CULTURA

 
6 de setembro 2017 - às 08:08

MUAMBY WASSAKY REALÇA: "SE O ARTISTA É VIRTUOSO, A ARTE É PERFEITA"

Muamby Wassaky é um artista angolano multidisciplinar que vive e trabalha em Luanda. Membro fundador da colectiva de artistas “Os Nacionalistas” e membro da associação do Teatro Elinga. Fundamentalmente Estilista, Wassaky tem participado em várias exposições como artista plástico, explorando linguagens como pintura, instalação, escultura e fotografia.

De forma descontraída e aberta, o artista fala à Figuras & Negócios sobre o seu dia-a-dia

 

Figuras&Negócios (F&N): Em sua opinião, como anda o mercado de Artes Plásticas em Angola?

Muamby Wassaky (M.W.): Falar de mercado de arte em Angola é falar do mercado angolano económico, a arte, sendo fundamental para a produção de valor social, deveria ser constante a sua produção, sendo proactiva enriquece o conhecimento, mas, no entanto, está debilitada.

F&N: Embora o cidadão comum não perceba, a arte está presente em seu quotidiano. Qual foi o factor principal que o levou a este mundo?

M.W.: Fui atraído pela liberdade de ser, e proponho minhas habilidades nestas modalidades artísticas, mesmo sendo formado em cultura agrária.

F&N - Já trabalhou ou tentou trabalhar com outras técnicas, assim como outros materiais e tendências como escultura e outros?

M.W: Como artista multidisciplinar, trabalho explorando conceitos na moda combinado na arte contemporânea, fotografia, pintura, vídeo, reciclagem, entre outros.

F&N- Tendo em conta a massificação, existe alguma preocupação nos seus trabalhos para com as crianças?

M.W: A Arteologia, nome da minha última  exposição, tem forte  componente informativo e didáctico e desde 1995 trabalho com crianças, associado a uma associação de artistas que muito colaborou com ong, pintando em escolas, e como estilista participei no show criança futuro.

F&N- A arte pode funcionar como uma válvula de escape para manter um maior equilíbrio emocional tanto daqueles que a "consomem" quanto dos que a produzem, a procura é evidente?

M.W: Se o artista é virtuoso a arte é perfeita, ela tanto pode funcionar como válvula de escape como de admissão, como terapeuta, historiador, ou vilão etc.

F&N- Como vê o momento cultural nos dias de hoje?

M.W: (...) a cultura é científica, sendo um elemento científico também é tecnológico, sendo assim a ciência produz necessidade para misturar cultura e humanidade. “É boa”, o mundo está mais aberto às tendências do pensamento orgânico , à Natureza.  A cultura vem testificar a importância do bom.

 F&N - É possível sobreviver de arte num país como Angola ?

M.W: Somos um povo especial” e assim sendo “é possível sobrevivier” de arte. Nesta perspectiva ela funcionará como uma válvula de escape mas espero um dia viver dela.

 F&N- O que falta actualmente para incentivar mais o gosto dos jovens pelas artes?

M.W: Não só de pão se vive, mas de todo o conhecimento necessário transmitido, pó-los em prática no rigor e aproximar mais a juventude dos seus sonhos, a arte é um condutor que combina bem com prioridades, cataliza!

 F&N- A ausência de público não é problema somente nas artes plásticas. A maioria das galerias, lançamentos de livros, cinema e teatro também sofrem do mesmo problema. 

MW: Penso que dada a valorização dos planos primários, direcionamos mais importância em solidificar algumas culturas, como a económica e a da personalidade e a sensação que fica é que algumas pessoas pensam que quem consome arte tem vida folgada, na verdade ela deveria estar presente em todos os meios de formação para exercitar e estimular o conhecimento.

F&N-Que conselho daria a um jovem aspirante a artista plástico? 

MW: Ser artista é ser contínuo e esta continuidade é sustentada pela razão. Ser razoável é partilhar importância, partilhar é estruturar!

F&N - De que forma as autoridades podem ajudar para que iniciativas desta natureza possam se desenvolver?

MW: Diminuir alguns escassos em gastos desnecessários, somos o que consumimos, bem sabemos que existem movimentos artísticos por Luanda centro, e lá está, Luanda encerra uma visão nacional; exercitar o mecenato , proteger estes valores intelectuais, sendo eles feitos por Angolanos e que muitos deles têm prestado boas referências no mundo comteporâneo. 

 

QUEM É MUAMBY WASSAKY 

Muamby Wassaky nunca foi homem de uma só arte. Da moda às artes plásticas, passou pela fotografia.

A exposição de esculturas de pedra calcária é a mais recente obsessão do artista de 50 anos. Para trás ficaram tantas outras, mas todas com esse denominador comum e próprio de um artista que se forma à medida que vai experimentando tudo.

Começou a fazer moda por curiosidade e necessidade em 1996. A mãe, costureira de profissão, ficou surpreendida quando o filho demonstrou ser conhecedor da técnica ao desenhar e costurar todas as peças do seu primeiro desfile. Agrónomo de formação, não seria de esperar que alcançasse, logo na primeira vez em que participou, o prémio Red Style no Moda Luanda, em  2003, e estilista do ano em 2005.

Não se ficou por aí, manteve um atelier no famigerado Elinga, onde também “vestiu” personagens que ali subiam ao palco da Associação Elinga Teatro. Ao mesmo tempo, forjava com outros artistas o movimento colectivo Os Nacionalistas. Trabalhou em projectos colectivos como o Fuck’in Globo, produções no Elinga Teatro, na Trienal de Luanda e fez várias colaborações com Kiluanji Kia Henda.

 Muamby Wassaky fez um pouco de tudo, explorou linguagens como a pintura, instalação, fotografia e, agora, a escultura. Pelo caminho, as pedras como único recurso e objecto de observação e elevação.

“Arteologia” é, segundo o artista, “um manifesto natural em forma de escultura de arte que carrega caracteres expressivos da vida humana e inumana”. É parar para “ver e ouvir a pedra”, deixar-se levar pela beleza dos contornos desenhados ao acaso pela natureza e permitir que este objecto inanimado fale de alguma forma. O artista é o colector, o que se deixa cativar pela forma inusitada das estruturas calcárias, e é também quem as eleva a uma existência legitimada pelo Criador.

 

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