REPORTAGEM

 
6 de março 2017 - às 12:08

OBRA DESALOJOU CENTENAS DE MUNÍCIPES 2017, O ANO DA LOTA PARA O PESCADO

Município da Baía Farta, com o registo de seiscentas toneladas de peixe congelado por dia, prepara-se para receber um centro moderno de venda. Está a ser erguido debaixo da choradeira de famílias que foram desalojadas de um bairro que albergou uma fábrica de conserva  

 

Depois de ter fechado 2016 com cento e vinte mil toneladas de pescado, o dobro do que se capturava até bem pouco tempo, o sector das Pescas em Benguela entra para o novo ano quase que proibido de perder a luta pela lota que implicou o desalojamento de 135 famílias. 

O crescimento em termos de produção, obrigando a uma cada vez mais notória aposta na congelação, impõe infra-estruturas de apoio à actividade pesqueira, surgindo como principal amostra do momento o centro de venda do peixe acabado de ser capturado. 

Avaliada em 14 milhões de dólares norte-americanos, a obra empurrou para centros de realojamento provisórios, entre armazéns e salas de aulas, as cerca de mil pessoas que viviam - muitas delas há mais de quarenta anos - no espaço onde o Governo Provincial está a construir. 

As moradias, já demolidas, debaixo de uma onda de protestos, ocupavam parte de uma área de três hectares, agora totalmente à disposição da lota, no bairro ‘’Maboque’’. É lá onde se encontrava a conhecida fábrica de conservas ‘‘Atlântico’’, que teve como funcionário o senhor Manuel Catimba, um dos vários cidadãos que protestaram. 

Prestes a avançar para reforma, lembra que deixa o bairro onde viveu desde 1972, a troco de um terreno cedido pela Administração Municipal. ‘’Não temos dinheiro para erguer casas condignas, que exigem muito material de construção, tais como tijolos, areia, cimento e telhas’’, lamenta. 

É dentro deste contexto que o governador provincial, Isaac Francisco Maria dos Anjos, apela ao sacrifício das famílias desalojadas em nome de uma obra que deveria ter sido executada há 60 anos. ‘’Temos de melhorar as condições de venda do peixe que a nossa população consome’’, justifica o governante, que destaca a construção de um cais para pequenas e médias embarcações. 

Dos Anjos sublinha a importância da transferência de famílias que ‘’viviam em acampamentos coloniais’’, onde tarimbas darão lugar a um espaço maior, e refere que o objectivo incontornável é que o empreendimento seja inaugurado ainda este ano. 

Com a primeira fase concluída, as autoridades esperam dar início no mais curto espaço de tempo ao processo de cedência de lotes a empresários do ramo da pesca de olhos nas áreas reservadas à comercialização. 

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