ÁFRICA

 
29 de julho 2017 - às 07:38

MILHARES CONGOLESES BUSCAM REFÚGIO EM ANGOLA

Os últimos dados divulgados pelo Director Provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social na Lunda-Norte, Wilson Palanca, revelam que os dois centros improvisados pelas autoridades angolanas, no Dundo, controlam mais de 30 mil refugiados provenientes da República Democrática do Congo (RDC)

 

Os centros provisórios instalados em Cacanda e Mussungue, no Dundo, acolhem nesta altura os refugiados, entretanto, o número pode ser maior uma vez que muitos cidadãos do Congo Democrático continuam ao longo da fronteira e nas aldeias da Lunda-Norte.

Os congoleses que buscam refúgio em Angola fogem ao conflito na zona do Kasai onde milícias atacam as populações locais na sequência da crise política e de segurança que se instalou no Congo Democrático. 

Angola recebe entre 200 a 300 refugiados por dia em três pontos diferentes da fronteira. Do total de pessoas que chegaram ao nosso país em busca de segurança 12.000 são crianças. Nesta altura o governo local conta com o apoio do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), para o controlo, identificação e distribuição de meios de subsistência.

Ao mesmo tempo que os refugiados não param de entrar em Angola, as Forças Armadas do Congo Democrático combatem no terreno as milícias que actuam no Kassai, sendo que a mais “incómoda” é a denominada Kamuina Nsapu. 

Os constantes ataques das milícias contra as populações e os combates entre as Forças Armadas da RDC e os milicianos provocaram a destruição de milhares de casas e mais de um milhão de deslocados dentro do país. Os refugiados relatam casos de familiares decapitados por serem polícias, por pertencerem à igreja ou serem simplesmente funcionários da administração central. Em busca de segurança milhares de cidadãos da RDC andaram a pé pelas matas durante dias até chegarem à Lunda-Norte. 

 

Conflito alarmante - O gatilho dos combates em Kasai foi a morte do chefe tribal Jean Pierre Mpandi, pelas forças de segurança do Governo, o que deu início a uma revolta contra o Presidente Joseph Kabila.

A milícias recrutou centenas de crianças-soldado e destruiu várias instituições públicas como hospitais, escolas, postos de polícia e igrejas. A ONU já denunciou a existência de valas comuns nas províncias congolesas de Kasai Central e Oriental, onde ocorrem confrontos com a milícia Kamuina Nsapu. 

Os confrontos em curso entre as forças de segurança e as milícias locais provocaram mais de 400 mortos, incluindo o assassinato de dois trabalhadores das Nações Unidas e 200 mil deslocados. 

Para além da Kamuina Nsapu, cerca de 40 milícias estão activas nas duas províncias Kivu do Norte e Kivu do Sul no leste da República Democrática do Congo (RDC).

No geral, a situação no Congo Democrático é preocupante numa altura em que aumenta a contestação sobre o Presidente Joseph Kabila que teima em permanecer no poder quando já expirou o seu mandato.  

 

PRESIDENTE KABILA ASSEGURA QUE 

"O DIÁLOGO" É PERMANENTE

O presidente congolês, Joseph Kabila, assegurou durante uma cimeira na África do Sul, que o diálogo era "permanente" no seu país com vista a organização das eleições mas sem adiantar a data para a realização do escrutínio.

"O diálogo no Congo é permanente e vamos continuar a utilizá-lo como um instrumento de governação", assegurou o presidente congolês que, entretanto, tem sido duramente criticado por não marcar a data das eleições e por insistir em manter-se no poder.

Apesar das críticas o Presidente congolês acrescentou que "os objectivos do diálogo actual são a organização das eleições, enquanto nação, partidos políticos e sociedade civil. Temos sempre preconizados esses objectivos".

o Chefe de Estado congolês não precisou se a eleição será organizada antes do final do ano, tal como prevê o acordo entre o governo local e as forças da oposição. Esse acordo assinado no final de 2016 estabelece uma série de acções que devem ser tomadas para que se alcance a paz e estabilidade no Congo Democrático. 

 

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