ÁFRICA

 
6 de março 2017 - às 12:23

MOÇAMBIQUE PAZ COM RECEIOS

Embora vigore em todo Moçambique um pretenso cessar-fogo na guerra que opõe tropas do governo a militares da Renamo que inviabilizam a circulação de pessoas e bens, é ténue a confiança numa paz efectiva e duradoura não obstante os últimos desenvolvimentos políticos envolvendo contactos telefónicos entre o Presidente da República, Filipe Nyussi e Afonso Dlakhama que se encontra refugiado nas matas algures em Gorongosa

 

O certo é que de momento a guerra parou, os mediadores internacionais que negociavam a paz estão a ser substituídos por um processo negocial que mobilizará apenas cidadãos nacionais e a Renamo já prometeu,na voz do seu líder, o regresso à política activa, sem armas, e por isso pede às populações que regressem às suas casas que haviam abandonado alegando insegurança.

Nas províncias do centro do País as actividades políticas do maior partido da oposição moçambicana estiveram cerca de dois anos paralisadas devido à tensão político militar e agora, comenta-se em Moçambique, a Renamo pretende reactivar as suas sedes e reatar laços com os governos provinciais, a pensar já nas autárquicas do próximo ano. "Vamos reiniciar as actividades políticas, ninguém irá sequestrar as pessoas, tudo terminou" -garantiu o líder da Renamo, Afonso Dlhakama, em teleconferência perante os seus membros em Tete. "Temos de estar prontos para derrotar por completo a FRELIMO nas próximas eleições autárquicas de 2018" -acrescentou o líder que entretanto continua retido nas matas.

Nas últimas semanas, para além de encontros com os governos provinciais, representantes da Renamo reuniram-se também com os comandantes provinciais tendo, uma vez mais, o partido armado convidado as populações a voltarem às suas residências e actividades normais no âmbito de tréguas entre o maior partido da oposição e o governo de Moçambique. Tréguas que merecem desconfiança de algumas forças políticas, notadamente do MDM, de Daviz Simango que continua a reivindicar "passos mais ousados", como mexidas na actual Constituição para se acreditar em paz genuína para Moçambique.

No diapasão de cepticismo quanto a paz está o jornal Verdade que em Editorial de 11 de Fevereiro atacou de forma directa o Presidente Filipe Nyussi.

"Definitivamente, o governo moçambicano não é sério, pois, além de incompetente e medíocre, é deveras patético, para não falar do seu lado prepotente. Se porventura existisse o ranking dos piores e mais ridículos governos do mundo, sem sombras de dúvidas a primeira posição seria ocupada por mérito próprio pelo governo da Frelimo. Até porque reúne todos os requisitos necessários: é um governo sem agenda, que vive medindo a paciência dos moçambicanos"-escreve o jornal na matéria com o título Haja paciência!

Um jornal que não se identifica com a linha política, quer do governo como da Frelimo, acrescenta no texto que "ao longo do tempo,para além de demonstrar até à náuseas a mediocridade e falta de bom senso por que ainda se rege, o executivo de Filipe Nyussi tem vindo a insultar a inteligência do povo moçambicano" e ressalta um episódio que considera caricato: "nestes últimos dias, como sabemos, devido à crise económica que está a empurrar o País para uma situação de caos, provocada pelo governo da Frelimo, o executivo de Nyussi anda desnorteado, chegando até a se reunir para tomar medidas insensatas e patéticas, tal como o incentivo à produção de nheué (tseke, como é conhecido na região sul do País), uma planta que surge em qualquer parte à semelhança de capim sem necessidade da sua plantação. Aliás, trata-se de uma planta abundante ao redor das casas de banho, sobretudo aquelas construídas na parte exterior das residências nas zonas suburbanas e rurais.

Com tantos assuntos pertinentes por serem resolvidos, salienta, é um desperdício de tempo e de dinheiro do povo que o Presidente da República e os ministros se reunam para debater tamanha mediocridade (deviam ser presos por isso). "É lamentável ver o governo de turno a chover no molhado ao tentar de forma leviana, incentivar a produção e o consumo de algo que tem sido o prato principal dos moçambicanos.Por outras palavras, enquanto o PR e os seus títeres incentivam o consumo de nheué (tseke), a população ja ingeriu uma quantidade deveras considerável com Xima (agora está a arrotar, palitar e a bocejar), o que mostra à `partida a falta de atenção crónica que provavelmente acompanha e fustiga sem dó nem piedade a Frelimo desde a independência nacional.

Há sem dúvidas muita hipocrisia que se esconde por detrás dessas muitas decisões do governo moçambicano demoniacamente montadas.Portanto é importante que o povo moçambicano não se perca nesta floresta de decisões que são claras manifestações de falta de bom senso." 

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