DOSSIER

 
6 de setembro 2017 - às 08:15

MULHERES DÃO CARTAS NA LUTA POLÍTICA

 As eleições de Agosto deste ano foram muito disputadas e em meio à luta política ressaltaram mulheres de fibra, candidatas dos diferentes partidos políticos, que pelo seu percurso e capacidade de intervenção fizeram a diferença. Nos três principais partidos (MPLA, UNITA e CASA-CE) as mulheres demostraram que têm peso nos partidos políticos

 

ANA DIAS LOURENÇO: Ao lado do esposo, João Lourenço, Ana Dias Lourenço marcou a campanha eleitoral e mesmo sem ter tido muitos momentos de intervenção a sua presença foi notada e provou ser uma figura aglutinadora. Em muitos momentos o seu percurso enquanto membro do Governo (foi durante muitos anos Ministra do Planeamento) e a sua experiência em instituições internacionais foi ressaltada uma vez que a competência e o mérito são a sua marca.  Ana Dias Lourenço, que sempre foi uma mulher influente no seu partido, tem agora muito mais responsabilidades e certamente vai dar cartas no jogo político nacional. 

 

LUZIA INGLÊS “INGA”: no MPLA, partido maioritário, o envolvimento das mulheres na luta política acompanha a história do partido. Luzia Inglês “Inga”, é a influente líder da Organização da Mulher Angolana (OMA). Candidata a deputada número 5 do MPLA, a líder da OMA esteve envolvida em todas as fases da campanha, especialmente na mobilização das mulheres. Um dos pontos mais altos do seu envolvimento na campanha foi o encontro do candidato do MPLA, João Lourenço, com as mulheres, em que foram mobilizadas milhares de mulheres, um momento marcado pela alegria e a emoção e considerado pelos analistas como o evento com grupos específicos da sociedade em que os participantes foram mais espontâneos. Abnegada e respeitada no seio do “M” “Inga” é das mulheres envolvidas na política com mais influência no país.

 

JOANA LINA: Conhecida pela sua dedicação ao trabalho e capacidade de liderança, Joana Lina é das mulheres mais influentes da vida política no país. A par de Luzia Inglês “Inga” integra o Secretariado do Bureau Político do MPLA e é a Secretária para a Administração e Finanças do “M”, um cargo de grande responsabilidade. Alegre e interativa, Joana Lina esteve presente em muitos eventos da campanha do seu partido tendo contribuído para o sucesso da campanha do maioritário considerada por vários analistas como a melhor de todos os processos eleitorais que o país já viveu. Joana Lina é, sem dúvidas, das mulheres que marcou a campanha eleitoral deste ano. 

 

HELENA BONGUELA ABEL: A “sra. LIMA”, presidente da organização de mulheres do maior partido da oposição, a UNITA, aparece no quarto lugar na lista de candidatos a deputados da UNITA. Interventiva, Helena Bonguela aglutina as mulheres na sua formação política e esteve presente na maior parte dos grandes eventos da campanha do “galo negro”. As mulheres estiveram em massa nos grandes comícios da UNITA, tanto em Luanda como em outras províncias do país, o que para ela é um ganho e reforça a sua posição no seu partido. Foi uma das mulheres que marcou esta campanha eleitoral.

 

MIHAELA WEBA: A jovem professora universitária que já vem de um mandato como deputada foi interventiva nesta campanha eleitoral. Na lista de candidatos da UNITA é a número 17, ela esteve presente em vários eventos da campanha eleitoral, falou aos angolanos no tempo de antena do seu partido e foi muito interventiva nas redes sociais, comentando os assuntos referentes à UNITA e também colocando a sua opinião sobre o processo. Combativa e frontal, Mihaela Weba é das jovens que ressalta na vida política nacional e fez ouvir a sua voz nas eleições deste ano. 

 

MIRALDINA JAMBA:  Miraldina Jamba, histórica militante da UNITA, que já foi líder da LIMA, a sexta candidata na lista de candidatos a deputados da UNITA, esteve sempre presente ao longo da campanha eleitoral, inclusive no tempo de antena do seu partido político. Para além do respeito no seu partido é também respeitada por mulheres de outras formações políticas e pela sociedade civil. A sua presença na campanha eleitoral foi marcante.

 

CESINANDA XAVIER: Ela sem dúvidas marcou o nosso processo eleitoral, foi a única mulher indicada por um partido político como mandatária da lista e cumpriu o seu papel com sucesso. Cesinanda Xavier dedicou-se à CASA-CE desde as eleições passadas e é uma das vice-presidentes da coligação. Enquanto mandatária esteve envolvida em todo o processo de preparação da candidatura do seu partido e também fez ouvir a sua voz na campanha sendo, assim, das mulheres que realmente dá cartas na vida política nacional. 

 

FNLA, PRS E APN 

CONCORREM ÀS ELEIÇÕES COMA REPRESENTAÇÃO FEMININA POSSÍVEL

Contrariamente aos principais partidos políticos a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), o PRS e a APN concorrem com listas compostas maioritariamente por homens 

A FNLA apresenta ainda trinta  candidatas a deputadas pelos círculos provinciais, entre efectivas e suplentes, com o maior número em Luanda, com quatro (4) concorrentes e três (3) no Bié.

A soma dos dois círculos totaliza sessenta e três (63) mulheres, o que corresponde a 34%, num universo de duzentos e vinte  deputados a serem eleitos na próxima legislatura.

A FNLA, que tem à testa o veterano político Lucas Ngonda, não apresenta candidaturas femininas aos cargos de Presidente da República e de vice PR. No lote dos primeiros vinte candidatos, estão apenas três  senhoras.

Em entrevista ao canal “O Valor do Meu Voto” do Fórum das Mulheres Jornalistas e de Igualdade do Género, Lucas Ngonda, questionado sobre se a sua organização iria aumentar o número de mulheres às eleições de Agosto de 2017, o líder partidário não avançou números, alegando que devido à falta de condições, a inserção do género feminino na sua organização estava “bastante limitada”.

O líder político lamentou a falta de recursos financeiros para cativar mais mulheres, mas garantiu que tudo estava a ser feito no sentido de incrementar a presença feminina no seio da FNLA.

O candidato a Presidente da República, pelo seu partido recordou que a sua formação política tinha, no passado, muitas mulheres no seu seio que, segundo Lucas Ngonda, já chegaram a ocupar lugares de destaque, sobretudo na luta de guerrilha contra o colonialismo português.

Nas eleições passadas, a FNLA concorreu com trinta e uma  mulheres efectivas, nenhuma suplente, no círculo nacional. Pelos círculos provinciais apresentou uma lista de treze (13) concorrentes e elegeu dois (2) deputados, pelo círculo nacional.

O Partido de Renovação Social (PRS), uma das mais antigas formações políticas que emergiu nos anos de 1992, concorre ao círculo nacional com vinte e quatro mulheres efectivas e nenhuma suplente; no círculo provincial apresenta uma lista de trinta e oito (38) mulheres.

O partido dirigido por Benedito Daniel não concorre com nenhuma senhora aos lugares de Presidente e vice-Presidente da República. Apresenta apenas duas senhoras nos primeiros vinte (20) lugares elegíveis ao Parlamento.

Não foi possível aceder à lista de concorrentes desta formação política nas eleições de 2012, por não estar disponível no site do Tribunal Constitucional.

Nas eleições precedentes conseguiu eleger três deputados, dois do círculo nacional e um no círculo provincial da Lunda Sul.

A Aliança Patriótica Nacional (APN), que concorre pela segunda vez, embora com outra designação, apresenta na sua lista de candidatos ao Parlamento quarenta e quatro mulheres efectivas e dez suplentes, no círculo nacional, o que dá um total de cinquenta e quatro.

Dirigida por Quintino Moreira, a APN concorre com trinta e sete  mulheres para os círculos provinciais, dentre efectivas e suplentes.

Na lista deste partido não figura nenhuma mulher para o cargo de Presidente da República ou vice-presidente, embora apresente cinco mulheres nos primeiros vinte lugares da lista. A soma das duas listas perfaz noventa e uma mulheres. 

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