FIGURAS DO MÊS

 
22 de July 2019 - às 07:40

MÁRCIA FERRANDEZ UMA DANÇARINA COM ATITUDE NO MUNDO CRIATIVO DA MODA

A dar cartas no mundo da moda angolana, a antiga dançarina Márcia Ferrandez aponta a formação como a melhor via para o perfecionismo. Em exclusivo a Figuras&Negócios, Márcia Ferrandez fala do seus dia-a-dia e dos seu projectos no mundo da moda no país

 

Figuras&Negócios (F&N) - Da dança para o mundo da moda. Sente-se, profissionalmente, uma criadora realizada?

Márcia Ferrandez (M&F)- Os objectivos de hoje são diferentes dos de ontem. Não poderei dizer realizada, pois o ser humano enquanto vive nunca termina nada, quer sempre mais e mais. Profissionalmente, já realizei alguns sonhos.

F&N - Quando e por que  mergulhou no mundo da moda?

M&F –Desde muito cedo que cultivo uma paixão por moda. Gostava de refazer as minhas roupas, e a paixão foi aumentando mais e mais quando me tornei bailarina, porque fazíamos as próprias  roupas para os shows, e era com todo prazer. O meu pai ofereceu-me uma máquina de costura industrial, motivou-me muito, razão pela qual  em 2016 decidi fazer a minha marca, e fazer aquilo que gosto, moda. Entrei para fazer  a diferença. O difícil não é fazer, o difícil é ser diferente (....), pois, quando se faz algo, deve ser com diferença. Há muita gente que faz. A questão não é fazer, mas, sim, ser diferente.

F&N - Quais são as características das suas colecções?

M&F - Normalmente, tentamos expor cores jovens, vivas, expressivas que evoquem sentimentos alegres. Esse tem sido o DNA da Cincocores. 

F&N – Que análise faz das iniciativas que acontecem no país destinadas a promover os criadores e os seus produtos?

M&F - O objectivo deveria ser diferenciar o nosso trabalho, para assim criar o nosso próprio estilo que crie tendência. Também é verdade que têm servido de alavanca para muitos jovens criadores. Portanto, são bem-vindas e devem continuar a ser promovidas para o bem da cultura angolana, em particular do mundo da moda angolana.

F&N - Onde sente mais dificuldade para fazer o seu trabalho diariamente?

M&F -A parte empresarial é a mais difícil, porque encontramos muitas travas e barreiras burocráticas desnecessárias. Para as empresas pequenas fica pesado.

F&N - Um dos grandes handicaps dos criadores angolanos está relacionado com a matéria-prima. Em que mercados recorre para ter os seus cestos sempre cheios com material para trabalhar?

M&F -Temos importado os tecidos e complementos da Espanha.

F&N - Em função das dificuldades ligadas à matéria-prima, o mercado nacional também se recente com a falta de recursos humanos qualificados. Como supera este deficit para levar a cabo o seu trabalho e com a qualidade desejada? 

M&F -A base de paciência e formação. A formação é fundamental em qualquer segmento da sociedade. Dá as bases para que se possa levar em diante todo e qualquer projecto em carteira.

F&N - Compensa o binómio preço/qualidade, tendo em conta o que gasta para produzir uma peça?

M&F - Contrariamente ao que as pessoas possam pensar, os custos de produção em Angola são altos. Mas se quiser oferecer qualidade, no entanto, compensa.    

F&N - Que avaliação faz do mercado da moda em Angola?

M&F - O mercado angolano está a crescer cada vez mais, apesar de algumas dificuldades, particularmente pela falta de uma indústria de apoio aos criadores, a fim de criarem e trabalharem ao mais alto nível. Mas também devo reconhecer que há um grupo muito grande, muitos criadores com vontade de fazer e que até têm possibilidade de actuar. A moda não é acordar e dizer que sou estilista ou criador. Acordámos, temos de pensar, temos de montar um plano de trabalho e, acima de tudo, devo também realçar que o talento joga papel muito grande. Se alguém não sabe desenhar, não entende de moda, não tem um estudo feito sobre a matéria, fica complicado navegar nesta arte.

É isso de que o mercado angolano precisa neste momento. Cada criador deve parar e pensar no que vai fazer de diferente, o que vai mostrar, visto que é aí onde as coisas não encaixam bem. Contudo, está-se a trabalhar e devem-se dar os parabéns às pessoas com vontade e motivação de fazer mais e melhor.

F&N - O que se produz no país, em termos de moda, tem a qualidade necessária e desejada para competir no mercado internacional?

M&F -Tem sim. Temos actualmente criadores que são bastante apreciados fora do país. Com mais trabalho e mais investimentos podemos subir mais alto.

F&N - Até que ponto a falta de uma escola de formação tem prejudicado o vosso trabalho?

M&F - Muito, é um problema estrutural a resolver. 

F&N - Para se entrar no mundo da moda é assim tão necessária uma formação nesta vertente ou é dispensável, bastando, para tal, ser-se autodidacta?

M&F -Fica mais simples tendo a formação para o efeito, mas nada é impossível.

F&N - Para além do mundo da moda, quem é e como é a Márcia Ferrandez fora dos holofotes?

M&F -Sou uma pessoa normal, sou mulher, sou mãe, sou esposa. 

F&N - Que projectos está a desenvolver fora do mundo da moda?

M&F - A moda me absorve quase 100%, mas a minha outra paixão é a maquilhagem que o tenho feito devagarinho. 

 

“LA ATITUDE”: A MAIS RECENTE MARCA

Trata-se da colecção Primavera Verão 2019 para o lançamento da sub-marca “LA ATITUDE” do Grupo Cincocores. É inspirada em celebrar singularidade e reflexão. Nesta temporada, a criadora  olha para dentro; mergulha num extenso arquivo e criamos uma colecção de coisas que ama fazer. Nela, o público observa uma mistura de clássicos e elementos que são icónicos para a marca, acentuados por actualizações contemporâneas e alternativas.

A história de cores primárias apresenta uma paleta de branco, ferrugem, caçadores verde, menta, tons de azul, rosa e bege, acentuados com tons de preto e marinho. Usamos o eterno favorito, 100% algodão genuíno, bem como luxuoso e eco‐consciente 100% tênsil.Destaca também a renda espanhola, chiffon, Setin Leve, Selda Selvagem, variedade de Tuli, acessórios como Missangas e pedras cristalinas.

As silhuetas nesta colecção variam de acessível a avant-garde e são espontâneos e em camadas de uma forma que se sente complexo, mas com um acabamento mínimo que equilibra os adornos e elementos funcionais. Todos os looks são estilizados como correspondência total, define a cor e o tecido. Procura criar com a colecção um senso de familiaridade, injectado com a frescura e relevância do que está a acontecer globalmente nestes tempos emocionantes.

 

PERFIL BIOGRÁFICO

Márcia Ferrandez  nasceu aos 04 de Setembro de 1989, no município da Ingombota, em Luanda. É casada e mãe de um filho. Formada em Contabilidade Financeira pela Universidade Jean Piaget de Luanda-Angola.

Começou a carreira como bailarina e durante 15 anos trabalhou com vários artistas como Yuri da Cunha, Celma Ribas, Michelle Divoi, Armi Squad, Heavy C, Tatiana Durão, Yola Araújo, Dream Boy, Teenover, C4 Pedro, Big Nelo, entre outros. Foi durante três anos bailarina de palco do programa Jovemania da TPA 1. Márcia Ferrandez também fez parte do grupo de dança as Dádivas, com o qual apresentou-se em grandes palcos nacionais e internacionais.

Em 2016, decidiu realizar um sonho de criança, o de se tornar estilista. Abandonou a dança e mergulhou no mundo da moda, lançando a marca Cincocores. Uma marca jovem e totalmente feminina.Em 2019, a agora estilista angolana decide ampliar o projecto e adiciona a Cincocores, uma submarca “La Atitude” que é uma marca também voltada para o feminino, mas com um padrão mais alto, elegante e clássico.

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