MUNDO REAL

 
22 de July 2019 - às 07:44

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E OS DESAFIOS DO PRESENTE E DO FUTURO

As mudanças climáticas têm impacto negativo para as comunidades de pescadores que trabalham na referida zona sendo que uma das preocupações mais relatadas é a diminuição dos índices de captura do pescado, uma situação que afecta a renda das famílias que vivem da pesca.

 

O efeito das mudanças climáticas é um grande desafio para o mundo actual pelas graves consequências no contexto actual e para as gerações futuras. Mudanças de temperatura, precipitação, nebulosidade e outros fenómenos climáticos preocupam uma vez que vêm se alterando em relação às médias históricas. 

Processos naturais e o impacto da acção do homem na natureza estão na base das mudanças climáticas. Diante do consenso da comunidade científica quanto ao aumento da temperatura na Terra, a ONU aprovou a Convenção Quadro sobre as Mudanças Climáticas Globais, subscrita pelos chefes de estado reunidos no Rio de Janeiro durante a Rio-92. Sete anos depois, em 1997, como a recomendação da Convenção para que os países desenvolvidos reduzissem as suas emissões não estava sendo cumprida, foi aprovado, dentro do seu marco jurídico, um novo instrumento – o Protocolo de Quioto, para estabelecer prazos e metas obrigatórias.

No caso de Angola para além de outras preocupações ligadas as mudanças climáticas, temos a questão do impacto no Grande Ecossistema Marinho da Corrente de Benguela onde se registaram mudanças com realce para o aquecimento das águas superficiais do mar nas fronteiras norte e sul do sistema nas últimas décadas, também houve indicações durante o mesmo período de resfriamento nas áreas costeiras ao longo das costas oeste e sul da África do Sul, que podem ser resultado de aumentos nos ventos que geram ressurgência como se pode ler no documento do projecto de “Aumento da Resiliência às mudanças climáticas no Sistema de Pescas da Corrente de Benguela”, que está a ser implementado pela Convenção da Corrente de Benguela.

As mudanças climáticas têm impacto negativo para as comunidades de pescadores que trabalham na referida zona sendo que uma das preocupações mais relatadas é a diminuição dos índices de captura do pescado, uma situação que afecta a renda das famílias que vivem da pesca.

Devido a esta questão é necessário que sejam tomadas medidas para dar resposta ao impacto das mudanças climáticas. O projecto “Aumento da Resiliência às mudanças climáticas no Sistema de Pescas da Corrente de Benguela”, que está a ser implementado pela BCC com o apoio de Angola, Namíbia e África do Sul e com o suporte do Fundo Global para o Ambiente e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) é uma importante iniciativa neste sentido. O objectivo desta iniciativa é construir resiliência e reduzir a vulnerabilidade às alterações climáticas dos sectores de pesca marinha e maricultura no Grande Ecossistema Marinho da Corrente de Benguela através da implementação de estratégias de adaptação para garantir a segurança alimentar e de subsistência.

Iniciativas como estas são importantes por permitirem dar resposta a um problema concreto. O ecossistema da Corrente de Benguela pela sua riqueza e extensão é de grande importância daí que os três países que partilham este ecossistema (Angola, Namíbia e África do Sul) se tenham unido para garantir a protecção das espécies e apoiar também as comunidades que vivem nesta zona.

É importante abordar estas questões ligadas as mudanças climáticas na Corrente de Benguela pois é preciso aumentar a consciencialização a nível local, nacional e regional sobre a importância de abordagens multissectoriais para adaptação e aumento da resiliência aos impactos climáticos, com enfoque especial na pesca e a aquicultura. O envolvimento das comunidades das zonas costeiras neste processo garante que todo o trabalho tenha em conta a perspectiva daqueles que lidam diariamente com o problema das mudanças climáticas. 

Ao mesmo tempo é importante que sejam feitas pesquisas para se acompanhar o impacto das mudanças climáticas na região e como as populações estão a responder a esta realidade que preocupa cada vez mais não apenas os governos mas a sociedade em geral. 

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