PONTO DE ORDEM

 
24 de October 2021 - às 07:11

NOVO PARADIGMA

Como o tempo passa tão rápido!? Vamos lá ver como é que as coisas estão. Numa só palavra: não estão bem. Aliás, estão muito más. Há que dizê-lo porque, apesar dos esforços do executivo liderado por si, em todas as esferas da vida há problemas sociais e económicos gravíssimos e há que resolvê-los imediatamente.É urgente, sob pena de se atrair movimentos de massas contestatários num período claramente eleitoral e isto trará danos irreparáveis na corrida presidencial que se avizinha.

 

No acto de investidura como Presidente da República, João Lourenço não tinha dúvidas sobre o que iria fazer durante os cinco anos de mandato que tinha pela frente. Árduos cinco anos, dificílimos de cumprir o programa eleitoral aplaudido de forma muito particular pela grande maioria dos militantes, simpatizantes e apoiantes de toda a ordem do MPLA. Depois de serem conhecidos os resultados esmagadores que João Lourenço obteve diante de um adversário sem grande hipóteses de vencer o pleito, logo surgiram luzes de esperança, reforçadas por um plano do governo ambicioso, prenhe também ele de gordas metas de desenvolvimento e bem nutridas de sonhos que, por exemplo, era, sim, possível arranjar-se num estalo mágico 500 mil empregos.Fome e miséria? Claro que não passariam à história de um povo de barriga vazia e mãos estendidas ao longo de mais de quarenta anos de uma governação cheia de sucessivos e clamorosos erros de gestão da coisa pública.


João Lourenço e o seu governo renovado com peças brilhantes, sabia ao que vinha. No princípio da sua ascensão ao poder.Talvez soubesse que encontraria os "cofres vazios" uma mão cheia de larápios para , através da justiça, colocar depois no xadrês, bem como o enfrentamento de uma crise económica grave deixada pelo seu antecessor.


No dia 26 de Setembro de 2017, tínhamos um Presidente cheio de energia, completamente envolvido por um apoio indefectível daqueles que se dispuseram a marchar com ele na longa marcha contra a corrupção e a impunidade que meteu nas lonas a ética, a moral, as boas práticas de governação, enfim, um país que, mesmo nos pires cenários económicos e financeiros, continua a ter tudo para vencer sem pedir esmolas a quem quer que seja.

Tínhamos um Presidente, naquele dia glorioso, farto de esperanças, plenamente convencido de que conseguiria atingir os seus objectivos imediatos. Surgiram barreiras capazes de desmoralizar qualquer líder, colocar de sentido os seus "escolhidos", alguns dos quais, em menos de um ano, foram varridos da lista, um a um, de forma sistemática. Fê-lo na hora certa.Continua a fazê-lo sem reticências, incluindo nos tais poderes esverdeados e que cheiram a pólvora. "Varreu" e tornou a "varrer", indistintamente e ao que parece não terá sido tarefa fácil. Doeu em alguns casos mais específicos, como é vidente.

Foi no dia 26 de Sertembro de 2017 e ele disse: "neste novo ciclo político que hoje se inicia, legitimado nas urnas, a Constituição será a nossa bússola de orientação e as leis o nosso critério de decisão. A construção da democracia deve fazer-se todos os dias, mas ela não compete apenas aos órgãos do poder do Estado. Ela é um projecto de toda a sociedade, um projecto de todos nós. Vamos, por isso, construir alianças e trabalhar em conjunto, para podermos ultrapassar eventuais contradições e engrandecer o nosso país".

João Lourenço não teve mesmo dúvidas e lançou o repto no mesmo dia da sua cerimónia de investidura, perante a àfrica e o mundo. Diante de amigos e inimigos internos e externos. Mais tarde veio a saber-se que muitos dos que foram parar às barras dos tribunais ou os que possam brevemente ver-se nos bancos dos réus lá estavam a aplaudir aquele que seria o discurso mais importante da sua vida.

Como o tempo passa tão rápido!? Vamos lá ver como é que as coisas estão. Numa só palavra: não estão bem. Aliás, estão muito más. Há que dizê-lo porque, apesar dos esforços do executivo liderado por si, em todas as esferas da vida há problemas sociais e económicos gravíssimos e há que resolvê-los imediatamente.É urgente, sob pena de se atrair movimentos de massas contestatários num período claramente eleitoral e isto trará danos irreparáveis na corrida presidencial que se avizinha.

É urgente mudar-se do paradigma da governação em relação ao sector social principalmente.Há fome! Desemprego e desesperança de milhões de jovens sem tecto e escolas; sem um plano institucional de apoio a quem está desiludido com as promessas eleitorais que se vão repercurtir ainda mais nos dias que correm. Todavia, João Lourenço sabe, como ninguém, que "mais vale estar só do que mal acompanhado". Por isso, vai continuar a "varrer" para fora do seu círculo os que não alinham num desejo expresso há cerca de quatro anos: " Procurarei marcar este mandato por uma atitude responsável perante os problemas da Nação. É importante que quem quer que venha a exercer funções no Executivo se preocupe com esta missão, que deve comungar-nos a todos, para além da cor política ou das opções ideológicas de cada um. O interesse nacional tem de estar acima dos interesses particulares ou de grupo, para que prevaleça a defesa do bem comum", disse!.

 

Victor Aleixo
victoraleixo12@gmail.com

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