora na luta pelo bem comum...Igualmente , é com profundo respeito que recordo os Senhores Presidentes Aristides Pereira e António Mascarenhas Monteiro, exemplos de dedicação à Causa Nacional, duas personalidades marcantes e incontornáveis da História Contemporânea de Cabo Verde".

Enfim, quase nada ficou por se dizer... Por tudo isso, só resta confirmar: Cabo Verde é um Exemplo para a África e o Mundo.

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