RECADO SOCIAL

 
8 de junho 2017 - às 06:25

MAKA DE REFUGIADO É MESMO CONNOSCO…

No meio desta brutalhada política e de guerra estúpida surge a questão dos refugiados, com a qual Angola tem de lidar, resolver em grande parte sozinha como sempre e tentar a todo o custo suster quem entre nas suas fronteiras com outros propósitos, que não os de proteger-se, procurar alimento, medicamentos, enfim sobreviver ao caos político e social  sustentado quer pelo governo de Kabila como pela oposição sacana que não está com meias medidas para arrancar as goelas a quem detém o poder e quer preservá-lo.

 

O governo angolano vai ter de fazer mais um esforço financeiro traduzido em dezenas de milhões de dólares nos próximos anos para fazer face ao problema gravíssimo de uma nova vaga de refugiados congoleses que acabam de aportar sobretudo na província da Lunda Norte.São mais de trinta mil  pessoas que pedem ajuda para sobreviverem à guerra no seu país, cujos governantes e políticos da oposição teimam em não chegar a um entendimento para pôr termo a tremendos conflitos que duram há “séculos”.Uma eternidade para quem sempre fugiu às atrocidades dos grupos terroristas que, escondidos sob a manta de jogatanas políticas, tribais ou étnicas vão se sustentando com saques, assassinatos e sequestros, colocando em perigo permanente a vida de gente inocente completamente desprotegida.

O governo congolês, que de democrático pouco se percebe, já deve ter perdido a credibilidade, quer a nível interno como externo.São tantas as makas criadas ao longo da sucessão do não menos corrupto e incompetente Mobutu Sese Sekou, que parte do povo congolês só tem um caminho a seguir ao longo dos últimos cinquenta anos: a emigração pacífica ou forçada, transformando as pessoas em autênticas peças de joguetes políticos vergonhosos acobertados pelas potências coloniais, que só  defendem os  seus enormes interesses económicos.O resto que se lixe! Sempre foi assim… Aliás, a independência nacional daquele país, cujos recursos naturais estão ainda por ser contabilizados, pesquisados e explorados a favor das populações indígenas, foi um embuste desde a sua proclamação em 1960.

Claro que houve uma fase menos densa das nuvens negras,pois é ainda frequente relembrar que uma onda de esperança tinha renascido na altura em que se registou um golpe de Estado protagonizado pelo pai do actual presidente Joseph Kabila; entretanto, o chamado “grande e bom chefe de família” nem sequer teve tempo suficiente para aquecer o cadeirão mais poderoso de Kinshasa, a capital de um país que foi colocada, mais uma vez à prova, diante de manifestações contestatárias de centenas de milhares de pessoas absolutamente descontentes com a gestão política, económica e financeira do actual Presidente, seus governantes e políticos de alcova que, num último sopro de sobrevivência, aconselharam-no a  mudar de patas pro ar a Constituição da República, no sentido de “ eternizá-lo” no poder; um poder dependente de um sistema muito ligado às ordens exteriores e aos apetites das potências coloniais, com a Bélgica à cabeça.

No meio desta brutalhada política e de guerra estúpida surge a questão dos refugiados, com a qual Angola tem de lidar, resolver em grande parte sozinha como sempre e tentar a todo o custo suster quem entre nas suas fronteiras com outros propósitos, que não os de proteger-se, procurar alimento, medicamentos, enfim sobreviver ao caos político e social  sustentado quer pelo governo de Kabila como pela oposição sacana que não está com meias medidas para arrancar as goelas a quem detém o poder e quer preservá-lo.

Numa altura em que andam quase todos os africanos  de mãos estendidas para pedir socorro à comunidade internacional, nomeadamente às organizações financeiras, cujos “ administradores” são exactamente os países que colonizaram o seu continente, a África surge na boca do mundo pelos piores motivos: se não é a fome, é a pobreza; se não é a seca, cuja prevenção dos seus efeitos assassinos parece que os governantes desconhecem apesar de alguns deles terem “estudado” nas melhores universidades do mundo.O momento é particularmente difícil para acudir estes refugiados, uma vez que  vigora em Angola (há décadas) um Programa de Combate à Fome e à Pobreza liderada pelo governo  que atravessa, hoje, uma das piores crises económicas e financeiras de sempre.Não há volta a dar.Sejam quais forem as consequências, Angola tem de  prestar todo o tipo de auxílio à população-irmã daquele país vizinho que no outro tempo também acolheu centenas de milhares de refugiados, deslocados de guerra e exilados políticos deste país.A história das relações e problemas existentes entre os dois países jamais poderá deixar um rasto de mentiras e desconfiança mútua. 

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