CULTURA

 
23 de agosto 2019 - às 10:03

MBANZA KONGO: UM PATRIMÓNIO CULTURAL COM VONTADE DE SE MOSTRAR À HUMANIDADE

Detentora de um rico historial cultural, factor que a catapultou para a lista do património mundial, a mítica cidade de Mbanza Kongo, antiga capital do Reino do Kongo, carrega consigo um potencial turístico invejável por explorar e ser colocado na órbita turística nacional e internacional

 

Localizada a 472 quilómetros a noroeste de Luanda (capital angolana), num percurso feito pela estrada nacional 100, em aproximadamente cinco (5) horas de viagem, Mbanza Kongo possui zonas paisagísticas por explorar para o desenvolvimento do turismo, destacando-se no roteiro as cascatas do Nkungu-a-Paza, as grutas do Nza-Evua, a estância turística que se estende ao longo do rio Tuco e tantos outros locais.

Para quem faz do turismo um dos seus hobbies preferidos, Mbanza Kongo oferece a oportunidade não só de conhecer a história do antigo Reino do Kongo, mas também viver, intensamente, os encantos da natureza.

Agitada, quase 24 horas/dia, talvez pela aproximação da fronteira com a RDCongo, pelo Luvo, localidade que acolhe o mercado com o mesmo nome e que recebe diariamente centenas de comerciantes dos dois países, Mbanza Kongo apresenta-se com um futuro promissor na vertente turística, clamando apenas pelo investimento para alavancar um segmento que pode contribuir significativamente no desenvolvimento da província do Zaire e consequentemente reforçar o seu estatuto no mapa turístico mundial.

Aos seus atractivos históricos e naturais, aliam-se também as estórias míticas sobre o Reino do Congo e o poder mortífero ou protector de que os seus soberanos eram detentores, contadas pelos “mais velhos”, conhecedores da tradição.

 

CAPACIDADE HOTELEIRA - A escassez de hotéis e outros serviços é um dos factores que pode pôr em risco a presença de turistas na cidade histórica. A cidade conta apenas com dois hotéis e o mais antigo não oferece condições de alojamento. No total, incluindo os serviços similares, a localidade oferece apenas 340 quartos, um número quase insignificante para quem quer atrair turistas.

 

GRUTAS DE ZAU ÉVUA - Localizadas na comuna do Nkiende, a 62 quilómetros de Mbanza Kongo, as grutas são, a par das ruínas do Kulumbimbi e das Fontes de Água, o orgulho e cartão-de-visita turístico da localidade.

As grutas de Zau Évua fazem parte de uma rede de grutas e galerias, quase todas desconhecidas e ainda por explorar. É um local que não pode faltar no roteiro de quem visita Mbanza Kongo.

Serviram, no passado colonial, de refúgio para os combatentes de luta de resistência contra a ocupação estrangeira. Estas cavernas, a par do Rio Zaire, concorreram na primeira edição das Sete Maravilhas de Angola.

 

ESTÂNCIA TURÍSTICA DO TUCO - Em estado de abandono e cercada por capim que cresce ao seu redor, a estância turística que se estende ao longo do rio Tuco, localizada 12 quilómetros a sul de Mbanza Congo, já foi, em tempos idos, a jóia turística local, movimentando, no seu auge, centenas de turistas ao local. O rio apresenta características ímpares, com cachoeiras, água correndo entre as rochas e o chilrear dos pássaros.

O Tuco pode, em caso de recuperação, tornar-se, novamente, num lugar aprazível para momentos de lazer inesquecíveis.

 

FONTES DE ÁGUA - Trata-se de 12 fontes naturais de água que circundam a cidade de Mbanza Kongo, nomeadamente Santa, Madungu (bairro Sagrada Esperança), Ntetembua (11 de Novembro), Kilumbu (Martins Kidito), Tuanenga, Cinza, Bulunga, Massangalavua, Mbende, Mbangu, Kilanza e Bundu.

Apostado em dar uma imagem diferente a estas preciosidades históricas culturais, a administração municipal de Mbanza Kongo garante a requalificação das mesmas ainda no decorrer do ano em curso, sendo que, numa primeira fase serão abrangidas as fontes de Santa, Madungu, Ntetembua e Kilumbu, num valor global de 500 milhões de kwanzas, respondendo, desta forma, a uma das exigências da Unesco.

QUINTA DO KIOWA - A aldeia do Kiowa, a três quilómetros da cidade de Mbanza Kongo, nos últimos tempos tem despertado o interesse de muita gente que gosta de apreciar os encantos da natureza. No local existe a quinta de Victor Kusonga, um empreendedor que apostou na piscicultura, uma actividade pouco praticada nestas paragens. 

Construída numa área de 100 hectares conta com um residencial para alojar os turistas. 

 

CULTURA - M'Banza Kongo é conhecida pelas ruínas da Catedral de São Salvador do Congo (construída em 1492), do século XV, considerada a igreja colonial mais antiga da África Subsaariana. Diz -se que a igreja actual, chamada São Salvador, conhecida localmente como Kulumbimbi, foi construída por anjos durante a noite. Foi elevado ao status de catedral em 1596.

Outro local interessante de importância histórica é o memorial da mãe do rei Afonso I, próximo ao aeroporto, que rememora uma lenda popular que começou na década de 1680 em que o rei possivelmente havia enterrado a sua mãe viva, porque estava disposta a desistir de um "ídolo" que usava em volta do pescoço.

Culturalmente, o visitante tem ainda ao seu dispor o Museu Real, actual Museu dos Reis do Kongo, reconstruído como uma estrutura moderna. Abriga uma impressionante colecção de artefactos do antigo Reino, embora muitos tenham sido perdidos do prédio mais antigo durante a Guerra Civil.

O cemitério onde repousam os restos mortais dos antigos reis do Congo, localizado no perímetro adjacente ao Kulumbimbi, é muito visitado devido ao seu peso histórico e aspecto arquitectónico das sepulturas e da vedação.

Para além das potencialidades históricas e naturais de Mbanza Kongo, a província do Zaire oferece ainda, para os mais aventureiros atractivos nos demais municípios.

 

SOYO - De todos os municípios da província, o Soyo é a localidade que mais zonas turísticas alberga, entre as quais se destacam a  Praia das Sereias, a Praia dos Pobres, localizada numa zona nobre da cidade do Soyo, na margem esquerda do Rio Zaire, a  Foz do Rio Congo, as Quedas do Rio Mbridge, que servem para canoagem e rafting, e os canais Pululu, no Kwanda, e do Kimbumba, situado a dois quilómetros a leste do Soyo.

Os turistas podem ainda deleitar-se com a Ponta do Padrão, o primeiro porto que serviu aos portugueses em 1482 para a descoberta de Angola por Diogo Cão.

A 145 quilómetros da sede do município do Soyo está a Pedra do Feitiço, local turístico muito visitado por quem se desloca regularmente ao Soyo.

 

BAÍA DA MUSSERA - Situada no município de Nzeto a 56 quilómetros da capital da província, Mbanza Kongo, a baía é utilizada para banhos e desportos náuticos.

Mbanza Kongo, capital do antigo Reino do Kongo, é detentora de um património material e imaterial excepcional. A cidade foi inscrita na lista do Património Mundial da Unesco a 8 de Julho de 2017, durante a 41.ª sessão do Comité deste órgão, que decorreu na cidade polaca de Cracóvia (Polónia). 

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