SOCIEDADE

 
29 de julho 2017 - às 07:23

MULHERES EMPRESÁRIAS CONQUISTAM O MERCADO

Estamos na era da globalização, em que o sonho de muitos já não é ser funcionário, mas sim empreendedor. Criar emprego e produzir ou prestar serviços com qualidade

 

O empreendedorismo é o paradigma da “nova era”, com crise ou sem, entramos para uma fase de crescimento e afirmação empreendedora, de ter grandes ou pequenas ideias e ir atrás da materialização das mesmas e como tal, as mulheres não estão fora desta nova onda. O que se diz sobre as mulheres empreendedoras em Angola, o que têm feito?

Segundo um relatório publicado pela Federação das Mulheres Empreendedoras em Angola, 40% das mulheres são empreendedoras e não estão alheias à dinâmica do mundo dos negócios. Outra pesquisa internacional sobre o empreendedorismo no nosso país refere que os homens são os que mais empreendem. Este quadro deve-se ao reduzido acesso das mulheres ao capital financeiro e social e que uma vez ultrapassado este obstáculo, implicaria o aumento de mulheres empreendedoras.

Apesar de ser uma caminhada lenta, aos poucos as mulheres se fortalecem cada vez mais no mercado de trabalho, deixam de ser simples assistentes ou funcionárias e passam a ser figuras fundamentais, ou seja, liderar os seus próprios negócios. 

Nos últimos anos, a participação feminina na área empresarial cresceu em todo o mundo, elas superaram as expectativas e investem em diferentes áreas de actuação, desde o sector de prestação de serviços ao do comércio, com maior relevância.

Actualmente, é possível encontrarmos diversos casos de mulheres empresárias de Sucesso. As mais notáveis começaram absolutamente do nada e conseguiram colocar no mercado uma marca, capaz de render milhões por ano. 

De um tempo a esta parte, em Angola, a contínua batalha pela conquista da autonomia feminina tornou-se bastante evidente no campo do empreendedorismo. Tal conquista evidencia-se pelo aumento progressivo de mulheres com o seu próprio negócio o que denota o seu importante papel como agentes de mudança económica e social.

Não é apenas um sonho que se concretiza, mas também, uma conquista da sua emancipação, já que ela foi sempre reduzida ao lar e à lida dos filhos.

Tendo em conta este contexto é importante dar voz às mulheres que alcançaram sucesso no sector empresarial. Egídia Torres dos Santos é uma destas senhoras. Entrou para o mundo de negócios há 10 anos. Tinha, na altura, trinta anos e  interessou-se pela área farmacêutica de que já possuia conhecimento. Com o apoio do marido, criou assim o seu próprio negócio e hoje é uma empresária de sucesso.

Apesar dos entraves, Egídia Torres não deistiu, continuou até estabilizar o seu negócio e pretende expandir a sua actividade nas demais províncias do país que solicitam os seus serviços.

Para além do empresariado, a empresária dedica-se também a acções de caridade e solidariedade para com os mais necessitados, com doação de bens de primeira necessidade e não perecíveis.

Egídia Torres apela às demais mulheres a continuarem a lutar pelos seus sonhos e nunca desistirem porque a persistência é a chave do sucesso.

Passou por bons e maus momentos, mas com persistência, coragem e determinação conseguiu superar todas as barreiras e dificuldades. A empresária Egídia Torres é um exemplo de mulher a seguir por outras que também têm o mesmo sonho.

Toda a mulher empreendedora planeia o seu futuro e o dos demais. A empresária Severina Coelho, começou por ajudar o próximo e hoje é uma das maiores fornecedoras de pão a nível da capital do país, possui várias padarias e enveredou também no ramo da hotelaria e turismo.

Para a empresária, toda a mulher é empreendedora por natureza, por causa da sua sensibilidade de saber e poder gerir a economia doméstica e a sua preocupação com o desenvolvimento da sociedade em que está inserida, tendo em conta que a pobreza é uma grande barreira para o desenvolvimento sócio-económico de uma sociedade.

A perspectiva, é de continuar a ajudar as pessoas mais carentes, através da luta contra a pobreza, que graça muitas famílias angolanas, disse a empresária Severina Coelho.

Apesar das responsabilidades que pesam sobre si, como mãe, esposa e empresária, Severina Coelho consegue conciliar as suas tarefas, que segundo ela, não tem sido fácil, mas possível.

Teresa dos Santos é outra mulher empresária que actua no ramo da educação. Com cinquenta e quatro anos de idade, natural de Luanda, exerce a actividade há vinte anos. 

Dificuldades existem sempre, o importante é não desistir no recorrer da nossa actividade elas nos acompanham temos é que saber contorná-las, porque com perseverença tudo se consegue, principalmente quando estamos focados na meta a atingir, disse a empresária Teresa dos Santos.

A empresária apelou a uma maior celeridade dos bancos, na concessão de créditos bancários para facilitar a concretização de projectos e sonhos de muitas mulheres empreendedoras angolanas, que se vêm a braços para começar o seu próprio negócio, por falta de um capital inicial.

O empreendedorismo no feminino no país demonstra que as mulheres angolanas não estão alheias as oportunidades que o mercado oferece. Temos como exemplos as empresárias Rosa Palhares, Teresa Alves, Rosa Preciosa, Aurora Lopes, Nadir Taty e tantas outras, que são provas vivas de como as mulheres angolanas têm vindo a contribuir para o desenvolvimento da economia nacional e conquistar o seu espaço no mundo empresarial que era e ainda é nos dias de hoje, dominado por homens.

Kuanza-sul, é uma das províncias do nosso país que tem vindo também a dar indícios de crescimento epresarial com forte participação de mulheres que decidiram dar o seu contributo no desenvolvimento económico e social da região e do país em geral. 

Maria Prazeres é uma dessas mulheres, natural do Kwanza-Sul, município de Porto Ambuím. As dificuldades por que passou para sustentar a família, fizeram com que ela criasse uma pequena lavra de subsistência milho e batata doce e rena. Posteriormente, passou a vender pão e carvão de lenha. 

Com a ajuda do pai como investidor que lhe forneceu o capital inicial, Maria Prazeres investiu na agropecuária e venda de medicamentos tradicionais, facto que permitiu aumentar os seus rendimentos financeiros.

Apesar de chegar onde chegou, a empresária ainda não se sente totalmente realizada, porque o desejo é dedicar-se a cem por cento nos seus negócios após a reforma, uma vez que também é funcionária pública.

Sonha em obter resultados significantes, criar mais empregos para os jovens, melhorar o nível de vida das pessoas da sua comunidade e participar activamente na diversificação da economia angolana, contudo, lamenta a falta de financiamento dos bancos, facto que está a condicionar o progresso de muitas mulheres no ramo do empreendedorismo nacional.

Vamos terminar esta abordagem sobre mulheres empresárias de sucesso com uma frase de Luiza Helena Trajano, empresária brasileira: Empreendedorismo é fazer acontecer, independentemente do cenário, das opiniões ou das estatísticas. É ousar fazer diferente, correr riscos, acreditar no seu ideal e na sua missão. 

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