ÁFRICA

 
23 de maio 2018 - às 09:01

NÃO É QUE A LISTA ESTÁ A MINGUAR ? OS NOSSOS “VELHOS” PRESIDENTES RESISTEM

O Ocidente tem apresentado a África como um continente onde os sistemas democráticos impostos em alguns países é uma “autêntica palhaçada”. Raramente os governantes dos países europeus dizem tal “miminho” na cara da maior parte dos presidentes africanos . Preferem falar entre si, fazem chacota nos corredores dos palácios onde ao longo de todos estes anos vão conversando amigavelmente com os tais “ditadores”, líderes “anti-democratas”, “irmãos africanos do mesmo sangue” (sic!). Para muitos,  na base dos abraços e afagos adocicados por um volume de negócios que produz biliões de dólares a favor dos seus países.

Gozam com os “velhotes” do continente no poder, mas, no fundo, lá os vão engolindo nas maior das calmas. Enquanto isso, apesar de dois ou três presidentes  com a idade acima da média terem sido forçados a abandonar o cargo, restam alguns  bem teimosos. Ora porque o povo quer ou se conforma com as bengaladas dos velhotes; ora porque ainda existe o espírito da “caça às bruxas” em certas regiões deste mundo ingrato ( vai-se lá saber o que se passará depois de se deixar o tacho…); ora porque se está constantemente a mudar a Constituição…Enfim, o que se sabe é que o mel dos tronos ninguém é capaz de os tirar. Felizmente, a lista está a ficar cada vez mais pequena. Ora vejamos, conforme lista publicada pela MSN: 

 

ARGÉLIA: Abdelaziz Bouteflika- Abdelaziz Bouteflika tem 81 anos, conta com 19 no poder e tudo indica que vai tentar a reeleição em 2019, num país onde não há limite de mandatos. Em 2013 sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), mas nem a idade, nem o estado de saúde parecem travar o Presidente. 

 

CAMARÕES: Paul Biya - Aos 85 anos, Paul Biya é o Presidente mais velho do continente africano e apenas ultrapassado em anos no poder pelo líder da vizinha Guiné Equatorial. Este ano, deverá concorrer novamente às eleições, depois de uma revisão à Constituição, em 2008, retirar os limites aos mandatos. 

 

GUINÉ-EQUATORIAL: Teodoro Obiang Nguema - Teodoro Obiang Nguema é actualmente o líder africano há mais tempo no poder, depois de, em 2017, José Eduardo dos Santos ter deixado o cargo de Presidente de Angola, que ocupava também desde 1979. Nas últimas eleições do país, em 2016, Obiang afirmou que não voltaria a concorrer em 2020. 

 

RUANDA: Paul Kagame - Paul Kagame lidera o Ruanda desde 2000. Depois de vencer eleições em 2017, poderá continuar no poder até, pelo menos, 2034. Assim ditou a consulta popular realizada em 2015 que acabou com o limite de dois mandatos presidenciais. 

 

UGANDA: Yoweri Museveni - Com mais de 30 anos no poder, Yoweri Museveni é, para uma grande parte dos ugandeses, o único Presidente que conhecem. 75% dos actuais 35 milhões de habitantes nasceram depois de Museveni ter subido ao poder. Em Dezembro de 2017, foi aprovada a lei que retira o limite de idade (75 anos) para concorrer à Presidência. Com 73 anos, Museveni já pode concorrer ao sexto mandado, nas eleições de 2021. 

 

BURUNDI: Pierre Nkurunziza- O terceiro mandato de Nkurunziza gerou uma onda de protestos entre a população que, de acordo com o TPI, terá causado cerca de 1200 mortos e 400 000 refugiados. Em Maio de 2018, terá lugar um referendo para alterar a Constituição que permitirá ao Presidente continuar no cargo que ocupou em 2005 até 2034.

 

GABÃO: Ali Bongo Ondimba - Ali Bongo ainda está longe de quebrar o recorde do pai, que esteve 41 anos no poder, mas já vai no terceiro mandato, ganho em 2017, no meio de muita contestação. Recentemente, a Constituição do Gabão foi revista e além de acabar com o limite de mandatos, também permite ao Presidente tomar decisões unilateralmente. 

 

CONGO: Denis Sassou Nguesso - Foi também uma alteração à Constituição que permitiu que Denis Sassou Nguesso voltasse a candidatar-se e a vencer as eleições em 2016. Já são mais de 30 anos à frente do país, com uma pequena interrupção entre 1992 e 1997.

 

TOGO: Faure Gnassingbé - Em 2005, Faure Gnassingbé substituiu o pai, que liderou o país durante 38 anos. Ao contrário de outros países, o Togo não impunha um limite aos mandatos. Em 2017, após protestos da população contra a "dinastia" Gnassingbé, foi aprovada a lei que impõe um limite de mandatos. No entanto, a lei não tem efeitos retroactivos, pelo que o ainda Presidente poderá disputar as próximas eleições, em 2020. 

 

ZÂMBIA: Edgar Lungu - Edgar Lungu é dos que está no poder há menos tempo, apenas desde 2015, mas já vai no segundo mandato - que deveria ser último. Contudo, Lungu pretende recandidatar-se em 2021. Alega que o seu primeiro mandato não contou, uma vez que apenas substituiu o anterior presidente, Michael Sata, que faleceu em 2014, além de ter sido por um curto período, longe dos cinco anos previstos para um mandato. 

 

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