MUNDO

 
23 de maio 2018 - às 09:05

DEPOIS DE 60 ANOS... NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA CUBA: O FIM DA ERA DOS IRMÃOS CASTRO

Miguel Díaz -Canel o novo líder será o primeiro, desde a Revolução Cubana, com outro sobrenome e representando uma geração mais jovem do que aquela que pegou em armas para derrubar a ditadura de Fulgencio Batista (1952-1959) e desafiar os Estados Unidos (EUA), estabelecendo um regime socialista a 150 quilômetros de sua costa

 

A Assembleia Nacional de Cuba  escolheu o presidente da ilha caribenha.O novo presidente de Cuba assume num momento delicado a liderança dos destinos do país. A Venezuela, que fornece petróleo e sustentava o regime cubano, hoje enfrenta grave crise económica, marcada pela hiperinflação, o desabastecimento e o isolamento internacional.

Com a mudança de governo em 2017, os Estados Unidos recuaram no processo de reaproximação; primeiro passo para o fim do bloqueio económico, comercial e financeiro que continua impondo à ilha. O presidente norte-americano, Donald Trump, (eleito também com o voto dos cubanos; que imigraram para os EUA e que exigem a derrubada do comunismo na ilha) limitou viagens e investimentos (dos norte-americanos) em Cuba.

Raúl Castro diz que foi eleito presidente para “defender, manter e continuar aperfeiçoando o socialismo cubano, e não para destruí-lo”. A nomeação de Miguel Díaz-Canel representa o fim de uma era, mas muitos observadores acham que, na prática, pouca coisa mudará na vida dos 11,5 milhões de cubanos. O Partido Comunista de Cuba (PCC); continua a ser o único e Raúl Castro seu chefe até 2022.

O Partido Comunista,note-se, é o órgão máximo de decisão política. De acordo com a Constituição cubana, Raúl Castro deixa a presidência do país, mas não o cenário político – disse à Agência Brasil Erika Guevara-Rosas, directora para as Américas da Amnistia Internacional; uma organização de defesa dos direitos humanos. “Lamentavelmente, Cuba continua a ser um país que violenta, de forma massiva, as liberdades civis, políticas e de expressão.” Cuba é o único país do continente que não permite acesso oficial à Amnistia Internacional. 

(...) Miguel Díaz-Canel, de 57 anos, nasceu depois da revolução. Não usa farda, mas defende os ideais do Partido Comunista Cubano (PCC), onde actua desde jovem. “Sou como muitos neste país”, disse Díaz-Canel, antes de ser nomeado oficialmente e tomar posse como Presidente da República. “Formamos parte de uma geração que nasceu nos anos 60 e agradecemos muito toda a formação e as possibilidades brindadas pela revolução. Tivemos a oportunidade de participar dos processos de decisão nas organizações de base estudantis e da juventude”.

Reformas - Só houve uma sucessão presidencial na Cuba revolucionária e ela foi programada. Em 2006, Fidel Castro entregou o comando do país ao irmão caçula; primeiro interinamente, depois oficialmente. Fidel estava doente e morreu 10 anos depois. Nos últimos 12 anos, Raúl Castro adoptou algumas medidas de abertura. Meio milhão de cubanos hoje trabalham no sector privado.

Desde 2013, quem quiser... pode deixar o país, sem precisar de autorização para viajar ou ter que fugir de barco, numa perigosa travessia para a costa da Flórida. A compra e venda de imóveis e carros, mesmo limitada, foi permitida. E a Internet chegou à ilha, onde existem mais de 600 áreas públicas com conexão wifi.

No cenário internacional, Cuba participou da 7ª Cúpula das Américas em 2015. Foi a primeira reunião de líderes dos 35 países do Continente Americano com a participação do governo cubano. Até então, tinha sido vetada pelos Estados Unidos. A notícia foi o histórico aperto de mão entre Raúl Castro e o então presidente norte-americano, Barak Obama; marcando a reaproximação dos dois países, depois de mais de meio século de guerra fria.

Apontada como responsável por disseminar revoluções comunistas na região, Cuba patrocinou o acordo de paz entre o governo colombiano de centro-direita, do presidente Juan Manuel Santos, e os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). 

Sete mil rebeldes entregaram as armas, depois de 50 anos de conflito, para formar um partido político, que este ano disputou as primeiras eleições legislativas.

Com a morte de Fidel em 2016, a pergunta era sobre o futuro do país. Raúl Castro propôs ao partido limitar a idade (70 anos) e o mandato (dois períodos de cinco anos) dos dirigentes do PCC, além de uma reforma constitucional. E anunciou que deixaria a presidência, por decisão própria, em Abril deste ano.

 

Renovação - Para ex-combatentes da revolução, o sucessor de Raúl Castro representa a renovação da cúpula do regime comunista cubano. Alejandro Ferras Pellicer, de 94 anos, aposta nesta nova geração que, ao contrário da anterior, nasceu com direito à educação e que, segundo ele, estará mais preparada – intelectualmente e tecnologicamente – para lutar por uma sociedade mais igualitária.

O analista político cubano Rafael Hernández acredita que o novo governo enfrentará pressões internas por mudanças, porque as expectativas de melhores condições de vida vêm de longa data e cresceram com o tempo. Segundo ele, apesar de Cuba enfrentar hoje uma conjuntura internacional menos favorável, a ilha não está na mesma encruzilhada dos anos 90, quando a União Soviética (principal fornecedora de petróleo a Cuba e financiadora de partidos comunistas no hemisfério internacional) se dissolveu em 15 repúblicas separadas – entre elas, a Rússia. 

Nesses 60 anos, Cuba demonstrou ser capaz de sobreviver a várias crises; até a pior delas, nos anos 90, quando muitos pensavam que ficaria isolada e seria obrigada a mudar – disse, em entrevista à Agência Brasil, o analista político argentino Rosendo Fraga. “Com a saída de Castro, uma nova geração subirá ao poder. Mas a renovação será feita para manter o mesmo sistema em vigor”.

(In Correio do Brasil/"Pagina Global", texto adaptado). 

Miguel Díaz -Canel o novo líder será o primeiro, desde a Revolução Cubana, com outro sobrenome e representando uma geração mais jovem do que aquela que pegou em armas para derrubar a ditadura de Fulgencio Batista (1952-1959) e desafiar os Estados Unidos (EUA), estabelecendo um regime socialista a 150 quilômetros de sua costa

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